Jovens eco. desiludidos com BE na accão contra milho transgénico 2007-08-24 00:14
O Bloco de Esquerda está em estado de sítio. Já não bastava a polémica por causa do acordo em Lisboa com o PS, com muitos militantes a não entenderem que o BE se coligue com um partido que tem uma política neo-liberal de direita, surgiu na semana passada o caso do milho transgénico, com jovens ambientalistas contactados pelo SEMANÁRIO a acusarem o BE de hipocrisia política por sempre ter apadrinhado a luta contra os transgénicos, inclusivamente divulgando no seu portal, acções directas de movimentos ecologistas, e agora ter condenado duramente a acção do “Verde Eufémia”. Até Miguel Portas, que inicialmente manifestou simpatia pelo movimento, reviu a sua posição. Entretanto, o porta voz do “Verde Eufémia”, Gualter Baptista, também activista de outros grupos ecologistas ad hoc, como “Os Transgénicos Fora do Prato” e a “Caravana dos Espantalhos” ainda viu este ano várias acções em que participou divulgadas no portal do Bloco, uma delas com a presidente da Cãmara Municipal de Salvaterra de Magos, a bloquista Ana Cristina Ribeiro.
O Bloco de Esquerda está em estado de sítio. Já não bastava a polémica por causa do acordo em Lisboa com o PS, com muitos militantes a não entenderem que o BE se coligue com um partido que tem uma política neo-liberal de direita, surgiu na semana passada o caso do milho transgénico, com jovens ambientalistas contactados pelo SEMANÁRIO, a acusarem o BE de hipocrisia política por sempre ter apadrinhado a luta contra os transgénicos, inclusivamente divulgando no seu portal, acções directas de movimentos ecologistas, e agora condenar duramente a acção do "Verde Eufémia". Até Miguel Portas, que inicialmente manifestou simpatia pelo movimento, reviu a sua posição. Entretanto, o porta voz do "Verde Eufémia", Gualter Baptista, ainda viu este ano uma acção em que participou divulgada no portal do Bloco.
Em blogues vários e mesmo na página oficial do Bloco de Esquerda na internet, sem dúvida uma prova de democraticidade interna, têm surgido muitas críticas de militantes do BE ao acordo com o PS, o que promete grande tensão para a reunião da mesa do Bloco, daqui a quinze dias. Entretanto, numa tentativa de diminuir as tensões internas, Francisco Louçã intensificou, nos últimos dias, os ataques ao governo do PS e à sua política. Na semana passada chegou a afastar, em entrevistas à comunicação social, a hipótese de um entendimento governamental, de qualquer tipo, com os socialistas. As críticas, porém, não pararam.
O militante do BE, Rui Borges, escreve que "ao integrar o executivo camarário o Bloco corre o risco de contribuir para a legitimação" da política do governo, considerando que isso "é contraditório com o programa de um partido que quer refundar a esquerda e construir a oposição popular ao liberalismo." É que o neoliberalismo também tem a sua versão local. Mesmo ignorando o facto de o município de Lisboa ter uma importância que em muito ultrapassa o nível local, a política da subcontratação, do trabalho precário e dos cortes orçamentais faz parte do quotidiano da Câmara e não consta que Costa a vá abandonar nos tempos mais próximos. O acordo é ainda mais incompreensível se à discussão juntarmos os resultados eleitorais mais recentes. A tal ruptura dos eleitores do PS com a agressividade neoliberal tem-se expressado nas votações de Manuel Alegre e Helena Roseta. É estranho que agora Helena Roseta fique na oposição e seja o BE que se presta a integrar um executivo minoritário com algumas figuras de proa do PS. O efeito prático é criar aos olhos de todos um afastamento entre o Bloco e os dissidentes do PS em favor de uma aproximação ao núcleo duro da política neoliberal." Rui Borges reclama que "o que agora acontece é uma inversão da perspectiva que tem guiado o Bloco desde a sua fundação. Uma mudança de tal envergadura não pode ser apresentada como um facto consumado, a palavra tem que ser dada a todos os militantes para discutir em profundidade e avaliar as consequências desta mudança de estratégia.
Outro militante, José Ferreira dos Santos refere que não entende como, "aceitando pelouros num governo de cidade como Lisboa, se afirma a 'vontade própria , independência de decisão, de autonomia política' , mesmo contra as decisões anteriores do BE e sem que nenhum órgão competente do partido-movimento as tenha alterado", numa alusão às directrizes do BE recentemente aprovadas pelos órgãos próprios do partido. Ferreira Santos remata: "o inimigo do BE não são os militantes do Bloco que ousam não estar de acordo com o acordo de Lisboa e o afirmam publicamente, mas é o neo-liberalismo que tudo pretende dominar, nomeadamente os que se opõem ao pensamento único."
Também Isabel Faria, da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, não esconde a sua discordância em relação ao acordo de Lisboa, referindo que "o acordo entre o PS e o BE foi um mau acordo para o Bloco de Esquerda. E para Sá Fernandes. A ilusão de que é possível ser oposição no País e estar no Governo da capital com o Partido do Governo saiu cara ao PCP. O PCP deixou de ser a principal força de Lisboa que era aquando da primeira coligação com o PS e é hoje ultrapassado pelo PS, pelo PSD, por Carmona, por Helena Roseta e tem mais dois por cento de percentagem eleitoral que o Bloco de Esquerda. Os lisboetas não se contentaram em recordar a oposição do PCP a Mário Soares, a Cavaco, a Durão Barroso, a Guterres ou a Sócrates. Os lisboetas, quando vão votar para a sua Câmara, lembram-se do consulado de João Soares, da inércia e do desleixe que foram os últimos anos da coligação PS/CDU, dos seus negócios menos claros, das alianças do PCP com o PSD, por esse País fora e por essas freguesias fora e o PCP tem pago por isso em termos eleitorais. Ter a ilusão de que connosco pode ser diferente é ingenuidade. Apresentar o exemplo do PCP como mote é incompreensível." Isabel Faria continua: "perdemos com este Acordo anos e anos de trabalho nas empresas. Perdemos com este Acordo todo o trabalho de oposição séria e consequente nas freguesias de Lisboa. Perdemos com este Acordo a imagem que temos construído de que há quem não se venda por acordos de intenções (...) Perdemos com este Acordo anos e anos em que nas empresas tentamos mostrar que há quem não troque princípios por pratos de lentilhas. Andámos a repetir aos nossos colegas de trabalho que este PS é um partido de direita. Que este Governo tem uma politica mais à Direita do que qualquer Governo de Direita ousou ter. Andámos anos a repetir que não fazemos acordos com partidos de Direita nem com Governos de Direita, como o PCP faz. Acabámos de fazer um acordo com um Partido de Direita que sustenta o Governo neoliberal de Sócrates. Mais à direita, do que algum de direita ousou ser, repetimos."
Bloco sempre deu apoio a luta contra os transgénicos
Também as ondas de choque com o caso do milho transgénico estão a revelar-se complicadas de gerir por parte do Bloco, com muitos ecologistas, próximos do Bloco, habituados a ver o partido a defender este "cavalo de batalha", sem entenderem os receios do Bloco em ser associado a uma acção cívica que visa proteger a saúde pública e que não provocou danos pessoais a ninguém.
No portal do Bloco há mesmo um local próprio destinado a accões de luta contra os transgénicos, com várias notícias inseridas nos últimos meses. Por exemplo, em Maio, era anunciado que a "Plataforma Transgénicos Fora do Prato", curiosamente liderada por Gualter Baptista, o porta-voz do "Verde Eufémia" no ataque ao campo de milho transgénico de Silves, organizava a 12 de Maio uma acção contra a aprovação de um campo de testes experimentais de transgénicos em Rio Maior. Dizia-se que "Com esta acção, a Plataforma pretende chamar a atenção para a responsabilidade do Ministério do Ambiente em revogar a decisão após terem sido apresentados dados que demonstram claramente a ilegalidade do processo de aprovação. O apoio da Plataforma à resistência local será visível através da presença da "Caravana dos Espantalhos".", outra organização que tem por detrás Gualter Baptista, cujas accões também foram divulgadas pelo BE no seu portal. Ainda em Março passado, Gualter Baptista participou numa conferência de imprensa em Rio Maior, que contou com a presença da Presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, a bloquista Ana Cristina Ribeiro, onde foram expostas as razões pelas quais o Ministério do Ambiente tinha de cancelar os processos em curso para o licenciamento de testes de campo de milho transgénico.
Ana Cristina Ribeiro disse na altura que "Salvaterra de Magos insere-se na Reserva Natural do Estuário do Tejo e na Reserva Natural do Estuário do Sado. Estão em jogo muitos valores ecológicos e ambientais. Se os ensaios forem aprovados iniciaremos um período de luta por esses valores e pela saúde pública do conselho".
|