O Bloco entre dois fogos 2007-08-23 23:29
Para se defender dos ataques à direita, face à acção do “Verde Eufémia”, Louçã está a defraudar as expectativas de milhares de jovens ecologistas que sempre viram o BE como guru ideológico
O Bloco de Esquerda está entre dois fogos. Por um lado é atacado à direita, por não se distanciar suficientemente da acção do "Verde Eufémia", por outro lado, para se defender, defrauda as expectativas de centenas de jovens bloquistas, que sempre se habituaram a ver o BE como o partido da luta contra os transgénicos, dando guarida a muitos movimentos ecológicos, de formação mais ou menos ad hoc, defensores da acção directa, como o "Verde Eufémia", inclusivé no seu portal oficial. Grupos que também se habituaram a ver no Bloco um partido irreverente, com alguns dos seus dirigentes a admitirem a desobediência civil. Ainda esta quarta-feira, Louçã, perante Mário Crespo, dizia que era a favor da desobediência civil para impedir os patrões de retirarem bens da empresa. Que diferença existe com a desobediência praticada pelo "Verde Eufémia"? Louçã parou no trotskismo e nos modelos das sociedades industriais do século passado?
Se o Bloco se arrisca a ver muitos jovens ecologistas virar-lhe as costas, militantes mais antigos, preocupados com o acordo do Bloco com o PS em Lisboa, também parecem cada vez mais afastados das estruturas dirigentes do seu partido. Há muita gente que não compreende que o Bloco se tenha aliado a um PS que faz uma política de direita no governo, ainda para mais celebrado com António Costa, um ex-ministro solidário com o executivo. Francisco Louçã, cada vez mais na posição de trapezista, vai tentando fazer a quadratura do círculo. Dá luz verde a Sá Fernandes para o acordo, intensifica os ataques ao governo para fazer a cobertura dos descontentes com o acordo mas depois desguarnece o vereador de Lisboa e vai tendo de lhe passar a mão pelo pêlo. Tanta ginástica vai, certamente, dar mau resultado. Quem vai rir? Sócrates pois claro.
O bloquinho só tem um bocadinho de poder na Cãmara de Lisboa e já é a restolhada que se vê. O engenheiro Sócrates só precisa de espalhar um poucochinho mais de confusão, talvez enchendo o olho a muito bloquista burguês, que sonha com o exercício do poder, numa secretariazinha de Estado ou quem sabe num ministério contra os transgénicos, e o Bloco é capaz de entrar num estado de ansiedade generalizada, em guerra civil, com os puristas da antiga UDP e da FER a quererem abater os "vendidos" do PSR e da Política XXI.
Se Sócrates for verdadeiramente maquiavélico, quando Francisco Louçã pedir que votem no Bloco nas legislativas de 2009, para retirar a maioria absoluta ao PS, é só esperar que o eleitorado parta o coco a rir. Para confusão bastou a que Santana Lopes e Paulo Portas fizeram no governo de há três anos. O PS e o engenheiro Sócrates podem ter muitos defeitos, mas para ver o Bloquinho à porrada por causa de uns quererem estar no governo e outros quererem estar nas ruas e nos campos de milho a fazerem a luta revolucionária e antiglobal, é preferível dar de mão beijada a maioria absoluta a José Sócrates. Afinal, o acordo de António Costa com o Bloco em Lisboa já começou a dar os seus trunfos a Sócrates. Deus escreve direito por linhas tortas.
Apesar das recentes divergências no Bloco de Esquerda, face ao acordo com o PS em Lisboa e ao posicionamento perante o ataque ao milho transgénico, parece haver um denominador comum no Bloco que põe a nu os seus vicíos. Dão-lhes a mão e eles querem o braço. Sá Fernandes não se fez rogado a apresentar o seu cardápio de medidas, uma delas a quota revolucionária no mercado imobiliário, capaz de deixar a construção civil, sem meio de ver a luz ao fundo do túnel, à beira de um ataque de nervos. Mesmo as declarações de Miguel Portas sobre o assalto ao milho transgénico também não podem deixar de ser vistas, já descontando a personalidade idealista do deputado europeu, no quadro de um certo "frisson" com o facto o BE ter chegado pela primeira vez ao poder na capital do país. Na linha de que a revolução burguesa está em curso...
Estamos mesmo fartos de Vieira
Fartos dos seus amigos, primeiro Fernando Santos, que não tinha provas dadas, agora Jose Maria Camacho, que saiu do Benfica há três anos para ser dispensado pelo Real Madrid nem um ano depois de lá ter chegado, do seu amigo Rui Costa, que, segundo Vieira, vai ser director desportivo no próximo ano, (se, entretanto não fizer mais uma época como jogador), fartos da gíria de Vieira, do seu nascimento nas Furnas, das conversetas contra as brincadeiras de mau gosto, em defesa da sua família, da sua probidade, que só falou com Camacho depois de falar com Santos, que nas férias com Camacho nunca falou do Benfica, fartos da sua novela com Pinto da Costa, outro amigo de antigamente, fartos da sua ida aos balneários, responsabilizando os jogadores ou a equipa técnica pelos maus resultados, como aconteceu esta semana com Nuno Gomes, com o jogador a ser muito melhor na crítica certeira de que não há tranquilidade no Benfica do que a marcar golos, fartos das pilhérias de Vieira, como a desta semana, também com Nuno Gomes, de que se o jogador tivesse pedido desculpa, toda a gente tinha percebido, quando quem devia pedir desculpa era Vieira pela má gestão do clube, fartos de ver o Benfica a gastar rios de dinheiro, sem o retorno devido em resultados, fartos de ver Vieira não assumir as suas responsabilidades, na contratação de jogadores que não rendem, na contratação de um homem como José Veiga que só trouxe problemas ao Benfica, fartos das miragens de Vieira, de Mantorras que vale 18 milhões de contos, do jovem Moretto que se aposta que é um novo Bento e depois é o que se vê, com cowboyadas que metem voos relâmpago para o Brasil e cenas de porrada no aeroporto da Portela, com o primo de José Veiga a dar forte e feio no empresário do guarda-redes, fartos de Vieira não ter despedido Fernando Santos na altura certa e de o ter dispensado, esta segunda-feira, à trouche-mouche, sem método, depois de o homem ter ganho o torneio do Guadiana, ganho ao Copenhaga e empatado com o Leixões, onde Porto e Sporting ainda podem perder, fartos de uma mole de benfiquistas tudo aplaudir a Vieira, cometa o homem as calinadas que cometer, fartos de não haver oposição no Benfica, fartos de o Benfica de Luís Filipe Vieira se parecer cada vez mais com o regime de Hugo Chávez, no populismo mais primário, na massa acrítica de apoiantes, na falta de alternativas, fartos de o Benfica não ter uma equipa de futebol que se veja desde os gloriosos 6-3 em Alvalade, há quinze anos, fartos de o Benfica não ser campeão europeu há quase cinquenta anos.
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