2026/07/04

“Primavera” curda à espera de desabrochar

Há treze anos que os curdos iraquianos vivem uma espécie de “primavera” na sua sociedade. Depois de décadas sob o jugo de Bagdad, o “protectorado” da ONU no norte do Iraque permitiu aos curdos desenvolverem um “oásis” político, económico e social, numa região composta por regimes autoritários.

Treze anos depois da implementação de uma zona de segurança no norte do Iraque, os curdos voltam a enfrentar a potencial ira vinda de Bagdad. Hoje, os 5 milhões de curdos que habitam naquela região encontram-se literalmente entalados entre as forças de Saddam Hussein e as tropas governamentais de Ancara.

Mas, se as primeiras poderão ficar inoperativas assim que o ditador de Bagdad caia aos pés da coligação anglo-americana, já o mesmo não se poderá aplicar aos soldados turcos. Estes poderão estar na iminência de invadir o curdistão iraquiano, naquilo que poderia ser visto pela Turquia como uma forma de resolver um problema de décadas e que tem provocado ondas de terrorismo naquele país.

Aliás, tem sido esta incógnita que estará a complicar a estratégia de Washington e alimentar os piores receios dos dirigentes e populares curdos. Conscientes do perigo que correm perante os intentos de Ancara, os curdos parecem estar dispostos a defender o seu pedaço de território a todo o custo. Como escrevia há uns anos na revista “Grande Reportagem”, Peter Strandberg classificava o curdistão como a “terra da insolência”, que jamais se vergaria às vontades do Governo turco.

Foi neste espírito de resistência que em 1978 Abudllah Ocalan, um antigo estudante da Universidade de Ancara, fundou o PKK (antigo partido de inspiração marxista) para, seis anos mais tarde, iniciar uma campanha terrorista contra a Turquia. Ocalan tornou-se a partir de 1984 o inimigo público número um de Ancara, mas também o símbolo de libertação do povo curdo.

Conotado como uma organização terrorista, o PKK foi estabelecendo relações com outras organizações curdas como o ARGK (Exército Popular do Curdistão), o ERNK (Frente Popular do Curdistão), entre outras. Também no exterior o PKK foi estabelecendo ligações, nomeadamente no Médio Oriente, mais especificamente no Líbano, no vale de Beka, controlado pelo exército sírio. Finalmente, no ano passado, o PKK mudou o nome para KADEK (Congresso para a Libertação e Democracia no Curdistão), numa estratégia de reformulação do partido, depois do histórico líder Ocalan ter sido preso em 1999 no Quénia.

Na arena política, o KDP e o PUK são os partidos de maior relevo no curdistão iraquiano, tendo o primeiro vencido as eleições legislativas de 12 de Março de 1992, as primeiras depois daquele território ter adquirido autonomia face a Bagdad, com a aplicação da resolução 688 das Nações Unidas, em 1991.

Actualmente, o KDP e o PUK partilham o mesmo número de lugares no parlamento curdo e são as frentes políticas das reivindicações independentistas do curdistão iraquiano.

Há mais de meio século que os curdos do norte do Iraque se têm tentado libertar do jugo de Bagdad, no entanto, esses esforços revelaram-se sempre infrutíferos e foram muitas vezes castigados com duras represálias pelas forças de Saddam, como foi exemplo o massacre de Halajba, em 1988, no qual morreram 5000 mil curdos.

Com a invasão iraquiana do Kuwait, em 1990, e a consequente guerra do Golfo, os curdos beneficiaram de uma espécie de “protectorado” das Nações Unidas, que lhes permitiu na última década desenvolver um país dentro de outro país, onde, na verdade, se distinguiu dos outros “curdistões”, por seguir uma linha democrática, com liberdade de expressão e tolerância religiosa e às minorias étnicas.

Este pequeno “oásis” começou a ser criado numa primeira fase em 1991, com a Frente Unida do Curdistão (coligação de seis partidos), e depois das eleições de 1992, nas quais o KDP de Barzani obteve 51 assentos do parlamento, contra os 49 do PUK de Talabani. Em Julho de 1992 é então formado um Governo de unidade nacional, que provocou imediatamente reuniões trimestrais dos ministros dos Negócios Estrangeiro de Damasco, de Teerão e de Ancara para “vigiar a situação no norte do Iraque”.

Pela primeira vez depois de mais de um século, os curdos administram, por um tão longo período de tempo, uma parte do seu território histórico. Na verdade, os últimos anos foram benéficos para a sociedade curda iraquiana, nos campos político, económico e cultural. “E, no conjunto, eles saem-se bem. Esta primavera curda suscita bastantes esperanças junto dos 25 a 30 milhões de curdos que vivem dispersos na Turquia, Irão e Síria”, escrevia Kendal Nezan, Presidente do Instituto Curdo de Paris, no “Le Monde Diplomatique”, em Agosto de 2001.

O controlo dos Mediapor António Silva Ribeiro

Com o objectivo de garantirem um bom relacionamento com os órgãos de comunicação social…

…, preservando um nível adequado de segredo operacional num ambiente multimédia permanente, os militares dos EUA fizeram uma proposta irrecusável às grandes cadeias noticiosas: a integração de jornalistas em unidades combatentes.

Desta forma, proporcionam aos mídia um acesso sem precedentes às particularidades dos combates. Porém, desta forma, focalizaram as notícias numa parte muito restrita da campanha, garantindo assim o controlo dos mídia.

No planeamento da campanha no Iraque os militares dos EUA defrontaram-se com um problema principal. Devido à dimensão da força militar empenhada e ao jogo político-diplomático desenvolvido ao longo de diversos meses, era impossível actuar com surpresa estratégica contra o Iraque. Por isso, a não ser que conseguissem obter algum controlo sobre as notícias do desenvolvimento da campanha, também não poderiam desfrutar de surpresa operacional.

Em 1991 a manobra de envolvimento realizada através do deserto surpreendeu o exército de Saddam Hussein. Para além disso, as forças armadas dos EUA foram capazes de estabelecer bases logísticas avançadas dentro do Iraque, antes do inicio da campanha terrestre. Todavia, nessa época, a CNN era a única cadeia de televisão que operava em permanência. Alcançou enorme reputação durante a operação “Tempestade no Deserto” e mostrou que havia mercado para os serviços noticiosos contínuos.

No planeamento da presente campanha os militares defrontaram-se com a perspectiva de cobertura mediática permanente. Nestas circunstâncias, se não houvesse algum controlo sobre os mídia, os planos seriam apresentados a todo o mundo e a surpresa operacional tornar-se-ia impossível.

Porém, a tarefa de restringir o acesso dos mídia ao campo de batalha não foi fácil, porque teve de ser feita sem criar problemas políticos. Os militares norte americanos não queriam hostilizar a comunicação social, quando se perspectivava um conflito. Por isso, tentaram conciliar a inevitabilidade de uma cobertura mediática permanente, com os requisitos de surpresa operacional.

Os órgãos de comunicação social têm uma enorme vulnerabilidade: são entidades comerciais. Competem intensamente uns com os outros por audiências de massas.

Acima de tudo necessitam de acção. Por isso, o Departamento de Defesa dos EUA decidiu proporcionar às redes informativas uma acção militar intensa, oferecendo a integração em unidades combatentes, tal como aconteceu na II Guerra Mundial e no Vietname. Porém, há uma diferença fundamental entre o que aconteceu nestes conflitos e a actualidade. Na campanha do Iraque os jornalistas podem transmitir os acontecimentos em directo, sem qualquer trabalho de edição realizado nos estúdios, ocupando imenso tempo de emissão com acção real.

Havia algum receio que os militares controlassem o trabalho dos jornalistas. Exceptuando algumas limitações mínimas por razões de segurança, que até servem para aumentar a autenticidade dramática da cobertura, os jornalistas têm trabalhado à sua vontade.

Todavia, para os militares, o requisito essencial passa por condicionar os relatos dos jornalistas àquilo que está ao alcance das suas câmaras. Como foram os militares que decidiram as unidades onde integrariam os jornalistas, conhecendo os planos de actuação dessas formações, puderam definir aquilo a que as audiências teriam acesso.

Os jornalistas foram integrados na 3ª. Divisão de Infantaria, na 101ª. Divisão Aero-transportada, na 1ª. Força Expedicionária dos Fuzileiros, em porta-aviões, em quartéis-generais e em bases aéreas do Kuwait. Porém, estão ausentes das unidades da 1ª linha, dotadas de grande mobilidade, dos bombardeiros estratégicos ou de qualquer local na parte Oeste do Iraque.

Para além dos jornalistas junto à fronteira da Jordânia e do Curdistão Iraquiano, e daqueles que se encontram em Bagdade, a maioria tem sido conduzida pelo deserto a Sul do rio Eufrates, dispondo de uma visão muito restrita da campanha.

As cenas transmitidas de Bagdade, combinadas com a cobertura das movimentações no deserto, proporcionam aos telespectadores uma extraordinária visão dos bombardeamentos e da progressão de algumas unidades empenhadas no Sul do Iraque. Por isso, os militares não podem ser acusados de impedir o trabalho dos jornalistas.

No entanto, conseguiram conter a curiosidade jornalística e as especulações dos comentadores sobre a guerra, limitando assim aquilo que é difundido. Desta forma, garantiram algum espaço para a surpresa táctica e operacional, sobretudo a Norte e a Oeste de Bagdade, onde serão desenvolvidas acções decisivas para o desfecho do conflito.

PTM no Euronext 100 a 1 de Abril

A PT Multimedia (PTM) vai passar a integrar o índice Euronext 100 a partir do dia 1 de Abril, substituindo a Vodafone Libertel, anunciou a Euronext em comunicado.

A Vodafone Libertel será retirada do índice após ser conhecido o resultado oficial da OPA lançada pela casa-mãe, a inglesa Vodafone.

“Face aos resultados oficiais desta Oferta Pública de Aquisição, a Vodafone libertel será retirada do índice Euronext 100 a partir de 1 de Abril de 2003”, refere o comunicado.

“A partir do dia 1 de Abril de 2003, a empresa portuguesa PTM será incluída no índice Euronext 100 (…)”, acrescenta.

A Vodafone anunciou hoje que subiu a sua posição na Vodafone Libertel para 97,2 pct.

Ministro diz que empresas têm de investir

As empresas nacionais não devem esperar pela retoma económica para relançar a sua actividade mas apostar imediatamente no ganho de quota de mercado doméstico que perderam nos últimos anos, disse Carlos Tavares, ministro da Economia.

Nos últimos quatro anos as empresas nacionais perderam cerca de quatro pct do PIB nacional (cinco mil ME) que foi substituído pelo aumento da taxa de penetração das importações o que ditou o acréscimo do défice externo.

“Temos uma parte do mercado interno que podemos e é possível recuperar”, disse Carlos Tavares, na VIII Conferência do Diário Económico.

O ministro da Economia disse que as extensas reformas económicas em curso permitirão a Portugal voltar a crescer mais do que a média europeia, vincando que novos estímulos ao crescimento da procura interna não levarão a um crescimento.

“Insistir numa política de aumento da procura seria um erro dado que há falta de oferta competitiva, há questões estruturais que não foram corrigidas e têm que voltar a ser”, acrescentou Carlos Tavares.

Entre o que há a corrigir, Carlos Tavares sublinhou que Portugal tem que voltar a convergir com a União Europeia o que não acontece desde há três anos, o PIB per capita, apesar de ter evoluído, está 25 pct abaixo da média da União Europeia, o peso das exportações está ao nível de 1995 e a produtividade é 40 pct abaixo da média da União Europeia.

Em 2002, o Governo conseguiu descer um défice externo de 9,6 pct do PIB para oito pct, reduzindo o défice do SPA de 4,2 pct para 2,6 pct.

Carlos Tavares lembrou que é preciso prosseguir com as refomas estruturais, sendo certa que algumas não terão efeito imediato.

Vincou que, desde o lançamento da API-Agência Portuguesa para o Investimento, a ideia era o relançamento do investimento directo estrangeiro de qualidade.

“Era fundamental diversificar as origens do investimento directo estrangeiro”, afirmou Carlos Tavares.

“Nos últimos anos, concentramo-nos muito na Europa e esquecemos que outros blocos podem ser origens importantes de investimento estrangeiro. Os EUA são seguramente um deles, daí a importância de, por exemplo, na administração da API estar o embaixador dos EUA”, acrescenta Tavares citado pela Reuters.

Empresas portuguesas multadas em países da UE

A Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) realizou hoje uma manifestação, junto ao Secretário de Estado dos Transportes, em protesto contra a gestão dos assuntos relativos ao sector de transportes profissionais de mercadorias, devido às multas “injustas e severas” aplicadas às empresas portuguesas de transportes internacionais.

Segundo a ANTRAM, a responsabilidade desta situação é da Administração Pública que não procedeu à transposição, em tempo útil, da directiva comunitária que obriga os motoristas de países terceiros, ao serviço de empresas europeias, a obterem o respectivo certificado para poderem conduzir. A norma, que só foi publicada no dia 18 de Março, véspera do dia da sua entrada em vigor no espaço comunitário, impediu as empresas de a cumprir, devido ao à necessidade “de uma série de documentos e procedimentos morosos”. Deste modo, as empresas portuguesas de transportes internacionais têm os veículos imobilizados e os motoristas impedidos de trabalhar pelas autoridade de países da União Europeia.