2026/07/08

Barões ensaiam terceira via à espera de uma surpresa

Meneses com santanistas, Marques Mendes com os barrosistas, António Borges à espreita, juntamente com Manuela Ferreira Leite e os marcelistas. Aparentemente a correlação de forças está definida e pende, com maioria significativa para Luís Marques Mendes. Mas, está ainda por testar a “força da terceira via”, isto é, a adesão, muita ou pouca que vai merecer dos Congressistas a moção de estratégia global, de que é primeiro subscritor o prof. António Borges.

O Congresso
de Pombal é, formalmente, uma carta fechada. Tudo está a ser polarizado em torno de uma disputa entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Meneses, as sondagens apontam uma favoritismo claro para o antigo ministro de Cavaco Silva e de Durão Barroso. Ambos fizeram as respectivas campanhas eleitorais junto das bases, os TSD’S promoveram um debate conjunto na sede do PSD, esta semana e, com base nisto tudo, ambos tinham a expectativa de serem as grandes “estrelas” dessa magna reunião social democrata. Há hostes arregimentadas, “espingardas” contadas, apoiam que se pedem, contactos que se estabelecem e, para coroar o debate interno, as votações para os novos dirigentes.
O Congresso não tem determinismos pré fixados, porque os delegados não são eleitos com base na fidelidade ou na adesão a qualquer documento programático. Esta é uma dificuldade para os candidatos a líder, aliás insuperável e que faz sempre dos Congressos algo imponderável, na expectativa, em que o PSD tem sido fértil ao longo da sua existência, de surpresas que ocorram à boca de cena, isto é, no palco dos acontecimentos.
Foi assim que, dando voz aos rumores cada vez mais insistentes em certos meios do PSD, o Diário de Notícias de sábado passado – dia em que é usual o Expresso se vangloriar-se das “cachas”, que sobre esta matéria não trouxe um “cheirinho sequer – revelava que António Borges seria o primeiro subscritor de uma moção de estratégia global a apresentar ao Congresso de Pombal. Nessa altura o mesmo Jornal citando António Borges acrescentava que ele não seria candidato à liderança demonstrando assim alguma vulnerabilidade política, que se foi acentuando ao longo dos últimos dias de Março. Ficava a saber-se que em torno de António Borges estavam figuras com peso no imaginário laranja, com destaque para Leonor Beleza, Aguiar Branco, Rui Rio e Alexandre Relvas. De revelação em revelação, sabia-se que Silveira Botelho, antigo chefe de gabinete de Leonor Beleza estava a tentar mobilizar apoios e estaria a coordenar as contribuições diversas para o documento final. Comentário imediato de um recém ex membro do Governo: “Silveira Botelho é igual a Leonor Beleza, e esta igual a Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo-se, portanto, que, à primeira vista é o ex-líder o grande patrocinador desta iniciativa, ou seja, no congresso haverá um conjunto de congressistas que poderão ser apelidados de uma ala marcelista”.
Mais uma vez, nestas coisas do PSD, volta a surgir, de alguma maneira o “fantasma” de Cavaco Silva. Porquê? Porque alguns dos nomes da moção desta eventual “terceira via” para retomar a designação original, têm uma ligação directa com o antigo primeiro ministro e, agora o mais desejado candidato presidencial.
O terreno de actuação é algo pantanoso, porque a implantação e apoios de Marques Mendes estão inseridas no mesmo espaço e até no mesmo pensamento estratégico em que se movem as individualidades sonantes que gravitam em torno de António Borges.

O papel de Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite é, neste contexto, uma personagem chave, que vai a Pombal carregada com uma carga enigmática que até agora não foi possível decifrar com clareza. Desde logo se ela está disponível para ter um protagonismo essencial no Congresso, já que, por parte de Marques Mendes há toda a receptividade, como o SEMANÁRIO revelou há algum tempo, para oferecer a Manuela Ferreira Leite o lugar na estrutura dirigente do PSD que ela quiser. Nesse sentido, tem-se falado na presidência da mesa do Congresso, na primeira vice-presidência do Partido ou como nº 1 do Conselho Nacional.
Só que…nestes últimos dias tem corrido uma informação, não desmentida – mas também ainda não publicada com a clareza com que agora o faz o SEMANÁRIO – de que Manuela Ferreira, que concorreu e foi eleita congressista, se disporia a fazer um discurso apelando à mudança, um meio termo entre as teses de António Borges e as de Marques Mendes. E se esse discurso inflamar o Congresso, poderia ser o ponto de partida para a afirmação da tal terceira via. Não está ainda claro, pelo menos nalguns espíritos – ouvimos duas versões distintas – se Manuela Ferreira jogará para ser líder, com base na moção de António Borges, ou se o Congresso permitir esse avanço se será o próprio Borges a apresentar a sua candidatura no quente dos acontecimentos.
Tudo visto e conferido, parece ser lícito dizer que há quem vá ao Congresso à espreita de uma oportunidade de afirmação.
Conhecendo-se o perfil de Manuela Ferreira Leite parece difícil enquadrá-la num qualquer jogo partidário em termos de poder interno e é também por isso que devem encarar-se com alguma reserva, as informações nesse sentido, tanto mais que ela fez afirmações que, bem vistas as coisas, redundam em apoio a Marques Mendes. E não coaduna com o referido perfil da ex-Ministra assumir-se como mandatária de quem quer que seja, António Borges ou outro qualquer dirigente. Aliás, há alguma curiosidade em saber quem é que vai defender a moção de António Borges, no acto da sua apresentação. O próprio? Ferreira Leite? Leonor Beleza, Aguiar Branco? Rui Rio? Para que a moção tenha o impacto que os seus autores desejam não se vê mais ninguém além daqueles nomes citados.
Os Congressos do PSD têm sempre um enorme, influente e por vezes determinante factor emocional que os transformam em verdadeiras caixas de surpresas. Parece pouco provável que alguma enorme surpresa ocorra em Pombal. A última surpresa em Congressos laranja, ocorreu ali bem perto, na Figueira da Foz, há quase vinte anos. Resultou da “conspiração” silenciosa de uns quantos dirigentes que planificaram a tomada de poder interno, com o protagonista principal que foi Cavaco Silva. Talvez seja, ou comece a ser tempo de desmistificar, por completo a história da rodagem do carro de Cavaco Silva, porque a verdade das coisas não se compadece com essa trama.
Desta vez, também, muitas e influentes pessoas, no presente e no passado recente do PSD debateram silenciosamente o estado do partido, a partir da saída de Durão barroso para Bruxelas e das confusões em que Pedro Santana Lopes se envolveu e que, na opinião desses dirigentes, não só conduzia, como conduziu, o PSD a uma derrota humilhante nas legislativas, como era imperativo trabalhar para o dia seguinte, ou seja, para encontrar a alternativa para conduzir o partido nos dias difíceis de Oposição que o esperam nos próximos tempos. Há 20 anos a situação era diferente, pugnava-se pela rotura do Bloco Central e esperava-se que o PSD fosse de novo, como foi, o vencedor das eleições subsequentes. Hoje, do que se trata é de reposicionar o PSD na sua matriz ideológica e procurar responder com a doutrina social democrata aos novos problemas do mundo, em geral e da sociedade portuguesa em particular. Esses dirigentes, que conspiraram no silêncio foram, em boa verdade discretos, na medida em que não tendo apoiado, também não assumiram atitudes e ataque. É, por isso, exagerado dizer-se que eles são contribuintes líquidos da maioria absoluta alcançada pelos socialistas. Quando muito, vão confrontar-se com a agressividade da ala liderada por Luís Filipe Meneses e pelos santanistas que assumirem essa condição. Surpresa seria se a terceira via saísse vitoriosa de Pombal. Não o sendo, António Borges e os seus aliados tenderão a diluir-se no apoio, mais ou menos caloroso a Luís Marques Mendes que não enjeitará dar a alguns lugares de certo relevo na sua própria equipa. O mesmo, aliás, que fez Durão Barroso ao próprio Marques Mendes.
Além disso, ainda que o horizonte de Oposição seja para o PSD de quatro anos, o tempo da legislatura, há motivos de esperança para os dirigentes que forem eleitos em Pombal: Nunca como hoje foram tão fortes as probabilidades de ser eleito um Presidente da República oriundo das fileiras do partido. E as eleições autárquicas não vão constituir uma derrocada para o PSD, segundo todas as previsões, incluindo as do PS, nas palavras bem recentes (há dois dias) de Jorge Coelho. Com efeito o PS até pode ter um somatório de votos superior ao do PSD, mas é quase certo que os social democratas terão um resultado muito superior ao das eleições de 20 de Fevereiro. Além disso, não parece lógico prever que os socialistas ultrapassem o PSD em número de lideranças de Câmaras. Quanto a Lisboa e Porto, provavelmente ( os dados podem alterar-se até lá), o PS, coligado com o PCP e o Bloco de Esquerda, ganha Lisboa, enquanto que o Porto manterá a liderança da Câmara do Porto. Ou seja, na noite das eleições autárquicas, lá mais para o fim do ano, pode acontecer que os dois maiores partidos possam, ambos ter legitimidade para se considerarem vitoriosos. A ver vamos

“Barrosistas” com Marques Mendes

O Governo de Santana Lopes foi uma coligação forçada entre os homens de confiança de Durão Barroso e os amigos do peito daquele quase efémero primeiro ministro. Estes últimos causaram a Santana Lopes muitos dissabores, como os que envolveram Rui Gomes da Silva ( caso Marcelo Rebelo de Sousa e a sua saída da TVI) ou Henrique Chaves que se demitiu bruscamente, poucas horas depois de ter mudado de pasta. Nas horas de borrasca por que passou o Governo anterior foram, de certo modo, os barrosistas que aguentaram os respectivos impactos. Mesmo com reservas, sobretudo por parte de Morais Sarmento o relacionamento dos homens de confiança de Durão Barroso com o seu sucessor foi sempre de “grande lealdade e de frontalidade objectiva”, para utilizar as expressões de um deles, confiadas ao SEMANÁRIO há já algum tempo.
No Congresso de Pombal, não haverá nenhum grupo organizado que se reclame como herdeiro político de Durão Barroso, mas lá estarão os mais destacados barrosistas, como Nuno Morais Sarmento, José Luís Arnaut e Miguel Relvas e, embora um pouco mais descomprometido, Vítor Cruz, líder do PSD Açores e encarado por alguns como potencial líder da bancada parlamentar do PSD após o congresso ( apesar de correr a informação que o candidato mendista a tal lugar é o ex secretário de Estado Miguel Macedo). Aliás, no palco, enquanto decorrer o Congresso, estarão sentados todos estes e outros elementos que fazem parte da direcção política cessante, incluindo Rui Rio que, para todos os efeitos é o primeiro vice-presidente. Já aqui se referiu que uma outra incógnita relevante do Congresso de Pombal é saber o que é que vai fazer Pedro Santana Lopes. Vai aparecer, ou optar pela ausência? Fará o discurso político inaugural com o balanço da hecatombe e das actividades do PSD, quase em jeito de testamento político, e depois retira-se dos trabalhos, ou fica até ao fim? Ninguém sabe, ou quem saberá, ainda não o disse a ninguém até ao fecho desta edição.
Um importante apoiante de Durão Barroso ao longo dos últimos anos disse ao SEMANÁRIO o seguinte: ” O Marques Mendes foi um excelente ministro de coordenação política do Governo de Durão Barroso. A contestação ao seu discurso feita por Nuno Morais Sarmento no Congresso de Barcelos, foi muito conjuntural e fruto das circunstâncias. Por isso, com realismo e sem ambicionarmos quaisquer cargos na nova equipa dirigente, o natural é que os barrosistas, assim impropriamente chamados, acabem por manifestar apoio à liderança de Luís Marques Mendes. É o mais lógico”
Ontem ao começo da noite, Marques Mendes e Luís Filipe Meneses gravaram um debate que a SIC-Notícias vai transmitir no sábado. Os dados estão todos lançados e, repete-se, se a surpresa não chegar, como parece difícil, começou a contagem decrescente para que Luís Marques Mendes seja o futuro líder da Oposição. Meneses terá o seu prémio de consolação – a defesa que faz da eleição directa do líder pelos militantes retomou o seu caminho e é uma questão que Marques Mendes não poderá tornear a médio prazo. Não há outra alternativa aliás, depois da eleição, por esse método, de José Sócrates.

Carrilho em Lisboa e Assis no Porto escolhidos por unanimidade

O PS oficializou, quarta-feira, a escolha de Manuel Maria Carrilho e de Francisco Assis, como candidatos às Câmaras Municipais de Lisboa e do Porto, respectivamente.

O coordenador autárquico
foi cauteloso, ao especificar, depois, que ultrapassar o PSD no número de Câmaras e conquistar, assim, a Associação Nacional de Municípios “não é uma fasquia para o PS”. Contudo, também foi bem explícito quando disse que os socialistas querem concorrer “preferencialmente sozinhos” e que eventuais coligações em “alguns concelhos em que essa coligação permita uma mudança” serão “analisadas caso a caso”.
Além disso, foi bem claro, quanto a Lisboa e Porto: “Nessas duas o partido tem votos para ganhar sozinho” e será considerado “o peso de cada partido nas últimas legislativas”. Talvez fosse um “recado” dirigido a Jerónimo de Sousa, que, antecipando-se, veio recusar ser, tão só, “a cereja no bolo socialista”.
Recorde-se que na capital, o Bloco de Esquerda até teve mais votos do que o PCP. E fique a saber que Francisco Louçã já remeteu uma decisão sobre uma eventual coligação em Lisboa (no Porto já foi afastada pelo BE) para Maio, depois da realização da Convenção do partido.
Na conferência de imprensa, Jorge Coelho admitiu que a direcção socialista já aceitou reunir-se com o PCP, a pedido deste, embora ainda sem data marcada.
O secretariado nacional do PS aprovou uma estratégia autárquica nacional, pois estão já escolhidos, segundo Coelho, “cerca de 80 por cento dos candidatos a presidentes de municípios”. Ficou, ainda, agendada, para o início de Setembro, uma convenção nacional autárquica.
Entretanto, a 29 de Abril, no Porto, e no dia seguinte, em Lisboa, serão realizados colóquios para a preparação do “Manifesto Eleitoral Autárquico” dos socialistas.
Coelho foi parco nos elogios. Quanto a Carrilho, apenas disse: “É um excelente candidato, tem provas dadas no País e foi o melhor ministro da Cultura desde o 25 de Abril”.

Os dois candidatos

Manuel Maria Carrilho anunciou a sua intenção de entrar nesta corrida há cerca de um ano, afirmando, na altura, ter “um projecto para Lisboa”. Desde então, o ex-governante conseguiu agregar um vasto leque de apoios, conseguindo até “arredar” Ferro Rodrigues, que hesitou e acabou por desistir. “Ele lá sabe porquê”, comentava um “ferrista”, embora o próprio Ferro Rodrigues tenha, há tempos, esclarecido que se recusava a entrar em disputas internas e, assim, não seria candidato a Lisboa.
Francisco Assis, por seu turno, que já teve experiência parlamentar, liderando a bancada socialista, e que actualmente dirige a federação distrital do Porto, já veio anunciar que irá lançar as “Novas Fronteiras” na cidade invicta.
Vai convidar um conjunto de personalidades independentes da cidade ligadas aos mais diversos sectores, para participarem na feitura do seu Programa, que tenciona apresentar antes do Verão.
“Vamos criar no Porto um modelo tipo Novas Fronteiras, pois o Porto tem uma efervescente actividade em vários domínios, que importa envolver no projecto que vamos elaborar” — declarou.
Para ser mais claro: “Quero fazer uma grande plataforma aberta à intervenção de independentes”. Recusa, todavia, “procurar federar interesses que estejam momentaneamente descontentes com o modelo de gestão do actual presidente da edilidade portuense”. “É muito mais do que isso”, disse. E apesar da indisponibilidade, já divulgada, pretende, nos próximos dias, fazer uma derradeira tentativa junto do BE, para constituir uma alternativa alargada, que prevê também o PCP. Se não resultar, “concorreremos sós, porque o PS é alternativa mesmo sozinho”, rematou.

Indecisos decidem legislativas

Conquistar os indecisos, numa derradeira corrida final, captar algum volume do eleitorado que até ontem se confessava abstencionista, manter a fidelização dos eleitores do PSD de há três anos, são os três objectivos definidos para as derradeiras manifestações de campanha do PSD.

Conquistar os indecisos, numa derradeira corrida final, captar algum volume do eleitorado que até ontem se confessava abstencionista, manter a fidelização dos eleitores do PSD de há três anos, são os três objectivos definidos para as derradeiras manifestações de campanha do PSD. Santana Lopes recebeu o apoio de Balsemão e a promessa de voto, no PSD de Pacheco Pereira. As últimas horas, dinamizou-se um sentimento de unidade dos social democratas.
A campanha eleitoral esteve centrada nos líderes partidários, obscurecendo, com isso, as actividades dos outros dirigentes, sobretudo dos que são cabeças de lista nos diversos distritos. Há uma campanha intensa que não foi mediatizada a nível nacional, embora o tivesse sido nos meios de comunicação, através da imprensa e das rádios locais. Em quase todos os distritos houve debates acesos e controversos entre os cabeças de lista. “Não é fácil medir o efeito nos eleitores dessas acções de campanha, uma vez que as atenções ficaram polarizadas nas lideranças, vamos aguardar” – disse ao SEMANÀRIO um dos mais importantes dirigentes social democratas.
Não é possível dar notícia do comício de ontem à noite no Pavilhão Atlântico, com que o PSD encerra as manifestações de massas no distrito de Lisboa e sobre o qual se geraram durante a tarde muitas expectativas. “É a cabeça do Miguel Relvas – secretário geral e cabeça de lista por Santarém – que está em jogo” comentava alguém com responsabilidades na direcção do PSD
Aposta eventualmente ganha, a acreditar na capacidade de mobilização que os social democratas demonstraram na campanha e que os leva a dizer que não houve nenhuma iniciativa falhada, de todas aquelas em que interveio Pedro Santana Lopes. Que efeitos pode ter no eleitorado os últimos passos deste mal amado líder social democrata e até agora com um breve e controverso consulado como Chefe do Governo?
A pergunta tem justificação e as respostas concretas só se poderão interpretar depois de fechadas as urnas e contados os votos.
” O que está em cima da mesa é tudo e é tanto, neste exacto momento, em que todas as contas são possíveis, em que é útil e necessário afrontar as sondagens, quase todas desfavoráveis e apontando para da derrota do PSD e para a vitória relativa do PS”. Esta afirmação, de um membro da Comissão Permanente, é justificada pela percepção e pelos estudos constantes da evolução do sentido de voto dos eleitores, a poucas horas do encerramento da campanha: Segundo a mesma fonte, na quinta feira de manhã, “O número de indecisos e de abstencionistas ronda entre os 43 e os 45% e com estes números, se forem verdadeiros, as contas estão todas em aberto e as derradeiras sondagens devem ser particularmente cautelosas na distribuição pelas forças concorrentes dessa enorme e poderosa fatia do eleitorado”. E num tom de voz mais baixo, quase ciciado: “O PSD tem dito muitas vezes ao longo desta campanha que as sondagens dos últimos dias têm sido frequentemente desmentidas nas urnas”, embora reconhecesse que, no que diz respeito ás legislativas, “a fiabilidade tem sido razoável”.
Nos últimos dias, a liderança do PSD conseguiu juntar à sua volta personalidades conhecidas. Pinto Balsemão, militante nº 1 foi muito claro, não utilizou subterfúgios ou meias tintas. “Vou votar no PSD, a hora é de unidade”. Mais sinuoso foi um dos carrascos internos dos social democratas em relação a Santana Lopes: Compreende os que não querem votar no PSD e no seu candidato a primeiro ministro, mas ele, Pacheco Pereira, assumiu, como se pode ler no Público de ontem, “um argumento ingénuo nestes tempos de cinismo: Voto no PSD para ter apenas uma legitimidade, a de poder contribuir para a sua mudança depois do dia 20 de Fevereiro”.
É uma atitude “que não chega a ser presente envenenado” – comentou uma fonte próxima de Santana Lopes – oxalá toda a gente fizesse o mesmo, aliás como pediu o líder, porque se houvesse uma absoluta fidelização dos votos de 2002, o PSD seria o partido mais votado”…

Alguns casos particulares

Muitos observadores notaram as ausências de José Luís Arnaut e de Nuno Morais Sarmento atribuindo-lhes um resguardo político durante a campanha que “efectivamente não tiveram”, como nos disseram fontes próximas de ambos. E explicaram: “O Dr Josér Luís Arnaut viveu praticamente as últimas semanas
no distrito de Viseu, uma herança que recebeu de Durão Barroso e que tem tratado com todo o desvelo, esperando obter, como aconteceu há três anos, os melhores resultados possíveis para o PSD. Calcorreou, com vagar todo o distrito, concelho a concelho e a quase totalidade das freguesias, numa campanha porta a porta. Foi recebendo apoios, ao longo de algumas fases da campanha de dirigentes como Dias Loureiro, António Mexia e Nuno Morais Sarmento. Que culpa tem disso não ter tido visibilidade, salvo quando Santana Lopes foi ao comício de Viseu?..”
Alguma expectativa existe no PSD em relação ao distrito do Porto Aguiar Branco fez uma campanha mobilizadora e “foi até surpreendente a aceitação na campanha de Rui Rio”, que teve “um bom teste no sentido de ponderar uma cada vez mais provável recandidatura à Câmara”. O actual ministro da Justiça é um homem do Porto, foi até elogiado por um adversário político, “não é impossível aguentar o eleitorado de há 3 anos no distrito do Porto”, opinião de uma fonte próxima da distrital laranja.
Outro foco de atenção diz respeito a Castelo Branco, onde o cabeça de lista e vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento deu nas vistas na abertura da campanha, por ter sido nessa cidade o comício inaugural. Depois nunca mais ninguém ouviu falar dele, mas a verdade “é que residiu praticamente o tempo todo no distrito nas últimas semanas e foi um crítico implacável, persistente e eficaz do cabeça de lista socialista – um ausente presente, chamado José Sócrates”. Sarmento não teve um minuto de descanso, subiu e desceu serras, foi aos concelhos e às freguesias, participou em debates e andou nas ruas. “Não pode ser acusado de falta de combatividade política e até encontro espaço para ajudar a campanha fora do seu círculo eleitoral”.
Nos círculos mais pequenos, a “guerra dos votos” é mais acentuada. “Duarte Lima que feito vai ter o seu regresso à vida política, como cabeça de lista em Bragança?. Ganhou uma aposta. Recolheu o apoio de Miguel Cadilhe que é um dos homens que estará em foco a partir de segunda feira no caso de uma copiosa derrota eleitoral do PSD”
As últimas sondagens variam entre a ausência de maioria absoluta e a sua obtenção pelo PS. Há controvérsia em todas elas na distribuição e ponderação dos indecisos e dos abstencionistas. Os últimos trunfos eleitorais estão agora a ser jogados. Não é possível avaliar se os dados lançados estão todos na conformidade daquilo que se diz ser a vontade dos eleitores. Surpresas? Veremos. Talvez sim ou talvez não. O que faltará, provavelmente é o indispensável sentido da estabilidade, mas não é esse provavelmente a mola real dos eleitores, mas antes decidirem-se por escolhas do tipo quem será o mal menor…

“Estou seguro que Freitas se vai enganar de novo”

Paulo Portas, líder do CDS/PP, manifesta-se convicto, em entrevista ao SEMANÁRIO, de que Freitas do Amaral, ao pedir, agora, a maioria absoluta para o PS, se vai enganar de novo, recordando, com efeito, que há três anos também se enganou, ao pedir, desta vez, a maioria absoluta para o PSD.

Paulo Portas, líder do CDS/PP, manifesta-se convicto, em entrevista ao SEMANÁRIO, de que Freitas do Amaral, ao pedir, agora, a maioria absoluta para o PS, se vai enganar de novo, recordando, com efeito, que há três anos também se enganou, ao pedir, desta vez, a maioria absoluta para o PSD. Ironizando a este respeito, Paulo Portas salienta que os portugueses já perceberam “que não é possível saber qual será a próxima mudança de opinião do prof. Freitas do Amaral”.

Qual o grande objectivo eleitoral do CDS/PP? Será que continua a ser os tão desejados dois dígitos? Recordo-lhe que as últimas sondagens são pouco animadoras…
São os dois dígitos, sem dúvida alguma. O CDS está habituado a sondagens pouco animadoras, como lhe chama, porque somos sempre subestimados. Em 2002, atribuíam-nos entre 4 e 6 por cento das intenções de voto a uma semana das eleições. Os portugueses, na hora da decisão, deram-nos 8,7 por cento. Agora, as sondagens atribuem-nos substancialmente mais, para além de se verificar uma clara tendência de crescimento, o que já é uma mudança significativa. Mas o CDS não faz como outros, que exigem votos aos eleitores. O CDS está a procurar fazer uma campanha pela positiva, onde apresenta a obra feita, a sua marca no Governo, onde demonstrou ser um partido estável, leal e, permita-me dizê-lo, competente. Um partido útil que defende valores essenciais para Portugal. Valores como o Direito à Vida ou a redução dos impostos sobre a classe média, que podem ser postos em causa pelas forças de esquerda, nomeadamente pelos comunistas e pela extrema-esquerda radical. Votar CDS é evitar um governo condicionado por esses partidos e é por isso que eu peço aos eleitores que dêem mais força ao CDS. Com mais força podemos fazer mais pelos portugueses.

As suas convicções num bom resultado eleitoral para os democratas-cristãos talvez se expliquem pela circunstância de haver muita gente de direita que está descontente com o PSD, mas que, por ser de direita, não quer votar PS e votaria CDS/PP…
Há um equívoco na política portuguesa que é preciso contrariar, a bem da democracia. Que eu saiba, nenhum partido é dono dos eleitores, nenhum partido foi a um notário registar a propriedade de um voto. Na minha opinião, não existem eleitores de partidos, existem eleitores livres que decidem em quem votam. Mas respondendo à sua pergunta, no caso que refere, são sempre votos que não se perdem, que ficam em casa, na área do centro-direita. E isso é muito útil a Portugal. Tendo o CDS 10 por cento dos votos, como é nossa forte convicção, será sempre o PS e a extrema-esquerda quem mais perdem. Seja em Setúbal ou em Braga, no Porto ou em Lisboa, em Viana de Castelo ou no total nacional. Um deputado do CDS é um deputado a menos do PS.

Fez cair o Carmo e a Trindade com as suas afirmações de que o CDS/PP estaria disponível para entendimentos pós-eleitorais com o PS. Esqueceu-se que tem um acordo com o PSD?Não, não me parece que tenha caído o Carmo e Trindade. Nem sequer o Largo do Rato. Como me parece ser evidente para todos, o CDS foi e é um partido radicalmente leal. Em momento algum falei sobre entendimentos pós-eleitorais com o PS. O que eu disse é que há matérias em que existe há 28 anos um claro consenso nacional entre os partidos do arco da governabilidade – CDS, PSD e PS – que em nenhuma circunstância deve ser posto em causa. Como sejam a nossa presença na Aliança Atlântica ou na União Europeia. São consensos hoje felizmente generalizados na sociedade portuguesa. Felizmente, repito, já não estamos no PREC e esses consensos não podem ser condicionados por comunistas ou pela extrema-esquerda radical. O CDS é um partido responsável, um partido de Governo, um partido que não é bota-abaixo. Agora, o que é verdade é que o próximo Governo de Portugal não pode ser condicionado pela extrema-esquerda radical e pelos comunistas, que iriam pôr em causa esses consensos. Iriam arranjar novos problemas aos portugueses, quando os portugueses só procuram soluções.

Não respondeu à carta de Morais Sarmento, apenas para não criar polémicas com o PSD ou porque considerou-a despropositada?Não respondo a cartas que não me são dirigidas.

Não quis polemizar com o PSD, mas noto-lhe que o cabeça de lista por Braga deste partido, Luís Filipe Menezes, chegou mesmo a afirmar que um voto no CDS/PP era um voto em Sócrates…Não comento afirmações que não fazem qualquer sentido. Desculpe, mas o CDS está concentrado em fazer uma campanha positiva e jamais entrará em polémicas ou picardias políticas.

O acordo pós-eleitoral que o CDS/PP celebrou com o PSD é válido apenas com a liderança de Santana Lopes, ou, caso contrário, foi firmado entre os dois partidos, como instituições, e independentemente de qual seja a liderança dos social-democratas?Não comento cenários virtuais, como compreenderá. Não entro nisso. Sou presidente do CDS e o meu partido, como já provou, cumpre leal e escrupulosamente os acordos que assina.

Freitas do Amaral afirma, publicamente, que vota PS e pede a maioria absoluta para este partido. Com alguma ironia, o dr. Paulo Portas disse que ainda havia de ver Freitas do Amaral pedir a maioria absoluta para o Bloco de Esquerda. Acha que poderá ser mesmo assim?Tudo é possível, como eu disse. O Prof. Freitas do Amaral enganou-se nas últimas eleições, há apenas três anos, quando pediu a maioria absoluta para o PSD. Estou seguro que vai enganar-se agora de novo. Já o vimos em manifestações ao lado do Bloco de Esquerda e, por isso, o cenário que referi não é de todo despropositado.

Ao mesmo tempo que pede a maioria absoluta para o PS, Freitas do Amaral disponibiliza-se para uma candidatura presidencial, provavelmente com o apoio dos socialistas. Julga que Freitas do Amaral poderá derrotar Cavaco Silva ou qualquer outro candidato do PSD e do CDS/PP?Como lhe digo, os portugueses já perceberam que não é possível saber qual será a próxima mudança de opinião do Prof. Freitas do Amaral. Mas há um tempo para tudo e o tempo de hoje não é de presidenciais, mas de legislativas.

O programa de Governo do CDS/PP foi apresentado no passado domingo. Os democratas-cristãos defendem, nomeadamente, um choque de valores. Mas que valores?
Desde logo e em primeiro lugar, o Direito à Vida. Quem é pelo Direito à Vida, como princípio básico de civilização, sabe que o CDS dá uma garantia que mais ninguém pode dar: estamos unidos contra a liberalização do aborto e a favor da criação de condições para que as mulheres não tenham de recorrer ao aborto. Com humanidade e com a compreensão dos casos concretos, é evidente. A sociedade portuguesa precisa de valorizar referências e há, neste momento, uma espécie de relativismo ético que não abona ao estado do País. Mas o choque de valores proposto no programa do CDS vai mais longe: cada meta apresentada no programa de Governo corresponde a um valor acrescentado. Quando defendemos a redução dos impostos para os mais pobres, defendemos o valor da solidariedade. Quando defendemos políticas sociais e fiscais de apoio à natalidade e à maternidade, defendemos o valor da família. Quando defendemos a revisão da Constituição para introduzir mais modificações na legislação laboral, defendemos o valor do trabalho.

A revisão da parte económica da Constituição é uma velha aspiração do CDS/PP. Julga que a crise que atravessamos é, em parte, explicada pela actual Constituição?A revisão da parte económica é útil e necessária porque a Constituição não pode ser um programa político que impeça os partidos eleitos de cumprir os seus próprios programas eleitorais. Não pode impedir reformas que são essenciais para o crescimento económico e para o desenvolvimento sustentável, para tornar competitiva a nossa economia, para dar mais força às empresas, para criar mais emprego para todos.

“A nós não nos vão ver entrar em ataques
pessoais ou na baixa política”

O CDS/PP foi o único partido a apresentar a sua equipa governativa. Por que razões o fez?
Apresentar aos portugueses uma equipa de Governo é um acto de transparência democrática. Só desta forma os portugueses podem julgar, antes do voto, se os membros dessa equipa têm mérito profissional, experiência nos assuntos de Estado, se há coerência na equipa, se há consistência suficiente para quatro anos. Ao apresentar uma equipa de Governo, o CDS pôs as cartas na mesa. Os portugueses devem gostar de saber que o CDS apresenta como seu ministro da Economia um dos melhores gestores da nova geração em Portugal, como é o Dr. Pires de Lima. Ou que o ministro da Justiça que o CDS apresenta é um dos mais conceituados jurisconsultos portugueses, que foi presidente do Tribunal das Comunidades Europeias, como é o Dr. Cruz Vilaça. Os eleitores que votarem no CDS sabem quem é a futura ministra da Saúde, a Drª Maria José Nogueira Pinto. Não votam no escuro, sabem com o que contam. O que não se verifica no caso do PS que até pede uma maioria absoluta. Mas maioria absoluta para quem? Quem é que vai ser o futuro ministro das Finanças do PS? Quem é que vai ser o ministro da Economia? E da Saúde? Ninguém sabe.

Disse, há tempos, que o CDS/PP iria fazer uma campanha séria, pela positiva. Mas, o que se passa à sua volta, é precisamente o contrário: ataques pessoais, insultos vergonhosos, numa palavra, baixa política. Não lhe parece que as coisas estão a levar um rumo feio?
Como lhe disse, o CDS tem o sério propósito e vai contribuir para a elevação do debate político em Portugal. Não nos desviaremos um milímetro desse nosso caminho. A nós não nos vão ver entrar em ataques pessoais ou do que justamente chama de baixa política. Queremos contribuir para uma melhor imagem da Política e dos políticos.

Acha que este tipo de campanha, a que me refiro, poderá propiciar uma elevada abstenção no dia 20 de Fevereiro?
Penso que os eleitores não perdoarão e castigarão no próximo dia 20 de Fevereiro todos aqueles que entrarem nesse tipo de campanha. Espero, sinceramente, que os portugueses que pensam abster-se possam ter acesso à nossa campanha e ganhar a consciência do que estamos a procurar transmitir: uma campanha sem ataques pessoais, com apresentação de proposta viáveis e de uma equipa de Governo. Digo “possam”, porque espero sinceramente que os meios de comunicação social comecem a dar cobertura igual a todos os partidos e antena a todas as propostas eleitorais. Para que os portugueses não sejam discriminados entre os que têm TV Cabo e, por isso, podem assistir a debates e a programas interessantes, e os outros, os que só têm direito a uma programação que muitas vezes nivela por baixo e restringe o livre acesso ao debate de ideias.

Se das próximas eleições não resultar para o País um Governo estável, crê que a decisão do Presidente da República de dissolver o Parlamento cai pela base?
Naturalmente. A dissolução da Assembleia da República foi um acto falhado, tendo em conta que existia no Parlamento uma clara maioria parlamentar sufragada pelos portugueses. Mas, repito, o CDS não é um partido do bota-abaixo, é um partido de Governo que acredita na estabilidade e que tudo fará para que a estabilidade seja possível em Portugal. As legislaturas são para se cumprir.

Julga que, apesar da desilusão que há entre os portugueses, que os três anos de Governo do CDS/PP com o PSD foram uma boa experiência?Julgo que tiveram muitos aspectos positivos, nomeadamente no que diz respeito a reformas essenciais. Mas compreendo e aceito a desilusão dos portugueses. A legislatura não se cumpriu, Portugal e o Mundo viveram nestes últimos três anos uma grave crise económica. Mas, ninguém se pode esquecer: o Governo em que o CDS participou, dando o melhor de si mesmo, cumprindo os compromissos que assumiu perante os portugueses, herdou uma situação de descalabro orçamental e uma crise económica e financeira deixada pelo Partido Socialista. Uma situação que, pela primeira vez na história da integração europeia, levou Portugal a ser punido pela Comissão Europeia. Dadas as circunstâncias, compreendo a desilusão, mas não deixarei de procurar lembrar também a marca muito positiva do CDS ao longo dos últimos três anos e as nossas propostas para os próximos quatro.

CDS/PP não exclui entendimentos pontuais com PS

Um acordo pós-eleitoral entre o CDS/PP e o PS está fora de questão, apurou o SEMANÁRIO. A única possibilidade de vir a existir um entendimento pós-eleitoral entre os dois partidos será pontualmente, nas áreas de defesa e política externa, nomeadamente em questões relacionadas com a NATO e só se se justificar para o País.

A polémica em torno do eventual entendimento pós-eleitoral com o PS em áreas como a defesa e a política externa continua a preocupar PSD, embora Santana Lopes e Morais Sarmento já tenham desvalorizaram a questão. Na apresentação da candidatura de António Pires de Lima, no Porto, Paulo Portas também não quis alimentar mais polémicas sobre o assunto. Portas recusou-se a fazer qualquer comentário sobre a carta enviada por Morais Sarmento ao vice-presidente do seu partido, António Pires de Lima, por causa de declarações públicas que atentariam contra o acordo pré-eleitoral estabelecido com os sociais-democratas. “O CDS não entra em polémicas, o eleitorado não nos perdoaria”, reagiu Portas ao ser confrontado pelos jornalistas sobre a polémica. No entanto, fontes próximas do CDS/PP revelaram ao SEMANÁRIO que o CDS/PP, não pretende qualquer tipo de acordo pós-eleitoral com o PS em áreas como a defesa e a política externa, disponibilizando-se apenas para apoiar, casos pontuais destas políticas, em pontos de vista comuns entre os dois partidos, nomeadamente em questões relacionadas com a NATO. Esta mesma fonte adiantou ainda que não há qualquer intenção em apoiar o programa do PS nestas matérias, a não ser em circunstâncias onde ambos os pontos de vista partidários, sejam benéficos para o País, revelou. Na sua apresentação, António Pires de Lima também, pós alguma agua na fervura ao revelar que se houver qualquer questão a clarificar entre os dois partidos, isso será feito de “forma privada”, num remoque ao facto de o conteúdo da carta ter saído no “Diário de Notícias” antes de lhe ter chegado às mãos. “Qualquer questão que deva ser esclarecida, clarificada, entre os dois partidos deve ser feita de forma privada. Oportunamente, se for caso disso, darei explicações, conversarei com ele [Morais Sarmento] sobre as questões que me põe na carta, afirmou. Também questionado sobre a carta, Santana Lopes reafirmou a sua confiança no acordo estabelecido com os populares e considerou que as declarações de Paulo Portas e Pires de Lima “são fruto da tensão da pré-campanha”.

CDS confiante em derrotar o PS no Porto

O líder do CDS/PP, Paulo Portas anunciou na cerimónia de apresentação que “vamos abrir a campanha no Porto, é uma homenagem ao Porto e é um grande desafio à capacidade de mobilização do partido no distrito”, alertou, desafiando os militantes e simpatizantes a “encherem o Palácio de Cristal”. Já Pires de Lima, o número um da lista pelo distrito, não moderou ambições. “É absolutamente fundamental que o CDS cresça no Porto e retire deputados ao PS”, defendeu, chegando mesmo a dizer que não há limites na próxima batalha eleitoral. “Temos hoje três deputados no distrito do Porto, quatro, considero que é o mínimo que me proponho, um quinto não seria mau. Mas, estando consciente do peso histórico do partido, não estabeleço limites ao crescimento do CDS no distrito, nem a nível nacional. Iremos tão longe quanto os portuenses e os portugueses entenderem ser útil”, disse Pires de Lima, que enunciou depois alguns dos compromissos eleitorais. Fazer da cidade do Porto “a verdadeira capital empresarial e logística do noroeste peninsular” é uma das principais apostas do candidato.