2026/07/06

Cavaco antecipa nota máxima a Sócrates

Já não é preciso esperar pela mensagem de fim de Ano do Presidente da República para saber que Cavaco vai dar nota máxima a José Sócrates nas matérias em que tinha pedido resultados em 1 de Janeiro de 2007, desenvolvimento económico, educação e justiça. Ontem, no decurso da viagem ao Chile, onde participou na cimeira ibero-americana, Cavaco elogiou as “reformas profundas” que estão a ser feitas pelo governo em áreas como a administração pública, justiça, educação, segurança social, salientando, ainda, que a estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente. Na semana em que Santana Lopes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua prova de fogo com o debate do Orçamento de Estado, os elogios de Cavaco ao governo representam um duro golpe para a actual direcção do PSD.

Já não é preciso esperar pela mensagem de fim de Ano do Presidente da República para saber que Cavaco vai dar nota positiva a José Sócrates nas matérias em que tinha pedido resultados em 1 de Janeiro de 2007, desenvolvimento económico, educação e justiça. Na viagem ao Chile, onde participou na cimeira ibero-americana, Cavaco elogiou as “reformas profundas” que estão a ser feitas pelo governo, salentando, ainda, que a estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente.
Na semana em que Santana Lopes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua prova de fogo com o debate do Orçamento de Estado, as declarações de Cavaco representam um duro golpe. Ainda para mais, a estreia de Santana no Parlamento não foi muito feliz e a forma como o PS atacou o ex-primeiro-ministro laranja deixou um sabor amargo na actual direcção. Luís Filipe Menezes falou mesmo em falta de respeito para com Santana. Recorde-se que o gáudio de ministros e deputados do PS, que lembraram quase sempre o passado do governo de Santana, atingiu a sua expressão máxima quando o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse que Santana tinha ido “berrar” ao hemiciclo e que depois “desandou”. Ontem, no próprio dia das declarações de Cavaco, o governo alcançou a vitória de ver o OE para 2008 aprovado, sem, sequer, os votos desfavoráveis ou a abstenção dos deputados da Madeira. Sócrates estava, aliás, visivelmente, satisfeito e na parte da tarde deve ter aumentado a satisfação com as palavras do Presidente da República.
As declarações de Cavaco foram proferidas no último dia da sua viagem, perante empresários portugueses e chilenos. O Presidente da República disse que “as autoridades portuguesas estão a avançar com reformas profundas na administração pública, na justiça, na segurança social e em muitos outros domínios”. Cavaco Silva salientou os investimentos “muito, muito fortes” em domínios como a educação e formação profissional, sublinhando que são “uma condição de sucesso para vencer os desafios da globalização”. O Presidente fez ainda questão de frisar a mudança na estrutura da economia portuguesa, que já não passa só pelos têxteis, vestuário e calçado, a imagem de marca antiga que se tinha de Portugal. “A estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente. Os têxteis, o calçado, já não são os principais produtos da exportação portuguesa.”. Cavaco Silva deu como exemplo dos novos modos de produção portugueses a montagem de autómoveis na fábrica Volkswagen de Palmela, “uma das mais modernas da Europa”.
Curiosamente, na mensagem presidencial de Ano Novo de 1 de Janeiro de 2007, que tanta polémica gerou, já que Cavaco exigiu resultados ao governo, encontram-se mencionadas as áreas que foram hoje alvo de elogios.
Na altura, o Presidente da República disse o seguinte: ” é muito importante que em 2007 se registem progressos claros em, pelo menos, três grandes domínios da nossa vida colectiva: desenvolvimento económico, educação e justiça.”
No que respeita à primeira área, Cavaco referiu, designadamente, que o Estado deve ser um potenciador do desenvolvimento económico e que “cabe aos empresários serem verdadeiros agentes da mudança, aumentando a produtividade, investindo mais e, sobretudo, investindo melhor, com uma aposta decisiva na inovação e na qualidade.”. Parece não haver dúvidas, com os elogios feitos às alterações estruturais na economia portuguesa que esta condição de há quase um ano esta preenchida.
No que respeita à segunda área, Cavaco referiu em Janeiro deste ano: “é importante que 2007 fique marcado por melhorias visíveis no funcionamento do nosso sistema de ensino”, adiantando que esta é uma tarefa que a todos deve mobilizar: professores, pais e alunos, cada um com a sua responsabilidade, mobilizados num quadro que cabe ao poder central e às autarquias orientar e apoiar.”. O presidente da República disse ainda: “o tempo urge. A qualidade no ensino, o estímulo à excelência e o combate sem tréguas ao insucesso e abandono escolar têm que ter sinais positivos já em 2007.” Também parece não haver dúvidas de que Cavaco vai dar uma nota positiva a Sócrates, muito alta até, face às declarações no Chile de que as reformas no ensino têm sido “muito, muito fortes”.
Por último, no que se refere à terceira área da mensagem de Ano, Cavaco referiu que “2007 é o ano em que devem ser concretizados passos decisivos para a melhoria do funcionamento do sistema de justiça”, esperando-se “dos protagonistas deste sector um contributo activo para a eficiência” do sector.. Também aqui não há dúvidas que o Presidente do Governo elogiou no Chile o governo nesta área, referindo-se expressamente ao sector.
O facto de Cavaco ter feito elogios às reformas na administração pública e na segurança social representa, igualmente, um duro golpe para os partidos à esquerda do PS, em particular o PCP, e para os sindicatos, que marcaram ontem uma greve geral para 30 de Novembro e que têm contestado no Parlamento e nas ruas, as políticas de Sócrates em relação à Função Publica, contestando a perda de direitos e regalias, e em relação à idade da reforma e às pensões, com aumento do limite para 65 anos e condições monetárias menores.

“O PSD deixou de existir no distrito de Lisboa”

Helena Lopes da Costa assume-se como muito crítica da anterior direcção da Distrital de Lisboa. Em entrevista ao SEMANÁRIO, a deputada depositou a responsabilidade pela “hecatombe” na autarquia em Paula Teixeira da Cruz, acusando-a de se “imiscuir, sistematicamente, na gestão da Câmara”. Na opinião da candidata, “o PSD deixou de existir
no distrito de Lisboa”.

O que a move, pessoal e politicamente, para se candidatar à Distrital de Lisboa do PSD?
Eu candidato-me à Distrital de Lisboa em nome de uma urgência e de um compromisso. Compromisso que é voltar a fazer do PSD um partido ganhador no distrito de Lisboa. Como sabe, parto para este combate numa situação muito difícil porque agora, em Lisboa, o PSD tem apenas três câmaras municipais: Mafra, Sintra e Cascais. Se me perguntar qual o contributo que o PSD deu para estas vitórias, tenho de lhe dizer, infelizmente, que foi um contributo muito pequeno. Estas vitórias devem-se, essencialmente, aos protagonistas. O meu objectivo é, exactamente, voltar a um PSD de vitórias, voltar a conquistar o distrito de Lisboa e voltar a conquistar a Câmara Municipal de Lisboa, que eu entendo que foi entregue ao Partido Socialista.

Pondera encabeçar a lista do PSD à capital nas eleições autárquicas de 2009?
Não. Neste momento não pondero. Nem falo agora em candidaturas à CML porque o presidente do partido disse, no último congresso, que o PSD iria ter um candidato nos primeiros seis meses de 2008. Como é evidente, quando for eleita presidente da Distrital de Lisboa, acordarei com a direcção do partido quem será o melhor candidato.

Mas manifesta disponibilidade para ser candidata?
Não. Neste momento não tenho uma grande apetência para ser candidata à CML. Estou disponível para ajudar um candidato, estou disponível para trabalhar muito para que, por exemplo, se ganhe a Câmara de Odivelas e para que se obtenham bons resultados em outras câmara municipais, que algumas não são fáceis de ganharmos de imediato. Penso que neste momento temos condições para trabalhar no sentido de conquistar, daqui a dois anos, algumas das câmaras que agora não seria possível fazê-lo. Até porque existem presidentes em exercício do PS que não se podem recandidatar. Portanto, o PSD deixou de existir no distrito de Lisboa. Entregámos a CML, que eu ajudei a ganhar e onde trabalhei durante quatro anos com espírito de missão, ao partido socialista, com um resultado miserável do PSD que esteve na origem da demissão do dr. Marques Mendes e da presidente da Distrital.

Uma das suas principais prioridades é reconquistar a capital. Qual a estratégia para ganhar a António Costa em 2009?
A estratégia é muito simples. A primeira vez que conquistámos a CML ao PS foi contra uma coligação de esquerda; contra o dr. Paulo Portas, que encabeçava a lista do CDS/PP; e contra Bloco de Esquerda de Miguel Portas e Garcia Pereira do MRPP. Foi uma vitória que nos deu muito trabalho, mas os lisboetas queriam mudar. E o PSD fez muita obra nos quatro anos em que eu estive na Câmara com o dr. Pedro Santana Lopes.

Gostaria que esse ciclo voltasse e ver outra vez Pedro Santana Lopes na CML?
Tenho saudades desse ciclo. Tive muita pena que se entregasse a câmara ao PS, que não a queria. O Partido Socialista nem sequer queria eleições. Nós trabalhamos com Pedro Santana Lopes com espírito de missão. Nas áreas sociais, na educação, na reabilitação urbana, nas grandes obras emblemáticas como o Túnel do Marquês, nas questões ambientais… Fizemos tanto trabalho em quatro anos que penso estar perfeitamente ao nosso alcance voltar a ganhar a CML. Aliás, a abstenção foi brutal. Tivemos, neste último acto eleitoral, uma abstenção que ficou nos 60%. Só 40% dos lisboetas é que entenderam que deveriam participar neste acto eleitoral. Os outros entenderam que poderia ser uma farsa, um misto de Carnaval e tragédia e não perceberam a necessidade de serem novamente chamados às urnas para votarem em algo que tinha votado há ano e meio.

Podemos imputar, directamente, as culpas desta crise a Paula Teixeira da Cruz?
Como é evidente. Esta hecatombe foi da responsabilidade integral da Distrital de Lisboa, que se imiscuía, sistematicamente, na gestão da Câmara.

Falou em algumas das autarquias que pretende reconquistar para o seu partido…
…Oeiras, por exemplo.

Exactamente. Em que termos pretende resolver a questão de Oeiras?
É muito fácil. Tenho muita experiência autárquica e conheço muito bem o partido. O problema em Oeiras não fui eu que o criei, mas tem de ser resolvido. Entendo que, dada a forte ligação que tenho aos militantes da secção de Algés e da secção de Oeiras, sou a pessoa que estou em melhores condições para poder resolver essa situação. Ouço os militantes das duas secções e aquilo que entenderem, em consonância com a distrital de Lisboa, resolverá a questão. E iremos ter, certamente, um candidato único à Câmara Municipal de Oeiras.

Está em cima da mesa o apoio a Isaltino Morais?
Neste momento não vou falar do apoio ou não apoio ao dr, Isaltino. Depois de estar eleita, quero ouvir os militantes de Algés e de Oeiras. Foi dito, pelo actual presidente do partido, que, neste momento, e eu sempre defendi isso, os militantes vão ter de se pronunciar sobre todas estas questões. Os militantes não existem para votar ou andar nos almoços e jantares.

Na sua opinião, Isaltino Morais seria um bom candidato?
Na minha opinião Isaltino Morais seria um bom candidato.

Carlos Carreiras referiu que o PSD não pode ter regras do Burkina Faso, referindo-se à questão do pagamento de quotas e dos cadernos eleitorais. Em sua opinião, estão criadas as condições para no dia 8 de Novembro existirem eleições justas?
Claro. Quando vi que a convocatória para o acto eleitoral estava marcada para um período muito curto, tomei a iniciativa, junto do presidente da Mesa, eng. Ferreira do Amaral, de solicitar que o horário de votação fosse mais alargado. Porque entendo que a democraticidade interna é proporcional à participação dos militantes. Relativamente aos cadernos eleitorais, algumas centenas de militantes em Lisboa foram excluídos, num processo centralista, apesar de terem pago as suas quotas e não puderam votar para as eleições directas do presidente do partido. O compromisso que houve do dr. Luís Filipe Menezes foi que, com ele, iria existir democraticidade interna e os militantes que pagaram as quotas seriam inseridos nos cadernos eleitorais. Tanto quanto sei foi isso que aconteceu. As críticas do dr. Carlos Carreiras não têm, portanto, nenhum fundamento.

José Miguel Júdice é o nome adequado para gerir a frente ribeirinha de Lisboa?
José Miguel Júdice é uma pessoa com capacidade, Independentemente de ter saído do partido. Nestas coisas não sou maniqueísta, não estão de um lado os bons e do outro os maus. José Miguel Júdice é uma pessoa com muita capacidade para poder gerir a zona ribeirinha de Lisboa.

Aparelho do PS quer que Sócrates encontre número dois

Alguns sectores do aparelho socialista estão a pressionar José Sócrates a encontrar rapidamente um número dois de peso, no Governo e no PS, de modo a fortalecer politicamente o executivo e dar uma prova de força do partido, preparando-os para os embates eleitorais de 2009. Uma remodelação ministerial poderá surgir logo depois da presidência europeia.

Alguns sectores do aparelho socialista estão a pressionar José Sócrates a encontrar rapidamente um número dois de peso, no Governo e no PS, de modo a fortalecer politicamente o executivo e dar uma prova de força do partido, preparando-os para os embates eleitorais de 2009. Uma remodelação ministerial poderá surgir logo depois da presidência europeia.
É verdade que Sócrates tem chegado para as encomendas, sozinho, indo a todas, no governo, no país, na Europa, mesmo no partido, ainda que seja este o mais penalizado com a absorção do primeiro-ministro. Sócrates tem sido um autêntico one man show, aguentando o barco interno com boas projecções de voto e ganhando galões na Europa com o acordo alcançado no Tratado da União Europeia na quinta-feira passada. Porém, a convicção dos sectores do aparelho socialista, é que há que não abusar do esforço (e do desgaste) de Sócrates, encontrando rapidamente pesos pesados que estejam dispostos a entrar no Governo e a oferecer empenhamento ao partido.
No PS, desde que Jorge Coelho abandanou a presidência da Comissão Permanente que o partido nunca mais teve o mesmo fulgor. Como é sabido, Sócrates extinguiu simplesmente o órgão e quis que o Secretariado assumisse funções mais activas (numa posição muito criticada na altura por homens como Vieira da Silva). Só que o órgão executivo do PS não tem sabido cumprir o seu papel, com a maioria dos membros dedicados a tarefas muito absorventes, sobretudo de carácter executivo, principalmente no Governo. A machadada final foi a ida de Marcos Perestrello, um verdadeiro operacional que começou a tratar da organização do partido, para a vereação da Câmara de Lisboa, levado por António Costa. A necessidade de Sócrates dinamizar o partido ou voltar à velha fórmula da Comissão Permanente (ainda que com outra designação) parece, assim, premente. As vozes dentro do PS que denunciam a paralisia do partido têm aumentado. O presidente da Federação do PS de Setúbal, Vítor Ramalho, há muito que denuncia a letargia no interior do partido. Recentemente, na sua página pessoal, António José Seguro também colocou o dedo na ferida, referindo que “existe uma absoluta urgência na alteração da organização e do funcionamento dos partidos políticos.” O deputado socialista acrescenta que “os partidos políticos têm de abrir-se ao exterior e saber atrair para o seu seio o fundamental do debate político. Movimentos como os Estados Gerais ou as Novas Fronteiras são importantes, mas o nosso esforço tem que ir mais além e sabermos integrar esse espírito no quotidiano das formações partidárias. A dicotomia independentes/militantes ou os de fora/os de dentro empobrece a vida partidária, porque afasta da participação muitas pessoas de enorme qualidade e competência. O desafio, entre outros, reside na capacidade de refundar a vida partidária e, desse modo, dar razões aos cidadãos (sem obrigação de se inscreverem) para discutirem no interior dos partidos os problemas da actualidade e, daí, haver consequência para a qualidade da governação”. Seguro diz, ainda, que “durante os períodos de responsabilidade governativa, a discussão política no interior dos partidos políticos, deve ser incentivada e dinamizada, como contributo indispensável á boa governação e á renovação das propostas políticas. Caso contrário, os partidos políticos correm o risco de transformarem-se em exércitos eleitorais, dispensáveis durante os períodos da governação”.
Em relação ao governo, o panorama também não é animador para Sócrates. Depois da saída de António Costa, o primeiro-ministro ficou sem um verdadeiro nº 2 no Governo. Pedro Silva Pereira, assoberbado de trabalho, tem tido cada vez menos tempo para o trabalho político e mediático. Nos últimos meses, tem sido notório o facto de Silva Pereira não apagar alguns fogos políticos, como antes fazia. Por sua vez, o recém-empossado Rui Pereira, apesar do evidente mediatismo, não pertence ao PS, o que faz com que não tenha verdadeiro poder e, nessa medida, Sócrates não possa, verdadeiramente, contar com ele.
A entrada de um número dois no Governo com peso político no partido está porém, muito limitada a um lote muito restrito de personalidades. Jorge Coelho, que, sem nenhum cargo que desempenhe, tem feito a cobertura política nos piores momentos de Sócrates, fruto do seu mediatismo, é sempre uma hipótese de quem se fala no regresso ao governo. O outro nome incontornável como hipótese de homem forte do Governo é António Vitorino que, curiosamente, esteve sempre ao lado de Sócrates nas várias fases de negociação do Tratado de Lisboa. Depois de Sócrates provar, nestes quase três anos de governo, que é um caso sério da política, as circunstâncias que levaram Vitorino a dizer não a nenhum cargo governativo, podem ter-se alterado, sem que pareça existir qualquer risco de o ex-comissário europeu sair desvalorizado por ser um braço-direito de Sócrates. Precisamente face à envergadura adquirida por Sócrates, quer no plano interno, quer no plano externo.

Seguro propõe que Congresso anteceda directas

António José Seguro fez esta semana, na sua página pessoal da Internet, uma reflexão pessoal sobre as eleições internas e os Congressos dos partidos. Tendo como mote as recentes directas no PSD e a polémica que as envolveu, num processo bem distinto do que aconteceu no PS que, como Seguro salienta, foi o primeiro partido a realizar eleições directas em Portugal, o deputado socialista propõe um novo modelo de eleição dos líderes partidários em geral e, em particular, para o PS. Com o Congresso a anteceder as directas, com o objectivo de incentivar a discussão interna e aumentar a vitalidade dos partidos. Escreve António José Seguro: “Como contributo para a reflexão, talvez seja de ponderar a possibilidade de criar um sistema misto que mantenha a eleição directa do líder (assente no principio: um militante, um voto), mas que essa eleição seja precedida de um Congresso onde os candidatos se apresentam, e aí se trave a primeira discussão das respectivas propostas políticas alternativas. Após essa reunião, os candidatos realizam as suas campanhas eleitorais (por um período determinado), após as quais se procede à eleição do líder.
Este processo, ao permitir a discussão política interna e a eleição directa, incorpora, em minha opinião, os aspectos mais positivos dos congressos e das directas. Não será decerto um processo perfeito, nem eliminará todos os inconvenientes, mas promove um ajustamento mais equilibrado nas diferentes componentes que integram, ou deveriam integrar, qualquer processo de escolha democrática. Este processo, que designamos de sistema misto, deve garantir a discussão política das propostas alternativas em todas as estruturas locais e regionais dos partidos políticos, com a presença dos candidatos (por exemplo, nas regionais) ou dos seus representantes (por exemplo, nas locais). Ou seja, a discussão política não pode ser um exclusivo das estações de televisão. É muito importante a realização de debates televisivos para que os eleitores acompanhem a vida partidária, mas será um erro limitar a discussão política aos debates entre os candidatos. A discussão política para a eleição de um líder partidário tem que envolver a participação activa dos militantes com os próprios candidatos. Essa é a riqueza da vida partidária democrática que não pode ser alienada. A discussão política é a essência dos partidos políticos, caso contrário serão facilmente dispensáveis. Outro aspecto a ter presente é a necessidade de introdução de regras de transparência no financiamento dessas campanhas eleitorais internas que, em 2002, tive oportunidade de propor na Comissão Eventual para a Reforma do Sistema Político da Assembleia da República, assunto sobre o qual em breve apresentarei publicamente a minha reflexão.

César posiciona-se para suceder a Sócrates

Com as críticas duras que fez ao executivo, considerando que o país está a ser governado por um subsistema de ministros sem peso político, Carlos César pode estar a posicionar-se para suceder a Sócrates. Tomando o lugar a António Costa, cada vez mais fragilizado com a gestão da capital.

Com as críticas duras que fez ao executivo, considerando que o país está a ser governado por um subsistema de ministros sem peso político, Carlos César pode estar a posicionar-se para suceder a Sócrates. Tomando o lugar a António Costa, cada vez mais fragilizado com a gestão da capital, envolvendo-se mesmo em desentendimentos com o primeiro-ministro por causa da gestão do porto de cruzeiros.
Curiosamente, César nunca põs em causa, nas suas palavras, o seu apoio a Sócrates mas sim a composição do executivo, cada vez mais depauperada de pesos pesados depois das saídas de Campos e Cunha, Freitas do Amaral e António Costa (sem que tenha havido nenhuma remodelação), o que acaba por ser muito ingrato para um homem da envergadura de José Sócrates. Sócrates já provou que, apesar da sua fama de arrogância, encaixa bem as críticas. Só depende delas serem construtivas e, sobretudo, virem de alguém que lhe merece consideração pessoal e política. Como é o caso de Carlos César, um homem ainda novo, com uma longa carreira política, que tem sabido administrar muito bem o seu posicionamento no interior do partido, sem se comprometer com qualquer família política.
Não espantaria, assim, que Carlos César pudesse, antes de se lançar na corrida à liderança do PS, integrar um futuro executivo PS, depois de 2009, exactamente para contribuir para que o governo tenha mais peso político. O facto de ter regionais em 2008 e de as dever ganhar, não é impeditivo a esta situação. Até porque 2008 deve marcar a última eleição regional de César. Quanto a António Costa, dificilmente António deverá voltar a um executivo de Sócrates. Se ganhar Lisboa em 2009, gere a capital até 2013. Se perder, pode comprometer a sua carreira política.
Carlos César nasceu a 30 de Outubro de 1956, em Ponta Delgada. Em 1973, com apenas 17 anos de idade, integrou a Comissão Dinamizadora da C.D.E. em Ponta Delgada. A 26 de Abril de 1974, um dia depois da “Revolução dos Cravos”, fundou a Associação de Estudantes do Liceu Antero de Quental, e, um mês mais tarde, a Juventude Socialista nos Açores. Foi membro do primeiro Secretariado eleito da Secção de Ponta Delgada do Partido Socialista e da delegação dos Açores ao I Congresso Nacional do P.S. na legalidade e ao I Congresso Nacional da Juventude Socialista. Em 1977 ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa, tendo sido eleito para a Direcção da Associação de Estudantes e para os órgãos de gestão daquela instituição universitária. Até 1980 foi, também, coordenador nacional da J. S. para o ensino superior.
Foi Adjunto do Secretário de Estado da Administração Pública do II Governo Constitucional. De regresso aos Açores ingressa, como deputado, na Assembleia Regional em Janeiro de 1981. Integrou, pouco tempo depois, a Direcção do Grupo Parlamentar do P.S. e várias comissões parlamentares, presidindo à Comissão dos Assuntos Económicos. Mais tarde foi eleito Vice-Presidente da Assembleia Regional, sendo, ainda hoje, o deputado que mais tempo ocupou essas funções.
De 1983 a 1985 foi líder do P.S. nos Açores. Entre Dezembro de 1988 e Dezembro de 1989 é deputado na Assembleia da República, para que fora eleito em Julho de 1987. Faz, então, parte da Direcção do Grupo Parlamentar, a convite de António Guterres, e das comissões de Defesa Nacional, da Juventude e dos Direitos, Liberdades e Garantias.
A 30 de Outubro de 1994 é eleito Presidente do P.S./Açores, com 92% dos votos expressos em escrutínio secreto, no Congresso Regional. No ano seguinte acrescenta à sua qualidade de membro da Comissão Nacional e da Comissão Política Nacional do P.S. a sua eleição para o Secretariado Nacional, de que continua a fazer parte.
Nas eleições regionais de 13 de Outubro de 1996, como candidato dos socialistas açoreanos à Presidência do Governo Regional, anula uma diferença de mais de 20% que separava o P.S. do P.S.D., vencendo com 46% dos votos expressos.
A 9 de Novembro de 1996 tomou posse como Presidente do VII Governo Regional dos Açores.
É membro do Conselho de Estado, do Conselho Superior de Defesa Nacional, do Conselho Superior de Segurança Interna e do Conselho Superior de Protecção Civil.

As elites de Menezes

Com a vitória nas eleições directas de Luís Filipe Menezes, chegam ao PSD novas figuras de topo. O SEMANÁRIO falou com Ângelo Correia, Rui Gomes da Silva e Ribau Esteves no sentido de perceber como serão os primeiros meses da liderança do novo Presidente do partido. O relacionamento com Belém, o futuro da liderança parlamentar e a reunificação interna estarão, seguramente, na agenda de Menezes.

As eleições directas no PSD ditaram o fim de um ciclo e o principiar de outro no seio do partido. Com o actual líder, Luís Filipe Menezes, chegam aos cargos de topo dos social-democratas novas figuras. Ângelo Correia, José Ribau Esteves, Martins da Cruz, Rui Gomes da Silva e Nuno Delarue terão, certamente, lugar no círculo privilegiado e restrito de “homens fortes” do líder agora eleito. Para ambos, o objectivo fundamental é vencer o PS em 2009 e será essa, com toda a convicção, a meta por todos traçada. Porém, até lá, existe um longo e sinuoso caminho a percorrer.
Ângelo Correia, mandatário nacional do candidato Menezes, declarou ao SEMANÁRIO não existir uma segmentação social entre as duas candidaturas que foram a votos. Na opinião do histórico do PSD, “havia dois contendores e haviam grupos de pessoas de diferentes matizes que os apoiaram. Não se pode falar em barões de um lado e povo do outro. A expressão numérica que assumiu o resultado duma candidatura e de outra não permite tirar essa elação”, rematou.
De modo a aproximar os militantes social-democratas, divididos por um dos confrontos mais crispados na história do partido, Ângelo Correia sugere o “trabalho”. Segundo o antigo ministro da Administração Interna, “o dr. Luís Filipe Menezes, para unir o PSD, deve pôr todo o partido a trabalhar. Para esquecer as clivagens emocionais e adquirir clivagens sobre um programa de acção. No trabalho podem acontecer clivagens, mas eu essas desejo-as. Desejo-as e são de salutar porque significam pontos de vista diferenciados sobre as mesmas questões. Isso é de salutar. Divisões meramente temperamentais ou de métodos de associação ao poder não são de salutar”, realçou.
José Ribau Esteves preside actualmente à Câmara Municipal de Ílhavo. O autarca foi o porta-voz da candidatura de Menezes. Sempre junto ao actual líder, Ribau mostrou uma enorme capacidade de trabalho e de lealdade. Seguramente, verá o seu esforço recompensado com um cargo executivo no partido, segundo algumas vozes, o de secretário-geral.
Em declarações ao SEMANÁRIO, José Ribau Esteves salientou o significado político da vitória de Luís Filipe Menezes. “A vitória significa a materialização de uma vontade de mudança que o partido vinha sentindo ao longo deste tempo”. O autarca acrescentou que durante a campanha interna assistiu-se a um “crescendo na adesão à candidatura e a uma grande vontade de mudança na militância. Esta vitória diz bem desse sentimento”, finalizou.
Na opinião de Ribau Esteves, o PSD vai, a partir de agora, entrar numa nova vida. “O Partido vai enveredar por um caminho seguramente diferente, na sua substância e forma, daquele que vinha percorrendo. Significa isto”, continuou, “que a vitória de Luís Filipe Menezes materializa um novo caminho no partido, que acreditamos seja de crescimento, de vitória, de capacidade de luta, de fortalecimento interno… Para que o PSD se afirme como um verdadeiro líder de oposição e que se vá construindo, cada vez mais, como uma alternativa credível e capaz aos olhos dos portugueses”.
O porta-voz do candidato Menezes nas eleições internas frisou a importância de se trabalhar no sentido da unificação do partido, independentemente do voto ou do apoio publicamente manifestado a um ou outro candidato. “Neste momento a postura é de convidar toda a gente ao trabalho”, realçou Ribau Esteves. Acrescentando que “o apelo à unidade é um apelo permanente, mas no sentido de que toda a gente está permanentemente convidada a ser parte de um trabalho de fortalecimento do PSD”. Segundo o Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Menezes deve trabalhar “com aqueles que entender que são os mais disponíveis, os mais capazes e aqueles que estarão em melhores condições para assumir a responsabilidade dessas tarefas, tendo sempre presente os objectivos claros que estão definidos na moção que apresentou com a sua candidatura”. Ribau Esteves referiu, ainda, estar certo que Luís Filipe Menezes vai, “obviamente, saber respeitar e saber conviver democraticamente com aqueles que tiveram uma atitude diferente dessa”. Mas deixou um aviso: “esta vai ser uma caminhada com uma liderança forte e determinada, subjugada ao seu rumo e aos seus objectivos”.
Rui Gomes da Silva, deputado e antigo ministro dos Assuntos Parlamentares do Governo de Santana Lopes, é um dos nomes falados para ocupar uma das vice-presidências do PSD. Durante a campanha interna, assumiu grande protagonismo nas reuniões do Conselho de Jurisdição Nacional. Membro proeminente da ala santanista e advogado, foi Gomes da Silva que preparou os recursos para a justiça que, afinal, não chegaram a ser necessários.
Ao SEMANÁRIO, Rui Gomes da Silva destacou a importância e o simbolismo da vitória de Menezes sobre Marques Mendes. Para o antigo ministro, “o resultado das eleições directas simboliza a vitória da determinação, a vitória das convicções e a vitória das bases do PSD sobre as pretensas elites iluminadas que julgavam que o partido era uma coutada privada”.
Gomes da Silva manifestou plena convicção numa mudança, num novo rumo para o partido. “O PSD não será mais o mesmo”, expressou o representante de Luís Filipe Menezes no Conselho de Jurisdição. “Com o dr. Menezes, estas pessoas que apareciam ciclicamente a apoiar os líderes em funções não terão mais nenhuma capacidade de intervenção no partido. Essas pessoas somente eram militantes porque tinham sido governantes e, portanto, nunca foram capazes de militar activamente no partido. Ou seja, descer às bases, falar com elas e ser parte dessas mesmas bases. São pessoas que estavam disponíveis para governar, mas indisponíveis para trabalhar. São pessoas que quando o partido está na oposição ficam à espera que volte ao Governo, mas nunca fazem nada para que isso aconteça, antes pelo contrário. Cada vez que falavam, faziam-no contra o sistema partidário, contra o trabalho partidário, contra a militância activa… Portanto, o que aconteceu, desta vez, foi um ponto final nessas pseudo-importâncias que, algumas delas, já se arrastavam há quase 17, 18 anos. Esta mudança era inevitável.”
Relativamente a Manuela Ferreira Leite, o deputado considera que o seu apoio à candidatura de Luís Filipe Menezes seria “rigorosamente indiferente”. Para Gomes da Silva, a vontade dos militantes numa mudança de rumo era muito forte e, portanto, indiferente ao apoio dos chamados “barões” do partido. O antigo ministro salientou o mau caminho seguido pelo PSD durante a direcção de Mendes, fundamentando o descontentamento geral dos militantes com tais erros de percurso. A título de exemplo, Gomes da Silva nomeia a incapacidade de, no parlamento, Marques Mendes sair vencedor dos debates mensais com o primeiro-ministro.
Ângelo Correia considerou que existia “no país e no partido uma necessidade de mudar”. Para o social-democrata era notório, junto dos militantes, “um desejo de uma mudança radical”.

Coabitação com Belém

Um tema que vai marcar, certamente, a agenda de Luís Filipe Menezes enquanto líder do maior partido da oposição é coabitação com Belém. É importante referir que a animosidade entre Menezes e Cavaco Silva é um facto. Para Ribau Esteves a solução é muito simples. “A coabitação vai ser feita desta maneira: o dr. Luís Filipe Menezes é o presidente do PSD, que vai governá-lo com a sua equipa, com a sua estratégia e com os seus objectivos; o professor Cavaco Silva é o Presidente da República da Nação e vai seguramente continuar a gerir a Presidência da República com a sua equipa e com a sua estratégia”.
Na mesma linha de simplicidade, o autarca concluiu “que é desta forma que o dr. Menezes olha para essa coabitação. Pertencemos ao mesmo país, temos bons objectivos ao nível de querermos o bem da Nação. Agora, cada um fará o seu trabalho, não há ai nada de mau nem nada de bom. Há tudo de normalidade naquilo que vai ser um partido com uma dinâmica nova e diferente e naquilo que é uma Presidência da República que já deixou claro qual é o seu estilo e qual é a forma como materializa os seus objectivos”.
Rui Gomes da Silva, por seu turno, defende que as relações entre Menzes e Cavaco se devem pautar pelo respeito, “pelos cargos e pelas competências”. “O Presidente da República”, continuou o deputado, “merece todo o respeito institucional. Agora, o PSD tem autonomia estratégica e não depende de ninguém”, avisou o ex-ministro de Santana Lopes.
Ângelo Correia afasta na totalidade a existência de qualquer tipo de animosidade entre o Presidente da República e o líder do maior partido da oposição. Relativamente ao futuro das relações entre Menezes e Cavaco, o histórico do PSD antevê que “a coabitação entre Luís Filipe Menezes e o presidente da República seja respeitável, respeitadora, percebendo qual o papel de cada um deles e tentando cooperar o mais possível para a realização de um bom desígnio português”.

Regresso do santanismo

As vozes mais críticas de Menezes salientam que a sua vitória representa o regresso do santanismo, com todas as respectivas consequências. Dando ênfase, inclusivamente, à hipótese de o próprio Pedro Santana Lopes vir a liderar a bancada parlamentar, que expectavelmente ficará órfã de Luís Marques Guedes. A par da epifania do antigo primeiro-ministro, as acusações de populismo a Menezes foram uma constante durante o período de campanha.
Ângelo Correia não quis nomear o nome de um deputado que gostasse de ver a liderar a bancada do PSD na Assembleia da República, salientando que não faz “comentários sobre pessoas, na exacta medida em que essa é uma apreciação que tem de ser feita pelos senhores deputados”. No entanto, avançou dois critérios que, no seu entender, devem pesar decisivamente na escolha do futuro líder parlamentar: “primeiro, a vontade livre e soberana do grupo parlamentar. Segundo; um critério adicional dentro dessa escolha, que tenha em conta um critério unificador dos senhores deputados”.
Rui Gomes da Silva, membro proeminente da ala santanista, apelidou de “lamentáveis e indecorosas” as criticas desferidas a Menezes. Chegando mesmo a referir que são uma “falta de respeito para com próprio partido e para com os militantes”. Gomes da Silva deixou um desafio: “era bom que as pessoas, que andam agora a dizer o que dizem, vão ao congresso dizê-lo. Acho que era bom e ninguém lhes vai bater. Irem lá e irem a votos”.
Porém, o deputado não acredita que o seu repto seja aceite pelos críticos. “As pessoas que fazem essas acusações ao dr. Luís Filipe Menezes são cobardes, não têm coragem para, em sede própria, dizerem o que afirmam agora”, destaca Rui Gomes da Silva.

Marcelo Rebelo de Sousa

O comentador não é bem visto nas hostes menezistas. Rui Gomes da Silva criticou explicitamente Marcelo Rebelo de Sousa, apelidando de “triste espectáculo” os comentários que o professor de direito manifestou no seu último programa semanal na televisão pública. O antigo ministro concluiu que o comentador e antigo presidente do partido tenta fazer análises objectivas mas, na prática, “tudo aquilo é uma enorme insensatez, um enorme desconhecimento”. Para o representante da candidatura de Menezes no Conselho de Jurisdição do PSD, Marcelo é “uma pessoa que tem desejo de intervenção política, travestido de analista político”. Gomes da Silva acusa, nesse sentido, o professor de confundir “desejos pessoais com análise objectiva”.
Ribau Esteves escusa-se a comentar as afirmações de Marcelo acerca de um alegado favorecimento de Manuela Ferreira Leite a Luís Filipe Menezes, em detrimento de Mendes. Na opinião do porta-voz da candidatura de Menezes nas eleições directas, “o mérito desta vitória, por mais que haja comentadores que não o queiram, é do dr. Menezes. O mérito é dele, o trabalho é dele. Portanto, não vale a pena estarmos com outras dissertações. Especificamente, o comentário não me merece qualquer comentário”, concluiu Ribau.

Cargos executivos

No congresso agendado para os dias 12, 13 e 14 de Outubro, um dos temas que estará em cima da mesa será a eleição dos órgãos nacionais do partido. Ângelo Correia, José Ribau Esteves, Martins da Cruz, Rui Gomes da Silva e Nuno Delarue são nomes ventilados entre os social-democratas e na comunicação social para ocuparem cargos executivos na direcção de Menezes.
Os potenciais membros da direcção liderada por Menezes escusaram-se a confirmar as informações que têm vindo a lume. Porém, sem nunca pôr em causa a respectiva disponibilidade, salientaram que a sua escolha será exclusivamente da opção do actual presidente, sem pressões de índole alguma. Ângelo Correia, porém, afasta definitivamente a hipótese de vir a ocupar um cargo executivo na direcção do PSD. Justifica a sua posição com base em razões pessoais, que já as enunciou a Luís Filipe Menezes. “Não tenho tempo, nem capacidade, nem possibilidades, nem desejo exercer funções executivas de regresso à vida partidária”, frisou o mandatário nacional. Ângelo Correia avançou que “gostaria de desempenhar funções discretas e nunca permanentes”.
Ribau Esteves assegura que Luís Filipe Menezes está a “reflectir” sobre a composição da sua futura equipa. “O dr. Menezes”, acrescenta o autarca social-democrata, “vai escolher a sua equipa debaixo daquilo que sei que são os seus critérios de qualidade e de exigência. Portanto, espero que ele escolha muito bem. Aquilo que ele quiser fazer comigo pertencerá, em primeira instância, ao seu critério e em segunda instância às minhas decisões. Mas isso não é relevante nesta altura. É só relevante, depois no fim, sabermos quais foram as suas decisões e qual a equipa que ele pretende apresentar. Quando for o momento tudo se saberá, com a normalidade democrática”.
Rui Gomes da Silva mostra-se disponível para ocupar funções executivas no PSD, “as funções que o dr. Luís Filipe Menezes entender”, acrescenta. . O social-democrata ressalva, no entanto, que há funções que estão à margem da sua vontade e outras, pelo contrário, que ficaria “honrado com um convite. Essas dependerão só de um convite do dr. Luís Filipe Menezes e da conversa que possamos ter. Mas não será por causa do meu lugar que o partido entrará em convulsões”, assegura.