Washington poderá retirar tropas da Arábia Saudita e do Sinai

Vários membros do Congresso norte-americano e do Pentágono estão considerar seriamente a hipótese dos Estados Unidos retirarem as suas tropas da Arábia Saudita devido à frustração, daquilo que consideram o fraco apoio do reino Saud na guerra ao terrorismo e das restrições impostas em locais de operações militares americanas.

Vários membros do Congresso norte-americano e do Pentágono estão considerar seriamente a hipótese dos Estados Unidos retirarem as suas tropas da Arábia Saudita devido à frustração, daquilo que consideram o fraco apoio do reino Saud na guerra ao terrorismo e das restrições impostas em locais de operações militares americanas, adiantou o “New York Times” esta semana.

No Pentágono, um crescente número de oficiais estão frustrados pelo facto de terem feito um grande investimento naquela região e agora estarem limitados nas acções de guerra ao terrorismo, nomeadamente contra o Iraque. “Eu penso que talvez tenhamos que encontra um local onde sejamos recebidos de uma forma muito mais aberta”, afirmou o sendor Carl Levin.

Mais certo parece ser a retirada dos soldados norte-americanos que integram a força das Nações Unidas no deserto do Sinai, Egipto, há duas décadas. O secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, justificou esta decisão com a necessidade de se reduzirem custos nas missões de “peacekeeping”, uma vez que a guerra ao terrorismo está a canalizar muitos recursos financeiros.

“Eu não acredito que continuaremos a precisar das nossas forças no Sinai”, observou Rumsfeld. “Estamos a trabalhar cuidadosamente com os nossos amigos e aliados em Israel e no Egipto para ver se há alguma forma razoável de reduzirmos modestamente alguns daqueles rapazes que estão no Sinai”.
Cerca de 900 soldados americanos integram a missão “peacekeeping” que inclui 11 nações. Este contingente tem como objectivo patrulhar e operar em checkpoints e postos de observação na zona desmilitarizada ao longo da fronteira entre o Egipto e Israel.

Uma fonte oficial do Conselho de Segurança Nacional (NSC) revelou ao “Los Angeles Times” que a Casa Branca e o Departamento de Estado ainda não tinham sido informados das propostas de Rumsfeld. Por seu lado, um antigo membro NSC, Geoffrey Kemp, qualificou a presença norte-americana no Sinai de “espantosamente importante”.

Kemp, actualmente investigador senior no Centro Nixon para a Paz e Liberdade, acrescentou: “Parece-me óbvio que em tempo de crise no Médio Oriente não é altura para começar a retirar-se forças que desempenham um papel simbólico importante na manutenção de paz entre o Egipto e Israel.”

Americanos decidem ficar na Ásia Central

Os EUA pretendem instalar-se na região por alguns anos, estando a erguer mais bases militares na área e a desenvolver infra-estruturas nesse sentido. George W. Bush parece estar disposto a ficar com um “pé” naquele imenso território, mesmo que isso possa alarmar a Rússia e a China. O Afeganistão transforma-se, assim, numa porta de entrada para a presença americana na Ásia Central.

Os Estados Unidos começam a revelar, aos poucos, os interesses geoestatrégicos que depositam na Ásia Central depois de várias semanas de guerra no Afeganistão. Desde o início da “Liberdade Duradoura” tem-se escrito muito sobre os objectivos menos imediatos de Washington na Ásia Central, já que os mais prementes passavam pela aniquilação da Al Qaeda e dos Taliban e consequentemente pela captura de bin Laden e “companhia”.

A grande dúvida consistia, na altura, em saber se as forças americanas se instalariam em território afegão e nalguns Estados contíguos, apenas por um período de tempo coincidente com a duração das operações militares, ou por outro lado, se veriam o Afeganistão como uma porta de entrada para a imensa região asiática.

As dúvidas começam a esvanecer-se à medida que as operações militares no terreno vão findando. A última opção é, cada vez mais, tida em conta pelo poder em Washington que, de acordo com uma das últimas edições do “New York Times”, citando fontes militares, pretende erguer mais bases militares no Afeganistão e noutros países limítrofes e assegurar uma presença na Ásia Central por vários anos.

Os Estados Unidos e os seus aliados estão a construir uma base aérea no Quirguistão que permitirá acomodar 3 000 homens, aviões e material logístico. Vários engenheiros estão, igualmente, a melhorar vias de comunicação, iluminação, telecomunicações, e alojamentos situados em bases no Uzbequistão e Paquistão, onde as forças americanas estão estacionadas.

As chefias militares norte-americanas estão a trabalhar numa lógica de médio e longo prazo, assegurando a defesa de outros interesses (políticos e estratégicos) para os Estados Unidos. “Ainda há muito para fazer”, disse o Contra-Almirante Craig R. Quigley, porta-voz do Comando Central de Operações dos Estados Unidos, em Tampa, Florida. “Há um grande valor, por exemplo, na construção de aeroportos em localidades diferentes no perímetro do Afeganistão que ao longo do tempo poderão desempenhar variadas funções, como operações de combate, evacuação médica e entrega de assistência humanitária”, acrescentou Quigley.

O poderio norte-americano está definitivamente a instalar-se na Ásia Central: O Pentágono já aprovou um pedido do General Tommy R. Franks, para serem enviados para o norte do Mar Arábico dois porta-aviões no próximo mês de Março; As tropas americanas adoptaram políticas de rotatividade todos os 90 dias até seis meses; os americanos estão a implementar cooperação militar e técnica com os parceiros da região.

Na base aérea aliada, perto do aeroporto internacional de Manas, em Bishkek, capital do Quirguistão, a actividade é intensa, estando a ser construída uma verdadeira “cidade” de tendas, com aquecimento e chão, com capacidade para albergar entre 2000 a 3000 soldados para o próximo mês.
Segundo o vice-secretário de Defesa, Paul D. Wolfowitz, “a função deles (militares) pode ser mais política do que militar”.

George W. Bush pretender colocar um “pé” na Ásia Central, embora tenha criticado duramente o seu predecessor, Bill Clinton, pelo extensivo emprego de tropas americanas em territórios além fronteiras. Esta posição da nova administração da Casa Branca vai de encontro à opinião de muitos analistas que salientam a importância da presença de tropas americanas em redor do Afeganistão. No entanto, estes referem que uma presença militar muito prolongada dos americanos na região pode alarmar a Rússia e a China e provocar o desconforto dos afegãos que querem, agora, desempenhar um papel soberano na condução da sua política externa.

Abu Zubeida, o verdadeiro número dois da Al Qaeda?

Os Estados Unidos estão a encetar todos os esforços na caça ao homem que tem como missão manter as células da Al Qaeda vivas no estrangeiro. As autoridades norte-americanas estão convencidas que este terrorista é palestiniano e é conhecido por Abu Zubeida, sendo o seu verdadeiro nome, Zain Al Abidin Mohammed Husain. Este indivíduo andará na casa dos 30 anos e é o grande contacto de Bin Laden. Mas, ao contrário deste, os movimentos de Husain não são limitados e há quem diga que já está no Paquistão ou noutro país para reactivar novos grupos da Al Qaeda.

Para as autoridades em Washington, Zubeida representa prioridade máxima, especialmente após a morte, em Novembro, de Mohammed Atef. Os especialistas americanos em contra-terrorismo crêem que Zubeida é actualmente o estratega chefe da Al Qaeda. Sabe-se que existem planos para se assegurar uma sucessão de bin Laden, de forma a que a rede terrorista prossiga os seus objectivos.

“Zubeida é o director dos assuntos externos da Al Qaeda”, disse ao “Los Angeles Times” um fonte da administração Bush, que confirmou a intensa caça a este homem. “(…) Depois de bin Laden, haverá alguém que tomará o seu lugar”, referiu a mesma fonte. “Ele (Zubeida) é alguém que nos interessa bastante”. Abu Zubeida é a pessoa responsável de pôr na prática os planos de bin Laden, e esteve implicado directamente nos atentados dos últimos anos, nomeadamente nos ataques às embaixadas americanas em África, em 1998. As autoridades sabem muito pouco sobre Abu Zubeida, acreditando-se apenas que é originário da Faixa de Gaza, desconhecendo-se como caiu nas boas graças de bin Laden.

Busca em Tora Bora chegou ao fim

A busca de Bin Laden nas cavernas das montanhas de Tora Bora devem chegar hoje ao fim, depois das forças especiais norte-americanas e os guerrilheiros afegãos terem patrulhado os últimos dos 48 complexos subterrâneos em busca de documentos, equipamento bélico, e corpos, de acordo com o marine, Major Brad Lowell, porta-voz do quartel de comando em Tampa. “Até agora entramos em 42 cavernas da lista – o que significa que apanhamos tudo o que havia para ser apanhado em termos de informação e destruímos todas as munições que existiam”.


Paquistão deu luz verde ao EUA

O General Tommy Franks, comandante das forças norte-americanas no terreno, disse que Islamabad concordou em deixar as tropas aliadas atravessarem para território paquistanês numa eventual perseguição a Bin Laden.

Esta notícia vem numa boa altura para Washington, uma vez que crescem os receio de que o líder da Al Qaeda e seus tenentes possam ter fugido para o Paquistão. Antes de qualquer incursão, os soldados americanos terão que informar as autoridades de Islamabad, e só depois poderão efectuar as devidas buscas, mas em parceria com os soldados paquistaneses.

Outros palcos de guerra

Somália, Iémen, Filipinas e Indonésia podem ser os próximos cenários da campanha anti-terrorista lançada pelos Estados Unidos. Estes países reúnem, por diferentes razões, as condições para se converterem em refúgios de membros da Al Qaeda, disse Wolfowitz. Para este, a grande dificuldade dos Estados Unidos é estabelecer quem são os aliados da primeira fase da guerra que se poderão transformar em aliados fortes daqui para o futuro e que não levantem grandes problemas.