BCP – Jardim Gonçalves e Teixeira Duarte apoiam Filipe Pinhal …

Enquanto Filipe Pinhal aposta na normalização da vida do banco, para recuperar resultados até ao fim do ano, Pedro Teixeira Duarte prepara, fora do banco e sem pressa, a redacção dos novos estatutos. Todos estão de acordo em não correr riscos com alargamentos de conselhos gerais ou superiores e por isso o BCP deve voltar ao “modelo monista puro”, com um Conselho de Administração, um Conselho Fiscal e um Conselho de Vencimentos. O SEMANÁRIO sabe que Filipe Pinhal tem o apoio de Jardim Gonçalves e de Pedro Teixeira Duarte para fazer o próximo mandato, devendo ser substituído cerca de 30% do Conselho de Administração – devem sair Francisco Lacerda e Castro Henriques, eventualmente, substituídos por elementos da alta direcção do banco.

A precipitação da saída de Paulo Teixeira Pinto, na sexta-feira passada, não lhe retira dignidade, nem a imagem de seriedade que construiu. Ele tinha passado a ser parte do problema e decidiu antecipar-se. Jardim Gonçalves emerge de imediato como vencedor da contagem de espingardas, que já se tinha dado na Assembleia Geral do final do mês de Agosto, já se sabia. Com a saída do CEO, Filipe Pinhal, o primeiro vice-presidente de Paulo Teixeira Pinto, assumiu a presidência do Conselho de Administração.
Mas, o verdadeiro embate, que ficou enunciado, ainda está para acabar. Passa pela revisão dos estatutos e pela definição de quem irá dominar o banco depois dela. Para já Jardim Gonçalves não se assume como parte do problema. Pedro Teixeira Duarte saiu do Conselho Geral e de Supervisão para poder negociar mais à vontade um novo estatuto “monista puro” para o BCP. Por dentro, Filipe Pinhal faz os ajustamentos que entende necessários no banco, ele que é a personalidade que Jardim Gonçalves e Teixeira Duarte desejam ver como líder do BCP para o próximo mandato.
No Conselho de Administração, Francisco Lacerda e Castro Henriques preferiram não se demitir, mas foram publicamente convidados a irem para casa, com a retirada de pelouros. O mesmo se passa nas estruturas de alta direcção do banco. Mudanças normais.
Igualmente nos accionistas há mexidas. E com seis meses pela frente o verdadeiro governo executivo do BCP, composto pelos quatro gestores considerados do lado de Jardim, tem tempo e dinheiro para gerir e preparar o futuro, não tendo Pinhal caído no erro de Paulo Teixeira Pinto de ter, de início, aceite condições impossíveis.
As movimentações já começaram com o aparecimento de novos accionistas. A Jerónimo Martins anunciou deter já 1,5 milhões de acções do BCP. Outros movimentos estão a acontecer, levando o BCP a subir na bolsa, a contra-ciclo do mercado.

Accionistas do BCP apoiam o sistema monista puro

Estando totalmente afastado o cenário de uma fusão com o BPI, dado que a La Caixa o exclui e não faz sentido que queira perder o controlo de um banco contra uma posição irrelevante no BCP, o controlo do BCP passará por um grupo de accionistas nacionais, eventualmente associado a investidores institucionais nacionais e estrangeiros.
De acordo com fontes dos accionistas, um novo projecto de estatutos está em discussão no BCP e prevê eliminação dos órgãos liderados por Jardim Gonçalves, voltando-se a uma estrutura monista.
A blindagem dos estatutos do BCP está para durar, apesar das tentativas de alguns para as suavizar. Pelo menos a julgar pelo projecto que tem vindo a ser discutido por alguns dos principais accionistas.
Ao que os jornais apuraram, há já um amplo consenso em algumas matérias, nomeadamente a blindagem e o desaparecimento de alguns órgãos, como o Conselho Geral e de Supervisão. No que toca à blindagem, que não permite que qualquer accionista vote com mais de 10% dos votos presentes numa Assembleia Geral, há já o acordo do BPI que, com 8,5% do capital do banco, é um dos afectados por esta regra defensiva. O banco liderado por Fernando Ulrich tem estado, aliás, a trabalhar de forma muito próxima com a Teixeira Duarte, o accionista que tem assumido a condução das negociações quanto à nova redacção dos estatutos e do modelo societário do BCP.
A Teixeira Duarte quer chegar a um consenso quanto ao documento, e só depois disso se poderá começar a pensar em data para a marcação de uma Assembleia-Geral, em que os estatutos poderão ser alterados se contarem com o voto favorável de dois terços dos accionistas.
O presidente da construtora, que abandonou o Conselho Geral e de Supervisão, para melhor conduzir as negociações com outros accionistas, apesar de não quer perder o ímpeto reformista dos vários accionistas com quem negoceia, tem consciência que a aceleração do processo de revisão dos estatutos pode complicar a vida ao novo CEO e dar novo sinal de instabilidade aos clientes. No final do corrente mês de Setembro decorrerão novos contactos entre os accionistas, ficou estabelecido na reunião de ontem de alguns advogados ligados ao processo.
Por seu lado, Jardim Gonçalves tem como preocupação garantir a independência do banco e a manutenção de uma estrutura de gestão sólida e, por isso, aceitará a mudança.
O modelo em cima da mesa, e que não deverá sofrer grandes alterações, deverá passar pela transição para um “sistema monista puro”, em que desaparecerão, tanto o Conselho Geral como o Conselho de Supervisão. Está prevista a existência de “conselheiros do conselho de administração”, com reduzidos poderes não vinculativos, uma forma diplomática de proporcionar a algumas figuras e accionistas um acompanhamento, ainda que relativamente distante, da evolução da estratégia do banco, mas também a maneira eficaz de impedir o acesso de especuladores ou pequenos investidores de curto prazo ao núcleo estratégico do banco, como acontecia com a proposta de alargamento do Conselho Geral e de Supervisão proposto por Joe Berardo.

Pinhal acaba com comités executivos
e mantém para si pelouro da rede comercial

O novo presidente do BCP, que manteve para si a competência comercial sobre o retalho, acabou com os comités executivos no banco, manteve para si o comando da rede comercial e fundiu as operações internacionais, que passam depender de Christopher de Beck.
Na primeira reunião como presidente do conselho de administração do Banco Comercial Português (BCP), Filipe Pinhal determinou a extinção dos comités executivos, passando a existir apenas comités de coordenação.
Isto significa que o poder de decisão volta inequivocamente ao conselho de administração executivo, num sinal de que Pinhal vai conduzir o banco.
Além disso, cada área de negócio – retalho, corporate, banca de investimento, serviços bancários e operações internacionais (por fusão do European e do Overseas Committe) – passa a ter dois administradores responsáveis e não um com outro alternante, como acontecia até aqui.
O novo presidente do BCP deu também um sinal claro de que o enfoque é o negócio e a relação com os clientes ao manter para si o comando da rede comercial.
Alípio Dias juntou às suas competências, nas grandes empresas, a banca de investimento e Christopher de Beck ficou com a operação internacional, nomeadamente Angola, passando as relações com a Fortis para o CFO.