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Depois das Autárquicas
por Maria Valentina Machado

2009-10-17 13:04

Aquando das legislativas, o PS perdeu 25 deputados mas venceu as eleições. Agora, nas autárquicas o PSD perde 19 câmaras mas é o partido vencedor.

Aquando das legislativas, o PS perdeu 25 deputados mas venceu as eleições. Agora, nas autárquicas o PSD perde 19 câmaras mas é o partido vencedor. No primeiro caso, o PS perdeu a maioria absoluta mas ganhou uma maioria relativa que o vai obrigar a uma imensa ginastica parlamentar e de bastidores para governar o país. Espera-se, neste cenário, uma oposição responsável que não esqueça que no é essencial foi o programa socialista que foi maioritariamente votado
Agora, nas autárquicas, não obstante o PS ter reduzido significativamente a diferença relativamente ao PSD, não conseguiu ganhar a presidência da Associação Nacional de Municípios, nem tão pouco a das Juntas de Freguesias pois uma e outra continuarão com as cores laranjas porque o PSD ainda é maioritário.
Em termos de capitais de distrito o PSD é maioritário.Este Partido ganhou por 60 votos e em coligação com o CDS-PP, a Câmara de Faro e perdeu para o PS a de Leiria que era um dos seus bastiões, do que resultou apenas uma troca
Em termos globais o PSD é, como se disse, aquele que maior número de câmaras capitais de distrito possui pois detém a norte, Porto com uma maioria absoluta significativa, Aveiro, Coimbra, onde a disputa foi renhida ao longo da noite, Vila Real, Bragança, Viseu, Santarém, com um resultado extremamente folgado, Portalegre e Faro. Por seu turno, o PS continua a deter Lisboa, onde a luta foi renhida mas acabando por alcançar, nas duas ultimas freguesias apuradas, a maioria absoluta , Guarda, Castelo Branco, Viana do Castelo, Braga, Évora e Beja que desde sempre foi bastião da CDU, e ganha também Leiria que, como de referiu, foi sempre PSD, perfazendo um total de oito, enquanto que o PSD totaliza nove. A CDU, por seu turno, conseguiu manter Setúbal. Logo, em capitais de distrito do continente o PSD continua maioritário tendo havido apenas uma troca de Faro por Leiria e o PS conseguiu ganhar Beja.
O PS, neste acto autárquico, considera-se ganhador porque conseguiu encurtar a distância que o separava do PSD, conquistando 22 câmaras a este Partido e à CDU. Esta coligação perdeu, relativamente a 2005, 4 câmaras ficando agora com um total de 28, distribuídas pelos distritos de Santarém, onde recuperou Alpiarça, Setúbal onde ainda tem uma representatividade muito considerável, e nos 3 distritos alentejanos onde vem cedendo lugar ao PS. De facto, aquela coligação tem vindo a perder terreno no Alentejo e, após este acto eleitoral, venceu em Nisa, Crato e Aviz, num total de 15 concelhos tendo o PSD vencido em Sousel, Fronteira, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Arronches e Alter do Chão, num total de 7 e para o PS os 5 restantes Elvas, Campo Maior , Monforte, Ponte de Sor e Gavião
No que confere ao distrito de Évora , a coligação também perdeu 2 câmaras para o PS ficando portanto com Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Mora e Arraiolos, num total de 4, tendo perdido Viana do Alentejo e Vila Viçosa para o PS, ficando este partido, para além destas, com Évora, Portel, Reguengos de Monsaraz, Mourão e Borba num total de 7, tendo perdido para candidaturas independentes Estremoz e Alandroal.que se juntam assim ao Redondo
É neste distrito alentejano que se regista o fenómeno dos independentes que, como aliás em todo o País, são dissidentes dos vários Partidos
Relativamente ao distrito de Beja a CDU detém Barrancos, Moura, Serpa , Vidigueira, Alvito que foi agora reconquistado e CastroVerde perfazendo 6 num total de 14, ficando os restantes 7 para o PS - Beja, Ferreira do Alentejo, Ourique, Mértola, Odemira e Aljustrel e1 para o PSD, Almodovar.
Na análise dos 3 distritos alentejanos verifica-se que a CDU vai perdendo terreno, regra geral para o PS, mantendo o PSD o seu predomínio no distrito de Portalegre. Curiosamente este partido não consegue marcar posição nos distritos de Évora e Beja, não tendo no primeiro qualquer câmara e no segundo apenas Almodovar A sua maior implantação, no continente, é precisamente a norte e no centro embora seja bastante considerável a sua representatividade no Algarve
O CDS-PP mantém a sua única câmara de Ponte de Lima e depois parece contentar-se com a sua participação em listas de coligação com o PSD e outros pequenos partidos como o MPT e o PPM, não ficando com uma só presidência de Câmara o que em termos de quem quer crescer e conseguiu, nas eleições legislativas, é muito pouco expressivo Do discurso de Paulo Portas infere-se que a presença do Partido nas listas da coligação contribuiu e em muito para a vitória do PSD naqueles concelhos nomeadamente no Porto e Felgueiras. Daqui se infere também que o CDS-PP não consegue impor-se como partido autárquico sem ser coligado, que o mesmo é dizer-se sem a boleia do PSD. Se ao menos tivesse conseguido mais uma câmara poder-se-ia pensar que se começava a inverter a situação.
Também com uma só câmara está o BE, que já ganhara em votações anteriores (Salvaterra de Magos) o que pode significar a real implantação do partido não apenas no interior, como nas grandes cidades como é o caso de Lisboa e Porto onde não conseguiu sequer manter os vereadores que tivera em 2005 Se o CDS-PP não avança, o BE recua estrondosamente
Os resultados obtidos pelo CDS-PP e BE são a confirmação de que nas votações autárquicas conta muito mais a personalidade do candidato e respectiva lista, do que propriamente o Partido que está por detrás. O crescente.número de candidaturas independentes ganhadoras que se vem verificando de norte a sul do país é exactamente esclarecedor do que acima se diz
Mas sendo assim porque motivo é que os chamados pequenos partidos concorrentes ao poder autárquico não se conseguem organizar nos mesmos moldes que as candidaturas independentes? Salvo melhor opinião, de raiz, são problemas diferentes. Talvez se os pequenos partidos concorressem em pequenos concelhos onde os cabeças de lista sejam conhecidos os resultados seriam diferentes. O caso de Salvaterra de Magos e de Ponte do Lima são igualmente esclarecedores, pois quem ganhou não foram os respectivos partidos que apresentaram as candidaturas mas sim os candidatos. Ao invés, as candidaturas independentes de Felgueiras e de Matosinhos redundaram em fracasso não obstante tratar-se de pessoas muito conhecidas.
Terminada a euforia do ciclo eleitoral que se viveu, é de lançar mãos ao trabalho pois o tempo urge e não se compadece com o deixar andar
Finalmente Sócrates está indigitado como Primeiro Ministro. Agora há encetar negociações com os demais partidos parlamentares, procurando acordos de incidência parlamentar, para governar o País, cuja situação, ainda de crise, exige não apenas do Governo como da Oposição um consciente sentido de Estado.

Maria Valentina da Silveira Machado/ Docente da ULHT

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