2026/07/03

Manuel Alegre é um bom candidato do PS às presidenciais de 2011?

O SEMANÁRIO fez a pergunta a vários socialistas. Vera Jardim, Francisco Assis, Arons de Carvalho, apoiam entusiasticamente a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais de 2011. Vitalino Canas e José Lello deixam em aberto essa possibilidade.

Poeta recebe apoios entusiastas

O SEMANÁRIO fez a pergunta a vários socialistas. Vera Jardim, Francisco Assis, Arons de Carvalho, apoiam entusiasticamente a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais de 2011. Vitalino Canas e José Lello deixam em aberto essa possibilidade.

José Vera Jardim
“Bom candidato”

“Ainda é muito cedo para falar disso, mas não tenho dúvidas que seria um bom candidato.”

Francisco Assis
“Reúne todas as condições”
“Acredito que pode vir a ser um bom candidato. Manuel Alegre reúne todas as condições para poder ser Presidente da República. É um homem oriundo do espaço do socialismo democrático e já manifestou intenção e pretensão de o ser nas últimas eleições. Não vejo razão para que não possa ser Presidente da República e não possa receber o apoio do Partido Socialista.”

Alberto Arons de Carvalho
“É um forte candidato”
“Acho que é um bom candidato. É muito cedo para falar disso, nem sei se o próprio será candidato. Mas à partida parece-me que é uma das possibilidades fortes que o PS tem.”

Vitalino Canas
“Não está na agenda política”
“Não faremos qualquer declaração sobre isso porque é um tema que não está na agenda política”

José Lello
“Seria estar a pressioná-lo numa decisão que é pessoal”
“Ainda não estamos a tratar disso. As eleições são daqui a dois anos. Primeiro, quero saber quem são os potenciais candidatos do Partido Socialista, só depois é que me pronuncio. Tem de haver um quadro de comparação, senão neste momento quem poderia ser muito bom era o Papa. Manuel Alegre ainda não disse que era candidato, por isso, não posso dizer se é bom ou não. Seria estar a pressioná-lo numa matéria que é do seu foro pessoal.”

Elisa Ferreira
“Falta muito tempo”
“Acho que ainda falta muito tempo para nos pronunciarmos sobre isso. Os candidatos não existem por inerência, têm que estar adequados às situações e aos desafios que houver para responder. Ainda falta muito tempo e o Mundo está a mudar muito rápido.”

Matilde Sousa Franco
“Não me quero pronunciar”
” Não sei, acho que é uma pergunta um bocado complicada. Não me queria pronunciar sobre isso.”

Europeias, Legislativas, Autárquicas e Presidenciais

País vai ter ciclo eleitoral de três anos

Depois das europeias, legislativas e autárquicas, é tempo de começar a pensar nas presidenciais. Todo o ano de 2010 vai ser marcado por este sufrágio, pela hipotética recandidatura de Cavaco e pelo “reaparecimento” de Manuel Alegre.
O País vai ter vários duelos eleitorais. Todos eles de grande intensidade. Vital Moreira e Paulo Rangel abrem o espectáculo mas são, talvez, os protagonistas menos empolgantes. A importância das europeias está mais centrada no facto de poder traduzir, ou não, um cartão amarelo ao executivo socialista. Deste modo, é José Sócrates e Ferreira Leite quem mais estão sob pressão a 7 de Junho. Quem ganhar as europeias, fica, naturalmente, melhor colocado na linha de partida das legislativas. Na verdade, são estas eleições, que se devem realizar em Setembro, a marcar o duelo mais decisivo. A avaliar pelas sondagens, Sócrates jogará a perda ou manutenção da maioria absoluta. De resto, a vitória socialista parece segura. Já Ferreira Leite joga a sua liderança do PSD. Se conseguir tirar a maioria absoluta a Sócrates mas não conseguir fazer um Bloco Central e entrar no Governo, tudo parece indicar que a líder não conseguirá manter o seu cargo. O PS acaba por ter, assim, uma palavra decisiva a dizer no futuro de Ferreira Leite. Sócrates aceitará o Bloco Central? E será ele a fazê-lo?
O duelo eleitoral seguinte está marcado para Outubro: as autárquicas. Aqui, há um embate por natureza, em Lisboa, entre António Costa e Santana Lopes. O ex-primeiro-ministro laranja parece não ter nada a perder. Já se viu que Santana é imune às derrotas. Perdeu as legislativas de 2005, perdeu as eleições internas no PSD de 2008. Mesmo assim continuou na ribalta e ganhou o lugar de candidato por Lisboa. Se perder a capital, a vida vai continuar para Santana Lopes. O mesmo não se pode dizer de António Costa. O ex-ministro da Justiça joga em Lisboa a sua carreira política. Se ganhar a capital, confirma as expectativas à liderança do PS. Poderá ser ele, certamente, o sucessor de Sócrates. Se não considerar, por motivos tácticos, que é melhor resguardar-se para mais tarde, num novo ciclo de poder socialista. Na verdade, se Sócrates fizer mais um mandato, Costa poderá entrar num momento em que o ciclo de poder é do PSD. Com um candidato forte laranja, Costa poderá não ter hipóteses. Ao invés, se perder Lisboa, Costa poderá hipotecar o seu futuro político.
O último duelo eleitoral será em finais de 2010, princípios de 2011 e tudo indica que junte Cavaco Silva e Manuel Alegre. O cenário de Cavaco não se recandidatar é improvável. Tal só teria alguma probabilidade no caso de maioria absoluta do PS, com Cavaco a considerar que a sua função estaria esgotada. Quanto a Alegre, a sua candidatura presidencial, apoiada pelo PS, parece ganhar cada vez mais margem. Para Cavaco, o poeta pode ser um candidato perigoso, num país onde a maioria sociológica é de esquerda. E mesmo que garanta a vitória, uma ida à segunda volta pode deixar Cavaco politicamente diminuído.

Bloco Central pode “salvar” Sócrates e Ferreira Leite

O Bloco Central voltou a estar esta semana na ordem do dia, depois de uma grande sondagem ter dado o PS mais longe da maioria absoluta, bem como o PSD a crescer, e de Jorge Sampaio também ter apadrinhado a ideia. Esta quarta-feira, o Presidente da República voltou a não fechar a porta a esta solução.

Cavaco continua a não excluir solução

O Bloco Central voltou a estar esta semana na ordem do dia, depois de uma grande sondagem ter dado o PS mais longe da maioria absoluta, bem como o PSD a crescer, e de Jorge Sampaio também ter apadrinhado a ideia. Esta quarta-feira, o Presidente da República voltou a não fechar a porta a esta solução. Ontem, Santana Lopes defendeu que o Bloco Central só é possível sem Sócrates ou Ferreira Leite, em face do antagonismo programático dos dois, nomeadamente, em termos de política de investimentos públicos. No entanto, caso as sondagens se confirmem, a derrota de Sócrates ao não conseguir repetir a maioria absoluta de 2005 e a vitória de Pirro de Ferreira Leite ao não superar o PS podem representar a “salvação” de um e de outro. Sócrates mantendo o poder e Ferreira Leite ganhando o lugar de n.º 2 do Governo.

O Bloco Central é possível? Há quem o dê como garantido, até face às pressões de grandes individualidades nesse sentido. A defesa desta solução por Jorge Sampaio, contra a opinião maioritária do seu partido, é um bom exemplo da sua possível inevitabilidade. Outras altas figuras no PS também podem ter pouco espaço para rejeitar a solução. Mário Soares foi protagonista do Bloco Central, entre 1983 e 1985, e António Guterres foi um homem que teve a sua vida marcada pela necessidade do compromisso político, quando chefiou dois governos minoritários.
No PSD, também são cada vez mais as vozes que abrem as portas a esta solução, ainda que com fortes condicionantes. O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu esta semana que só admitia um governo do Bloco Central se fosse para fazer reformas profundas no País, designadamente no campo da reforma do sistema político. Nesta edição do SEMANÁRIO, Ângelo Correia também diz que se não for para rever a Constituição, o Bloco Central não vale a pena. Refira-se na próxima legislatura, a Assembleia da República assume poderes de revisão constitucional. No entanto, a maioria das figuras do PSD rejeita liminarmente esta hipótese, ainda que por vezes pareça notório que há razões tácticas e estratégicas que podem estar por detrás destas declarações. A começar logo na própria Ferreira Leite. Na entrevista que deu há duas semanas a Mário Crespo, foi notório que a líder do PSD colocou a hipótese de um Bloco Central. Curiosamente, Ferreira Leite utilizou um registo muito próximo do de Cavaco Silva. O Presidente da República tem feito dos problemas nacionais e das soluções que eles exigem uma tónica nas suas últimas intervenções. Ainda esta quarta-feira, Cavaco voltou a não excluir a hipótese do Bloco Central, isto depois de Ferreira Leite ter rejeitado a ideia, desmentido o sentido que foi dado às suas palavras na entrevista à SIC-Notícias. A líder do PSD sabe bem que, mesmo podendo ter um pensamento próximo do de Cavaco, numa perspectiva de defesa do interesse nacional, não está, porém, em posição de o dizer como líder de um partido que quer tentar ganhar as eleições. Recorde-se que o Presidente da República renovou, esta quarta-feira, o pedido de serenidade na campanha eleitoral, tendo pedido “bom senso” aos partidos, numa altura em que se discutem os cenários pós-legislativas, apelos que caracterizaram a sua intervenção nas comemorações do 25 de Abril. Mas Cavaco foi mais longe, falando do quadro de soluções futuras: “Vivemos um tempo muito difícil no nosso país e os tempos que se aproximam não serão com certeza mais fáceis. Por isso, entendo que nenhuma força política deve ficar de fora na procura de soluções para passar as dificuldades que Portugal vive”, acrescentou o Presidente da República.
Curiosamente, ontem, Santana Lopes, defendeu que o Bloco Central só é possível sem Sócrates ou Ferreira Leite, em face do antagonismo programático dos dois, nomeadamente em termos de política de investimentos públicos. No entanto, caso as sondagens se confirmem, a derrota de Sócrates ao não conseguir repetir a maioria absoluta de 2005 e a vitória de Pirro de Ferreira Leite ao não superar o PS podem representar a “salvação” de um e de outro. Sócrates mantendo o poder e Ferreira Leite ganhando o lugar de n.º 2 do governo. Aliás, no PSD, tal como o SEMANÁRIO referiu na sua última edição, há grande agitação nalguns sectores pelo facto de o PSD de Ferreira Leite aparecer cada vez melhor posicionado eleitoralmente nas projecções de voto. No que se refere às europeias, a última sondagem deu mesmo o PSD a escassos três pontos de diferença de Ferreira Leite. No que se refere às legislativas, a sondagem que foi publicada esta semana dava o PS com 41 por cento, sensivelmente a quatro pontos da maioria absoluta, e o PSD com 34 por cento, em grande recuperação face aos indicadores catastróficos de há dois meses, quando as sondagens davam 23 por cento a Ferreira Leite. Muita gente no PSD estava cada vez mais convencida que Ferreira Leite ia ser “trucidada”, até abaixo dos 20 por cento, e teria que se demitir nas próximas legislativas. Ora, com o Bloco Central, Ferreira Leite vai ficar e pode baralhar as estratégias futuras de muitos putativos candidatos à liderança do partido, nomes como Rui Rio, Pedro Passos Coelho, Morais Sarmento, Aguiar Branco, Alexandre Relvas e mesmo António Borges.
No PS, a manutenção de Sócrates no poder afigura-se pacífica, até porque hoje os socialistas estão com fortes expectativas de que o PS ainda possa ter maioria absoluta. No PS pode mesmo acontecer o contrário do que no PSD, com alguns sectores a quererem que Sócrates aceite governar em Bloco Central. Na verdade, se, por hipótese, Sócrates não aceitasse a solução, António Vitorino podia ser o sucessor quase natural. Só que, “metendo-se” Vitorino, um político ainda muito novo, o “tempo” de António Costa e a primazia do autarca de Lisboa na linha de sucessão de Sócrates, ao ponto de ter estabelecido um pacto geracional com Sócrates, podem estar ameaçados e dar, aliás, origem ao fortalecimento de outras soluções. Para além de Vitorino ser uma incógnita, podendo revelar-se um superprimeiro-ministro, António José Seguro poderia tirar partido de a Sócrates não ter sucedido o homem que era esperado.

Bons resultados nas europeias agitam oposições à líder

Apesar de ter sido uma semana difícil para a líder do PSD, obrigada a desmentir que tivesse defendido um governo do Bloco Central, nem tudo corre mal a Ferreira Leite. O SEMANÁRIO sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias.

Apesar de ter sido uma semana difícil para a líder do PSD, obrigada a desmentir que tivesse defendido um governo do Bloco Central, nem tudo corre mal a Ferreira Leite. O SEMANÁRIO sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias. As oposições à líder do PSD, que já pensavam na queda de Ferreira Leite a seguir às europeias, é que ficaram agitadas. Se Ferreira Leite for às legislativas, a corrida à liderança no pós-ferreirismo fica ainda mais afunilada. Com nenhum jovem turco a cair no “lugar do morto” nas legislativas.

em tudo corre mal a Ferreira Leite. O Semanário sabe que há sondagens que dão excelentes resultados ao PSD nas europeias. Na semana em que teve de desmentir uma entrevista que ainda não tinha ido para o ar, rejeitando uma alegada defesa do Bloco Central, estes indicadores são um verdadeiro sopro de oxigénio para a líder do PSD. As oposições à líder do PSD, que já pensavam na queda de Ferreira Leite a seguir às europeias, é que ficaram agitadas. Na verdade, nas últimas semanas houve quem desse como adquirido que Paulo Rangel muito dificilmente levaria a água ao seu moinho. Mas o facto é que o líder parlamentar tem cumprido muito bem o seu papel. Rangel tem excelentes dotes oratórios, tem intuição política e é aguerrido. Tem demonstrado estas qualidades em vários palcos, já em pré-campanha para as europeias e ainda beneficia da exposição mediática de estar no Parlamento e de enfrentar, de quinze em quinze dias, o primeiro-ministro. Há muito tempo que o PSD vive em clima de facas longas, quase em permanência. O facto de existirem muitos galos para o mesmo poleiro, no pós-ferreirismo, faz com que a guerrilha se tenha intensificado. Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Aguiar Branco, Alexandre Relvas, Nuno Morais Sarmento, são alguns dos putativos candidatos a líder do PSD depois de Ferreira Leite. Como o PS está há quatro anos no poder e as hipóteses de Sócrates voltar a ganhar são grandes, o lote de candidatos foi afunilando, porque ninguém quis avançar antes de tempo para ser abatido em combate. Foi, aliás, neste contexto que Marques Mendes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua oportunidade. Há observadores da realidade laranja que referem que esta “inflação” de candidatos faz com que cada um trilhe o seu caminho com mil cuidados e se desdobre em jogos tácticos, com vista a que alguém fique pelo caminho. É assim que se entende que muitos dos nomes do lote acima referido tenham ao mesmo tempo de manter acesa a chama da candidatura e ao mesmo tempo dêem sinais claros de que não querem estar no que pode ser o “lugar do morto” nas eleições legislativas de Setembro, o que dá, por vezes, uma postura de acção bem contraditória. Nas próximas legislativas, se Sócrates ganhar, o líder do PSD do momento tem, certamente, de se demitir e dar o lugar a um “camarada” mais preparado, que vai ficar com uma melhor conjuntura para chegar ao poder, talvez em fim de crise económica e, sobretudo, entrar num ciclo político em que o PSD pode fazer um regresso “natural” ao poder, depois de dois mandatos governativos do PS. Face a este contexto, segundo o mesmo observador laranja, está a acontecer um jogo de colocar alguém no “lugar do morto” nas legislativas, na lógica que é menos um candidato a atrapalhar o tráfego da liderança após as legislativas de Setembro. Ora, se Ferreira Leite ganhar as europeias, ou tiver um resultado honroso, é ela, certamente, que vai disputar as legislativas. Se perder para Sócrates, como parecem indicar as sondagens, o seu lugar deverá ficar, depois, à disposição, para começar a luta dos “galos”, sem nenhum fora da corrida, porque nenhum morreu em combate. Muitos galos para o mesmo poleiro Passos Coelho é um candidato natural à liderança do PSD no pós-ferreirismo. Resta saber se os apoios serão suficientes. Curiosamente, Morais Sarmento parece estar a apoiar Rui Rio para uma futura corrida. Só que Rui Rio talvez seja o candidato pior colocado para lá chegar. Srerá por isso que Morais Sarmento o apoia, num eventual despique com Passos Coelho? Para quê? Naturalmente para que Rio desse apoio à própria corrida à liderança de Morais Sarmento. Porém, apesar das desvantagens, nem por isso Rui Rio tem deixado de fazer o seu papel como putativo líder. As divergências que começou a ter com Ferreira Leite evidenciam esta ambição. Curiosamente, o modo como Ferreira Leite “protegeu” Rio nas declarações divergentes sobre o enriquecimento ilícito fazem pensar que a actual líder poderá, ainda assim, ter uma preferência pelo autarca do Porto. Será? Quem não se lembra, também, das longas horas de conversa entre Ferreira Leite e Morais Sarmento no último Congresso do PSD. No entanto, há que recordar também que Morais Sarmento deu recentemente sinais de discordância em relação a Ferreira Leite. O que foi diferente, na apreciação da líder, dos mesmos “pecadilhos” de Rio e Morais Sarmento? Rio vai, entretanto, recandidatar-se à Câmara da Invicta, tendo um desafio complicado pela frente, que é o de ganhar a Elisa Ferreira. Se perder, Rio pode ver hipotecada a sua candidatura à liderança, porque os rivais estarão em melhor situação. Se ganhar, Rio também pode ter um problema. Como sair da autarquia para a corrida no PSD sem perder a credibilidade? Ainda para mais, o autarca já fez saber que quer cumprir o mandato. Rio pode, assim, ser do “lote” de potenciais candidatos aquele que está em pior situação. Quanto a Alexandre Relvas e a Aguiar Branco também não têm deixado de dar sinais de que estão na corrida, mais este do que aquele. Há quinze dias foi muito comentada a frase de Aguiar Branco de que as europeias não eram o seu combate. Tanto um como outro podem, de facto, avançar, mas talvez para servirem objectivos tácticos de outros candidatos, também arregimentando votos que depois entregam, fortalecendo também a sua posição política. Que candidatos? Passos Coelho e Morais Sarmento.

Atenções recaem sobre a intervenção do PR

O que espera do discurso de Cavaco nas comemorações do 25 de Abril?

Simões Ilharco

As atenções recaem sobre a intervenção do Presidente da República amanhã no Parlamento. O que espera do discurso de Cavaco no 25 de Abril? À pergunta do SEMANÁRIO, respondem diversas personalidades.

José Lello
“Sem recados rocambolescos”

“Espero um dicurso de Estado, institucional, claro e sem recados rocambolescos.”

Paula Teixeira da Cruz
“Um incentivo”

“Espero uma abordagem da situação económica e social e, como sempre vem sendo próprio do Presidente, um incentivo em momentos difíceis, sem perder de vista o rigor e a exigência.”

Saldanha Sanches
“Nunca um 31 de Julho”

“Espero que seja mais relevante do que o tema escolhido no dia 31 de Julho.”

Odete Santos
“Sem grandes coisas”

“Eu não espero grandes coisas. Espero que ele diga que isto do ponto de vista económico está muito mau, que foi o que disse sobre as recentes previsões do Banco de Portugal, mas não espero que proponha medidas revolucionárias, até porque está de acordo com a política do engº Sócrates.”

Feliciano Barreiras Duarte
“Apontar pistas”

“Que procure chamar a atenção para os problemas com que o País se confronta actualmente e que aponte algumas pistas para ultrapassar a actual crise.”

Pressão para audição de Sócrates intensifica-se

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas desta diligência, ainda por cima no ano de todas as eleições.

Guerra aberta no MP

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas desta diligência, ainda por cima no ano de todas as eleições.

Há cada vez mais pressões no Ministério Público para ouvir José Sócrates sobre o caso Freeport. Mas a questão é explosiva pelas consequências políticas deste acto, ainda por cima no ano de todas as eleições.
O caso Freeport não pára e os socialistas começam a ficar mais preocupados. Para o mês que vem o país entra em campanha eleitoral para as europeias, umas eleições que podem ser decisivas como primeiro patamar das legislativas de Setembro. A possibilidade de Sócrates ser ouvido pessoalmente, no quadro das investigações, como testemunha é um acto que as oposições não deixaram de aproveitar politicamente. Refira-se que esta diligência, a realizar-se terá mesmo de ser feita pessoalmente e não por escrito. O mesmo aconteceu, há dez anos, em relação a Paulo Portas, no quadro da investigação sobre a Universidade Moderna.
Esta foi, talvez, a semana mais agitada do caso Freeport. Tudo começou na sexta-feira, com a exibição pela TVI de parte do DVD em que Charles Smith envolve Joé Sócrates no caso. Na mesma noite, o primeiro-ministro fez um comunicado em que volta a refutar as acusações, considerado-as absolutamente difamatórias, anunciando a apresentação de queixas-crimes contra a TVI, como órgão difusor, e contra Charles Smith. No dia seguinte, o próprio Charles Smith negou alguma vez ter difamado Sócrates. Recorde-se que o DVD emitido pela TVI é matéria que faz parte da investigação inglesa no Freeport.

Há dois meses, Cândida Almeida, uma das magistradas que investiga o caso, disse, numa entrevista à RTP 1 que se recusava a ver o DVD porque se tratava de uma prova nula, recolhida ilegalmente. Esta afirmação provocou alguma polémica nos meios judiciais em geral e até no seio do Ministério Público. Independentemente da natureza do acto, até um leigo perecebe que a análise de uma prova nula pode ser muito útil para obter novas pistas ou ajudar a construir um puzzle por finalizar, no âmbito de uma determinada estratégia de investigação.

Já esta semana, o caso conheceu um novo epicentro. O novo presidente do Sindicato dos Magistados do Ministério Público eleito, João Palma, pediu uma audiência ao Presidente da República, Cavaco Silva, para denunciar a existência de pressões no caso Freeport. Esta manifestação do SMMP começou por ser recebida com incomodidade por Belé,m, na medida em que João Palma anunciou, desde logo, a agenda da reunião. Por sua vez, o facto de ela surgir imediatamente depois da eleição de Palma, prestou-se a interpretações de aproveitamento político e pojecção mediática. Mas, já esta semana, o incómodo acabou por ser ultrapasado pelos acontecimentos. Na comunicação social, surgiu o nome do procurador Lopes da Mota, director do Eurojust, uma estutura de cooperação judiciária ao nível europeu, como tendo feito, alegadamente, pressões junto de magistrados com o Freeport a cargo, designadamente, Vítor Magalhães e António Paes, tal como foi divulgado durante a semana por vários órgãos de comunicação social. Lopes da Mota desmentiu, porém, quaisquer pressões. Esta semana, face ao empolamento do caso, o procurador-geral da República sentiu-se no dever de emitir um comunicado em que desmentiu a existência de quaisquer pressões, declarações que o PS, através de Vitalino Canas, fez questão em frisar. Nesta quarta-feira, como o caso não parasse de suscitar dúvidas e especulações, Pinto Monteiro resolveu chamar Lopes da Mota à PGR. Os dois magistrados alegadamente pressionados, Vítor Magalãres e António Paes Faria, também foram chamados por Pinto Monteiro. Segundo foi referido por vários órgãos de comunicação social, Pinto Monteiro pretendeu que fosse subscrita uma declaração conjunta em como não tinham existido pressões. Vitor Magalhães e Pais Faria recusaram-se, porém, a assinar.
Segundo referiu ontem o Jornal de Noticias, os procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães, colocados no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, “vão com a sua versão até onde for preciso”, garantiu uma fonte ao JN, que pediu anonimato.
Segundo referia, também, o JN é a segunda vez que é posta em causa a conduta de Lopes da Mota, ex-colega de José Sócrates no primeiro Governo de António Guterres. Lopes da Mota foi já alvo de um processo disciplinar, por suspeitas de ter fornecido à presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, uma cópia da denúncia que daria lugar à investigação do chamado caso do “saco azul” da autarquia, antes de a Polícia Judiciária iniciar a investigação. O processo acabou por ser arquivado.

Entretanto, já depois destes acontecimentos, o presidente do SMMP reiterou o pedido de audiência com o Presidente da Repúbolica. A dúvida é saber se Cavaco recebe Palma antes da sua tomada de posse, que se realiza só a 16 de Abril, ou só depois desta data.
Todas estas vicissitudes inerentes ao caso Freeport tiveram esta semana fortes repercurssões políticas, mas curiosamente quase todas vindas da a´rea socialista. Mário Soares criticou as fugas de informação do processoe aproveitou para tecer considerações sobre a inverdade das mesmas, aparentemente secundando Sócrates, que desde o início considera que estamos perante uma campanha negra contra si. Também o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, afirmou que Sócrates está a ser vítima de “calúnia”, “intriga” e “maledicência” de quem o quer envolver no caso. Fora da linha destas intervenções, João Cravinho disse que «o DVD exibido é um elemento que fez muita mossa e representa um conjunto de afirmações extremamente graves» Cravinho pediu, ainda, que tudo seja averiguado.