Regeneração do futebol precisa-sepor Manuel Lopo de Carvalho

Esta semana fui agradavelmente surpreendido com uma proposta do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol referente à reorganização do quadro competitivo do futebol profissional em Portugal.

Nesta proposta aponta-se para uma redução drástica do número de equipas na SuperLiga, a qual teria um máximo de 12 equipas. Além disso a prova seria disputada a dois tempos. Num primeiro tempo jogariam todos contra todos, o que se traduziria em 22 jogos. Num segundo tempo seriam constituídos dois grupos de 6 equipas, sendo que as primeiras seis disputariam o título de campeão e as restantes seis disputariam a permanência na SuperLiga. Teríamos assim mais 10 jogos para cada equipa, o que totalizaria no final 32 jogos, ou seja, apenas menos dois jogos do que actualmente.
A proposta citada tem o principal mérito de aumentar grandemente a competitividade do futebol em Portugal. Todos os anos veríamos, por exemplo, 4 jogos entre Benfica e Sporting, em alternativa aos actuais 2 jogos. O aumento do interesse pelos jogos cresceria de forma evidente e as receitas teriam um comportamento semelhante. É bom ter sempre presente a situação de falência mascarada, ou de pré-falência, da maioria dos clubes portugueses, para perceber bem a necessidade absoluta de fazer crescer as receitas dos clubes.
Estando os profissionais de futebol conscientes da necessidade de fazer melhorar as condições económicas do futebol no nosso país, o que muito abona a favor da liderança do respectivo sindicato, e sendo certo que os grandes clubes concordam com a proposta apresentada, então por que não pô-la em prática?
Pois aqui é que começa o problema! A grande oposição vem dos clubes pequenos que, com um esquema como o referido, consideram que passam a ter reduzidíssimas hipóteses de ascender à SuperLiga. É verdade que isso passará a acontecer. Será mais difícil pertencer a uma elite de 12 clubes, que a uma de 18 clubes.
Os esquemas decisórios na Liga de Clubes e na Federação Portuguesa de Futebol, por seu lado, estabelecem que as decisões são tomadas por maioria de votos, sendo que todos os clubes têm o mesmo número de votos independentemente da sua dimensão e implantação nacional.
A consequência deste facto é que as decisões são tomadas de acordo com o interesse de uma maioria de pequenos clubes e não em função do interesse dos grandes e mais representativos clubes, mesmo que este último coincida com o interesse do futebol em geral. É a situação normal neste tipo de organizações corporativas e que, reconheça-se, é difícil de alterar.
Como forma de corrigir situações de manifesta distorção do interesse geral deverão, no meu entendimento, existir, ou ser criados, mecanismos de intervenção por parte de organismos independentes ou, em última análise, por parte do Governo, para salvaguardar o interesse nacional. Trata-se de uma função supletiva do Governo, que provavelmente levantará grandes reticências junto dos poderes instalados, mas que é inevitável para evitar a ditadura dos pequenos interesses, sejam eles individuais ou mesmo regionais.
O caso vertente é por demais evidente, não oferecendo quaisquer dúvidas. Num dos pratos da balança encontra-se a sobrevivência do futebol nacional, enquanto no outro se vê apenas o desejo legítimo de um qualquer pequeno clube, por exemplo e sem desprimor, o Estrela da Amadora, o Leixões, o Chaves, jogar com os grandes clubes nacionais. Para quê mais palavras ou argumentos, apetece perguntar.
Julgo, pois, que obtido o acordo dos jogadores, dos maiores clubes portugueses e da grande maioria do público, apenas resta aos dirigentes do futebol português agir em conformidade, ou seja, ir de encontro às necessidades e desejos dos principais intérpretes desta actividade económica.
O argumento de que não têm meios legais de intervenção, por isto ou por aquilo, já não cola. Se não têm, consigam obtê-los. Proponham a quem nos governa as alterações legislativas que se mostrem pertinentes. Mas façam qualquer coisa. Não se limitem a arranjar desculpas para tudo ficar na mesma ou, pior, para conseguir eventuais reconduções nos cargos em que estão investidos.
Se não o fizerem assumirão a responsabilidade pela permanência do arcaísmo e pela continuação da decadência do nosso futebol, numa altura em que até os jogadores de futebol, que reconhecidamente terão menor formação académica e capacidade intelectual, lhes dão cartas em termos de lucidez e de disponibilidade para a mudança e regeneração do futebol.

Bruxelas impõe obrigatoriedade no uso do cinto de segurança em 2004

A Comissão Europeia adoptou, em Bruxelas, uma proposta de directiva que impõe a instalação obrigatória de cintos de segurança em todos os tipos de viaturas comercializadas a partir de Julho de 2004.

Segundo a Comissão Europeia, Autocarros de turismo, camiões, autocarros usados nos sistemas de transportes públicos urbanos e veículos utilitários ligeiros são algumas das novas categorias de viaturas abrangidas pelo documento. Globalmente, serão abrangidos anualmente por essa obrigatoriedade cerca de dois milhões de veículos utilitários, segundo as estimativas de Bruxelas.
A medida enquadra-se no objectivo de reduzir significativamente e até 2010 o número de vítimas provocadas por acidentes rodoviários – das actuais 45.000 para 18.000, em vez das estimadas 27.000 se se mantiverem as actuais políticas de segurança nas estradas.
Os acidentes rodoviários têm um custo estimado de 45 mil milhões de euros: 15 mil milhões correspondem ao custo dos tratamentos médicos, intervenção das forças policiais, reparação de veículos e 30 mil milhões à perda de produção económica causada pelas vítimas mortais e feridos.

AIP lamenta “chumbo” do Código do Trabalho

A Associação Industrial Portuguesa (AIP) considera que o actual modelo das relações laborais em Portugal é “insustentável” e lamenta que as medidas “mais inovadoras” do novo Código do Trabalho não tenham merecido a concordância do Tribunal Constitucional (TC), revelou em comunicado.

Esta associação aponta principalmente o caso do regime que permitiria a uniformização de convenções para empresas ou sectores em que vigorassem diversos acordos colectivos, através da adesão voluntária individual dos trabalhadoras, que deve ter sido considerado “demasiado inovador” pelo TC, mas “teria permitido recuperar algum do muito tempo perdido nesta matéria”.

“A AIP defende um modelo aberto às ‘melhores práticas’ europeias, com maior grau de concorrência a nível sindical. O novo modelo português terá de ser criado a partir de negociações ao nível das empresas e não a partir das super-estruturas patronais e sindicais”, salienta no mesmo comunicado, citado pela Reuters.

O TC chumbou, na passada quarta-feira, quatro de sete grandes linhas estruturais do novo Código do Trabalho proposto pelo Governo, por serem inconstitucionais.

As novas regras do regime laboral deverão voltar a baixar à Assembleia da República para nova redacção e votação.

Comissão admite fraude “significativa” no escândalo do Eurostat

Reúne-se a partir de amanhã o Conselho Europeu de Salónica que assinalará o fim da presidência grega da União Europeia e a apresentação formal, aos Quinze, da proposta de Constituição Europeia elaborada pela Convenção para o futuro da Europa. Não sendo um documento consensual, esperam-se difíceis negociações a partir de Outono, aquando do início da Conferência Intergovernamental. Para já, é a França quem se mostra mais receptiva ao esboço já conhecido, enquanto que o Luxemburgo parece ser um dos Estados europeus mais críticos ao documento.

A partir de amanhã os Estados-membro da União Europeia e os seus dez novos candidatos ficarão a conhecer formalmente a proposta da Constituição Europeia elaborada pela Convenção, ao longo de 16 meses de intensos trabalhos presididos pelo antigo chefe de Estado francês, Valery Giscard d’Estaing.

O Conselho Europeu de Salónica, que marcará o fim da presidência grega da União Europeia (UE), ficará assim para a História como a cimeira que viu o esboço final daquilo que poderá vir a ser o primeiro texto constitucional da União Europeia.

Apesar deste documento resultar do consenso de 105 membros da Convenção, representando diversos patamares das diferentes sociedades nacionais, a verdade é que o projecto de Constituição, que agora vê a luz do dia, não está a agradar a todos os países. Neste capítulo, o debate nos últimos meses teve tendência a bipolarizar-se entre os interesses dos “grandes” contra o dos “médios e pequenos” Estados da UE.

No entanto, sendo possível estabelecer de facto essa divisão, a mesma não pode ser interpretada de uma forma rígida e puramente linear, uma vez que Estados como a Inglaterra ou a Espanha (considerados dos “grandes) já demonstraram algumas reservas em relação à proposta a ser apresentada.

Também a Alemanha e a Polónia já manifestaram o seu descontentamento em relação a algumas medidas. Berlim não esconde a vontade de federalizar, ainda mais, o documento apresentado, exigindo mais decisões por maioria qualificada, para se evitar a paralisia do funcionamento das instituições devido aos vetos nacionais.

Uma ideia que não é do agrado da Inglaterra, que continua a defender o sistema de unanimidade em questões tão vitais como a política externa ou assuntos fiscais.

Ana Palácio, ministra dos Negócios Estrangeiros espanhola, também não vê com bons olhos o novo sistema de votação no Conselho por maioria qualificada (representando 60 por cento da população comunitária), que permite o bloqueio de decisões naquele órgão, caso os três países mais populosos se aliem.

Mas, as vozes mais críticas vêm dos chamados “pequenos e médios” países, nos quais incluem-se Portugal (ver texto nestas páginas), destacando-se, no entanto, o Luxemburgo que, através do seu primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, numa entrevista dada ao “Der Spiegel, se mostrou “profundamente desiludido” com o texto apresentado, frisando que este apresenta “deficiências consideráveis”.

No campo oposto situa-se a Itália que já fez saber que o projecto representa um “passo histórico”. Mas, é a França quem está mais optimista com o esboço da Constituição europeia. O primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, sublinhou a sua “profunda alegria”, afirmando que Paris irá “aprovar as conclusões da Convenção”.

Para o primeiro-ministro grego, Costa Simits, o documento apresentado foi “a solução possível”, ao mesmo tempo que Valery Giscard d’Estaing considera que foi encontrado o “ponto de equilíbrio”.
Desta cimeira não deverão resultar grandes conclusões, ficando para a História a apresentação formal do projecto da Constituição europeia, porém, serão discutidos assuntos relacionados com os balcâs, assim como a nova abordagem da segurança europeia.

Entretanto, como já vem sendo hábito nas grandes cimeiras mundiais, o aparato policial assume contornos avassaladores. Visando o impedimento de manifestações de milhares de manifestantes anti-globalização, as autoridades gregas lançaram uma série de medidas rígidas em redor da luxuosa estância balnear de Porto Carras, próximo da cidade de Salónica.

A acrescer a isto, as forças de segurança gregas montaram um cordão de segurança em toda a península de Chalkidiki, composto por 15 mil polícias, soldados e guardas costeiros, por forma a assegurar o bem estar dos 30 chefes de Estado e Governo que estarão reunidos na cimeira de Salónica.

Receando igualmente atentados terroristas, a polícia grega tomou medidas sem precedentes, colocando mísseis terra-ar no solo e mobilizando navios de guerra, juntamente com 4 mil homens do Exército, Marinha e Força Aérea. “Esta é a maior operação no país concebida para todas as forças de segurança”, disse o porta-voz da polícia grega, Lefteris Economou. “Temos que assegurar que o local da cimeira esteja perfeitamente segura para o seus participantes”, acrescentou.

Prodi terá tido conhecimento prévio do escândalo Eurostat

A Comissão Europeia admitiu na terça-feira que as acusações que recaiam sobre o Eurostat (empresa de sondagens da União Europeia) assumiam contornos muitos mais gravosos do aqueles que se julgava, fazendo deste caso o maior escândalo financeiro desde que a Comissão liderada por Jacques Santer foi obrigada a demitir-se em 1999.

Os “afastamentos” do director-geral do Eurostat, Yves Franchet, e de outro director, Daniel Byk, no passado dia 21 de Maio, “na defesa dos interesses da instituição e para a melhor defesa dos referidos”, deixavam antever que o escândalo estava para rebentar.

Agora, alegadamente alguns dos antigos directores do Eurostat terão estado envolvidos num mecanismo de “desvios de fundos comunitários de grande envergadura”. Mas, o escândalo não se fica por aqui, chegando mesmo à cúpula do poder da Comissão Europeia que, segundo o “Financial Times, o seu presidente, Romano Prodi, e pelo menos outros três comissários, entre os quais Neil Kinnock (comissário da administração) e Pedro Solbes (comissários assuntos monetários), sabiam mais do aquilo que tinham admitido até esta semana.

Franchet chegou mesmo a referir, numa entrevista televisiva, que manteve Prodi e Kinnock sempre informados da situação, e que abordou regularmente o problema com Michaele Schreyer, comissária do orçamento, outra visada no escândalo.

Após várias críticas dos membros do Parlamento Europeu, Schreyer admitiu, esta semana, que o seu departamento tinha recebido um relatório em Fevereiro de 2000, alertando para uma possível fraude na Eurostat. “Mas, para espanto dos parlamentares europeus, ela insistiu que o assunto não tinha cativado a sua atenção até Maio de 2003, ainda que vários funcionários tenham sublinhado uma importância suficiente para se iniciarem investigações por fraude”, lia-se ontem no “Financial Times”.

Com as investigações e inquéritos a decorrerem este escândalo está a provocar um desgaste na imagem de Romano Prodi, que prometeu sempre fazer da Comissão Europeia “uma administração de classe mundial” que tivesse “tolerância zero” para a fraude.

Beckham já está no Real Madrid

À chegada a Tóquia, onde fará uma curta digressão promocional, o internacional inglês David Beckham manifestou-se feliz com a sua transferência do Manchester United para o Real Madrid, por 25 milhões de euros.

O já ex-jogador do Manchester United também se manifestou contente por regressar ao Japão, onde participou no último Mundial de futebol. Durante os três dias que permanecerá no país do sol nascente, Beckham vai encaixar qualquer coisa como sete milhões de euros, graças a contratos publicitários.
Entretanto, o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, comentou, a propósito da transferência, que o seu clube “não precisa de fazer grandes esforços” para contratar os melhores futebolistas do mundo, pois são estes que querem fazer parte dos merengues.
Florentino Pérez confessou que a transferência de Beckham foi apressada, porque o clube madrileno “não podia correr o risco de o negócio ser inflacionado” e minimizou eventuais problemas de convivência entre as “estrelas” do Real Madrid. O presidente do Real recusou pronunciar-se sobre o confronto com o novo presidente do Barcelona, Joan Laporta, que anunciou, durante a campanha, ter feito um acordo com o Manchester United para contratar David Beckham.