Bons resultados nas europeias agitam oposições à líder

Apesar de ter sido uma semana difícil para a líder do PSD, obrigada a desmentir que tivesse defendido um governo do Bloco Central, nem tudo corre mal a Ferreira Leite. O SEMANÁRIO sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias.

Apesar de ter sido uma semana difícil para a líder do PSD, obrigada a desmentir que tivesse defendido um governo do Bloco Central, nem tudo corre mal a Ferreira Leite. O SEMANÁRIO sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias. As oposições à líder do PSD, que já pensavam na queda de Ferreira Leite a seguir às europeias, é que ficaram agitadas. Se Ferreira Leite for às legislativas, a corrida à liderança no pós-ferreirismo fica ainda mais afunilada. Com nenhum jovem turco a cair no “lugar do morto” nas legislativas.

em tudo corre mal a Ferreira Leite. O Semanário sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias. Na semana em que teve de desmentir uma entrevista que ainda não tinha ido para o ar, rejeitando uma alegada defesa do Bloco Central, estes indicadores são um verdadeiro sopro de oxigénio para a líder do PSD. As oposições à líder do PSD, que já pensavam na queda de Ferreira Leite a seguir às europeias, é que ficaram agitadas. Na verdade, nas últimas semanas houve quem desse como adquirido que Paulo Rangel muito dificilmente levaria a água ao seu moinho. Mas o facto é que o líder parlamentar tem cumprido muito bem o seu papel. Rangel tem excelentes dotes oratórios, tem intuição política e é aguerrido. Tem demonstrado estas qualidades em vários palcos, já em pré-campanha para as europeias e ainda beneficia da exposição mediática de estar no Parlamento e de enfrentar, de quinze em quinze dias, o primeiro-ministro. Há muito tempo que o PSD vive em clima de facas longas, quase em permanência. O facto de existirem muitos galos para o mesmo poleiro, no pós-ferreirismo, faz com que a guerrilha se tenha intensificado. Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Aguiar Branco, Alexandre Relvas, Nuno Morais Sarmento, são alguns dos putativos candidatos a líder do PSD depois de Ferreira Leite. Como o PS está há quatro anos no poder e as hipóteses de Sócrates voltar a ganhar são grandes, o lote de candidatos foi afunilando, porque ninguém quis avançar antes de tempo para ser abatido em combate. Foi, aliás, neste contexto que Marques Mendes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua oportunidade. Há observadores da realidade laranja que referem que esta “inflação” de candidatos faz com que cada um trilhe o seu caminho com mil cuidados e se desdobre em jogos tácticos, com vista a que alguém fique pelo caminho. É assim que se entende que muitos dos nomes do lote acima referido tenham ao mesmo tempo de manter acesa a chama da candidatura e ao mesmo tempo dêem sinais claros de que não querem estar no que pode ser o “lugar do morto” nas eleições legislativas de Setembro, o que dá, por vezes, uma postura de acção bem contraditória. Nas próximas legislativas, se Sócrates ganhar, o líder do PSD do momento tem, certamente, de se demitir e dar o lugar a um “camarada” mais preparado, que vai ficar com uma melhor conjuntura para chegar ao poder, talvez em fim de crise económica e, sobretudo, entrar num ciclo político em que o PSD pode fazer um regresso “natural” ao poder, depois de dois mandatos governativos do PS. Face a este contexto, segundo o mesmo observador laranja, está a acontecer um jogo de colocar alguém no “lugar do morto” nas legislativas, na lógica que é menos um candidato a atrapalhar o tráfego da liderança após as legislativas de Setembro. Ora, se Ferreira Leite ganhar as europeias, ou tiver um resultado honroso, é ela, certamente, que vai disputar as legislativas. Se perder para Sócrates, como parecem indicar as sondagens, o seu lugar deverá ficar, depois, à disposição, para começar a luta dos “galos”, sem nenhum fora da corrida, porque nenhum morreu em combate. Muitos galos para o mesmo poleiro Passos Coelho é um candidato natural à liderança do PSD no pós-ferreirismo. Resta saber se os apoios serão suficientes. Curiosamente, Morais Sarmento parece estar a apoiar Rui Rio para uma futura corrida. Só que Rui Rio talvez seja o candidato pior colocado para lá chegar. Srerá por isso que Morais Sarmento o apoia, num eventual despique com Passos Coelho? Para quê? Naturalmente para que Rio desse apoio à própria corrida à liderança de Morais Sarmento. Porém, apesar das desvantagens, nem por isso Rui Rio tem deixado de fazer o seu papel como putativo líder. As divergências que começou a ter com Ferreira Leite evidenciam esta ambição. Curiosamente, o modo como Ferreira Leite “protegeu” Rio nas declarações divergentes sobre o enriquecimento ilícito fazem pensar que a actual líder poderá, ainda assim, ter uma preferência pelo autarca do Porto. Será? Quem não se lembra, também, das longas horas de conversa entre Ferreira Leite e Morais Sarmento no último Congresso do PSD. No entanto, há que recordar também que Morais Sarmento deu recentemente sinais de discordância em relação a Ferreira Leite. O que foi diferente, na apreciação da líder, dos mesmos “pecadilhos” de Rio e Morais Sarmento? Rio vai, entretanto, recandidatar-se à Câmara da Invicta, tendo um desafio complicado pela frente, que é o de ganhar a Elisa Ferreira. Se perder, Rio pode ver hipotecada a sua candidatura à liderança, porque os rivais estarão em melhor situação. Se ganhar, Rio também pode ter um problema. Como sair da autarquia para a corrida no PSD sem perder a credibilidade? Ainda para mais, o autarca já fez saber que quer cumprir o mandato. Rio pode, assim, ser do “lote” de potenciais candidatos aquele que está em pior situação. Quanto a Alexandre Relvas e a Aguiar Branco também não têm deixado de dar sinais de que estão na corrida, mais este do que aquele. Há quinze dias foi muito comentada a frase de Aguiar Branco de que as europeias não eram o seu combate. Tanto um como outro podem, de facto, avançar, mas talvez para servirem objectivos tácticos de outros candidatos, também arregimentando votos que depois entregam, fortalecendo também a sua posição política. Que candidatos? Passos Coelho e Morais Sarmento.

Atenções recaem sobre a intervenção do PR

O que espera do discurso de Cavaco nas comemorações do 25 de Abril?

Simões Ilharco

As atenções recaem sobre a intervenção do Presidente da República amanhã no Parlamento. O que espera do discurso de Cavaco no 25 de Abril? À pergunta do SEMANÁRIO, respondem diversas personalidades.

José Lello
“Sem recados rocambolescos”

“Espero um dicurso de Estado, institucional, claro e sem recados rocambolescos.”

Paula Teixeira da Cruz
“Um incentivo”

“Espero uma abordagem da situação económica e social e, como sempre vem sendo próprio do Presidente, um incentivo em momentos difíceis, sem perder de vista o rigor e a exigência.”

Saldanha Sanches
“Nunca um 31 de Julho”

“Espero que seja mais relevante do que o tema escolhido no dia 31 de Julho.”

Odete Santos
“Sem grandes coisas”

“Eu não espero grandes coisas. Espero que ele diga que isto do ponto de vista económico está muito mau, que foi o que disse sobre as recentes previsões do Banco de Portugal, mas não espero que proponha medidas revolucionárias, até porque está de acordo com a política do engº Sócrates.”

Feliciano Barreiras Duarte
“Apontar pistas”

“Que procure chamar a atenção para os problemas com que o País se confronta actualmente e que aponte algumas pistas para ultrapassar a actual crise.”

Pressão para audição de Sócrates intensifica-se

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas desta diligência, ainda por cima no ano de todas as eleições.

Guerra aberta no MP

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas desta diligência, ainda por cima no ano de todas as eleições.

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas deste acto, ainda por cima no ano de todas as eleições.
O caso Freeport não pára e os socialistas começam a ficar mais preocupados. Para o mês que vem o país entra em campanha eleitoral para as europeias, umas eleições que podem ser decisivas como primeiro patamar das legislativas de Setembro. A possibilidade de Sócrates ser ouvido pessoalmente, no quadro das investigações, como testemunha é um acto que as oposições não deixaram de aproveitar politicamente. Refira-se que esta diligência, a realizar-se terá mesmo de ser feita pessoalmente e não por escrito. O mesmo aconteceu, há dez anos, em relação a Paulo Portas, no quadro da investigação sobre a Universidade Moderna.
Esta foi, talvez, a semana mais agitada do caso Freeport. Tudo começou na sexta-feira, com a exibição pela TVI de parte do DVD em que Charles Smith envolve Joé Sócrates no caso. Na mesma noite, o primeiro-ministro fez um comunicado em que volta a refutar as acusações, considerado-as absolutamente difamatórias, anunciando a apresentação de queixas-crimes contra a TVI, como órgão difusor, e contra Charles Smith. No dia seguinte, o próprio Charles Smith negou alguma vez ter difamado Sócrates. Recorde-se que o DVD emitido pela TVI é matéria que faz parte da investigação inglesa no Freeport.

Há dois meses, Cândida Almeida, uma das magistradas que investiga o caso, disse, numa entrevista à RTP 1 que se recusava a ver o DVD porque se tratava de uma prova nula, recolhida ilegalmente. Esta afirmação provocou alguma polémica nos meios judiciais em geral e até no seio do Ministério Público. Independentemente da natureza do acto, até um leigo perecebe que a análise de uma prova nula pode ser muito útil para obter novas pistas ou ajudar a construir um puzzle por finalizar, no âmbito de uma determinada estratégia de investigação.

Já esta semana, o caso conheceu um novo epicentro. O novo presidente do Sindicato dos Magistados do Ministério Público eleito, João Palma, pediu uma audiência ao Presidente da República, Cavaco Silva, para denunciar a existência de pressões no caso Freeport. Esta manifestação do SMMP começou por ser recebida com incomodidade por Belé,m, na medida em que João Palma anunciou, desde logo, a agenda da reunião. Por sua vez, o facto de ela surgir imediatamente depois da eleição de Palma, prestou-se a interpretações de aproveitamento político e pojecção mediática. Mas, já esta semana, o incómodo acabou por ser ultrapasado pelos acontecimentos. Na comunicação social, surgiu o nome do procurador Lopes da Mota, director do Eurojust, uma estutura de cooperação judiciária ao nível europeu, como tendo feito, alegadamente, pressões junto de magistrados com o Freeport a cargo, designadamente, Vítor Magalhães e António Paes, tal como foi divulgado durante a semana por vários órgãos de comunicação social. Lopes da Mota desmentiu, porém, quaisquer pressões. Esta semana, face ao empolamento do caso, o procurador-geral da República sentiu-se no dever de emitir um comunicado em que desmentiu a existência de quaisquer pressões, declarações que o PS, através de Vitalino Canas, fez questão em frisar. Nesta quarta-feira, como o caso não parasse de suscitar dúvidas e especulações, Pinto Monteiro resolveu chamar Lopes da Mota à PGR. Os dois magistrados alegadamente pressionados, Vítor Magalãres e António Paes Faria, também foram chamados por Pinto Monteiro. Segundo foi referido por vários órgãos de comunicação social, Pinto Monteiro pretendeu que fosse subscrita uma declaração conjunta em como não tinham existido pressões. Vitor Magalhães e Pais Faria recusaram-se, porém, a assinar.
Segundo referiu ontem o Jornal de Noticias, os procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães, colocados no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, “vão com a sua versão até onde for preciso”, garantiu uma fonte ao JN, que pediu anonimato.
Segundo referia, também, o JN é a segunda vez que é posta em causa a conduta de Lopes da Mota, ex-colega de José Sócrates no primeiro Governo de António Guterres. Lopes da Mota foi já alvo de um processo disciplinar, por suspeitas de ter fornecido à presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, uma cópia da denúncia que daria lugar à investigação do chamado caso do “saco azul” da autarquia, antes de a Polícia Judiciária iniciar a investigação. O processo acabou por ser arquivado.

Entretanto, já depois destes acontecimentos, o presidente do SMMP reiterou o pedido de audiência com o Presidente da Repúbolica. A dúvida é saber se Cavaco recebe Palma antes da sua tomada de posse, que se realiza só a 16 de Abril, ou só depois desta data.
Todas estas vicissitudes inerentes ao caso Freeport tiveram esta semana fortes repercurssões políticas, mas curiosamente quase todas vindas da a´rea socialista. Mário Soares criticou as fugas de informação do processoe aproveitou para tecer considerações sobre a inverdade das mesmas, aparentemente secundando Sócrates, que desde o início considera que estamos perante uma campanha negra contra si. Também o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, afirmou que Sócrates está a ser vítima de “calúnia”, “intriga” e “maledicência” de quem o quer envolver no caso. Fora da linha destas intervenções, João Cravinho disse que «o DVD exibido é um elemento que fez muita mossa e representa um conjunto de afirmações extremamente graves» Cravinho pediu, ainda, que tudo seja averiguado.