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Manuela Ferreira Leite deve continuar à frente do PSD?
Sim
Não
 

F.Leite com espaço para fazer o que quiser às listas de Lisboa e Porto
por Rui Teixeira Santos

2009-07-24 02:04

As listas propostas publicamente pelas Distritais de Lisboa e Porto do PSD, por serem sectárias e manifestamente hostis à líder, demonstram que os líderes distritais estarão mais preocupados em satisfazer as suas clientelas que em elaborar uma lista de deputados convincente e capaz de levar o eleitorado a votar maioritariamente no PSD.

As listas propostas publicamente pelas Distritais de Lisboa e Porto do PSD, por serem sectárias e manifestamente hostis à líder, demonstram que os líderes distritais estarão mais preocupados em satisfazer as suas clientelas que em elaborar uma lista de deputados convincente e capaz de levar o eleitorado a votar maioritariamente no PSD.
E esta questão é grave por três razões: em primeiro lugar, porque demonstra que o aparelho laranja perdeu a visão de Estado que sempre teve, ou seja, que as lideranças locais percebam que um partido é um conjunto de pessoas unidas por ideais comuns e não um "clube de fãs" encarneirados numa liderança.
E se a ideia era a de obrigar Manuela Ferreira Leite a vir a jogo e a impor por via nacional os seus nomes de amigos, ou inimigos, as suas escolhas justificadas, também a táctica foi errada. Porque as listas propostas para Lisboa e Porto são de tal modo más e mal feitas que Ferreira Leite tem todo o espaço de manobra pura e simplesmente para nem as tomar em consideração.
E este é um risco que Carlos Carreiras e Marco António correm. Quiseram satisfazer as suas clientelas, aproveitando o vazio interno permitido por Ferreira Leite, mas foram de tal maneira imprudentes que agora permitem que a direcção nacional exclua todos os seus apoiantes em nome de uma lista pouco razoável e apenas de gratuito confronto.
Ou seja, Carreira e António correm o risco de serem enxovalhados pela direcção nacional, depois de terem apresentado estas listas, e sobretudo correm o risco de defraudar as suas clientelas, pois acabarão por não entrar, porque as direcções distritais não souberam negociar listas equilibradas e de consenso.
São jogos de intendência, desacertos para desgastar a líder, mas que acabam - por serem mal feitos - por facilitar a vida à própria líder que pretendiam prejudicar.
Aliás, não é a primeira vez que o erro táctico destas distritais acaba por beneficiar Ferreira Leite. Aconteceu no último Congresso, em que as duas distritais se uniram no apoio a Alberto João Jardim, que finalmente não apareceu, o que acabou por fragilizar as candidaturas de Pedro Santana Lopes e de Pedro Passos Coelho, beneficiando Ferreira Leite, que chegaria a líder com pouco mais de 30 por cento dos votos nas directas do PSD.
Mais uma vez, agora com as listas, as distritais abrem a porta a que Ferreira Leite tenha legitimidade para rasgar as listas das distritais sem que ninguém se impressione com isso e escolha pessoalmente uma lista capaz de representar o partido e conquistar a confiança do eleitorado.


Bancos podem subir resultados em 35%
Serão escandalosos os resultados fabulosos da banca no primeiro semestre?

As acções europeias deverão registar uma subida de 11% nos últimos seis meses do ano, animadas pela melhoria dos resultados das cotadas, segundo as previsões dos analistas inquiridos pela Bloomberg.
O índice subiu 6,8% na semana passada e acumula uma subida de 8,7% este ano, recuperando de uma descida anual que atingiu 20%, ao registar mínimos a 9 de Março.
A continuar assim, a confiança estará de regresso e com ela o crédito, os negócios e a recuperação do valor dos activos.
Com o regresso da expectativa de crescimento, muitos desempregados acharão chegado o momento para regressar ao mercado de trabalho (nomeadamente as mulheres), o que, num primeiro momento, fará subir as taxas de desemprego (pessoas à procura de emprego), significando paradoxalmente a melhoria da situação económica.

A questão do resultado dos bancos

Mas esta semana há um facto relevante na economia portuguesa, que são os resultados surpreendentemente altos que os bancos vão apresentar, podendo representar subidas superiores de 35%.
E a pergunta que o cidadão comum fará é se, de novo, os bancos não estarão a correr riscos excessivos, porque há sempre por detrás um Sócrates generoso disponível para socializar os eventuais prejuízos.
O cidadão comum sabe intuitivamente que grandes lucros significam sempre grandes riscos e ao ver até a CGD a ganhar dinheiro desconfia de uma nova irresponsabilidade dos banqueiros.
Ora desta vez, o cidadão comum não tem razão, apesar das poucas razões de confiança que os banqueiros lhe dão.
É que se vive uma conjuntura extraordinária que facilita os lucros dos bancos, sobretudo daqueles, como os portugueses, que não tiveram grandes prejuízos na crise.
Os bancos praticamente não remuneram os depósitos e os portugueses estão a poupar mais e a usar menos o cartão de crédito.
Por outro lado, o funding do BCE é descontado a um por cento e os bancos há décadas que não tinham spreads tão elevados. Tudo por falta de concorrência, com a saída dos estrangeiros e a quase-falência dos pequenos bancos.
Não há falta nenhuma de liquidez no mercado, é totalmente falso o que os banqueiros dizem e que o governo socialista repete para justificar que os riscos dos bancos sejam garantidos com os pacotes do Governo... Aliás, quando foram necessários 800 milhões para a Mota e Companhia comprar a Lusoponte, eles apareceram logo e estávamos no pico da crise - o próprio Jorge Coelho foi à televisão contar.
O que se passa é que os bancos estão mais rigorosos na concessão de crédito às empresas e não querem assumir os riscos dos negócios, exigindo colaterais, cujo valor querem certificar que é bem superior às necessidades, em caso de incumprimento.
É aqui a grande diferença que vai ficar desta crise. Mais rigor na avaliação dos activos.
Mas, Faria de Oliveira, Fernando Ulrich, Santos Ferreira ou Ricardo Salgado escusam de ter ilusões!

Estas condições não duram para sempre

Este momento excepcional para os bancos não vai durar sempre. Esta falta de concorrência e este mercado único não vão durar muito mais tempo, apesar do ministro das Finanças criar administrativamente todos os obstáculos possíveis à entrada de novos players no mercado, como vimos no caso da proposta aparentemente muito razoável do Grupo D'Orey para o BPP. Teixeira dos Santos está a defender o status de reduzida concorrência que se vive em Portugal (com as dificuldades de tesouraria dos pequenos bancos e, sobretudo, a retirada dos bancos internacionais e dos investidores privados).
Mas, senhores banqueiros, isto não dura muito mais!
Mesmo que os socialistas asfixiem a iniciativa privada nacional, como tentaram fazer durante esta crise, a concorrência espanhola, europeia e estrangeira entrará pelas nossas fronteiras e ficará para a história mais esta tentativa provinciana de tentar administrativamente proteger o mercado e as margens dos "banqueiros do costume".
Em suma, os bancos estão a ter lucros porque as condições únicas do mercado o permitem e não porque estejam a gerir mal ou a arriscar de mais. Em segundo lugar, estas condições únicas dos bancos não vão durar para sempre, pelo que é recomendável que os banqueiros se preparem para a concorrência feroz que vem aí.
E vem aí já no próximo semestre, antes do final do ano.
Se não se prepararem, aí é que enfrentam o risco de terem prejuízos graves e do "buraco" sobrar para todos nós.


Sobe

António Guterres
Se o PS e Sócrates ganharem as legislativas, António Guterres é o nome mais desejado para uma candidatura presidencial, ainda que Manuel Alegre queira avançar também. O PS já fez saber a Cavaco Silva que nenhum presidente foi reeleito sem o apoio dos dois partidos do centro e que a "oposição" de Belém à estratégia do governo socialista inviabilizou em definitivo um apoio à sua recandidatura. Neste início de Verão, Guterres fez-se notar com a entrevista ao "Público".

Manuela Ferreira Leite
Ferreira Leite diz ter o "direito de saber o que vai encontrar" se for eleita e afirma que "afinal as contas públicas estão verdadeiramente descontroladas"."Surge a ideia e os factos de que afinal as contas públicas estão verdadeiramente descontroladas", disse a líder do PSD, que insiste numa avaliação das finanças públicas pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental, um órgão da Assembleia da República."Se o PS continuar a negar essa possibilidade, eu retirarei as conclusões: há muito escondido e que é necessário não mostrar", acrescentou. Para a líder social-democrata, "quem se candidata a ter responsabilidade no País tem o direito de saber exactamente o que se vai encontrar".
Esta nova avaliação pedida pelo PSD surge depois dos últimos dados da Direcção-Geral do Orçamento (DGO), que mostraram um agravamento de quase 300% do défice do subsector Estado até Junho. Bem jogado...

Vieira da Silva
A Segurança Social está à procura de investidores para empresas endividadas e vai oferecer um serviço de intermediação com potenciais investidores. As empresas terão quatro soluções diferentes para as empresas regularizarem e renegociarem as suas dívidas. Finalmente a Segurança Social passa a funcionar como um parceiro activo das empresas, em vez de ser a principal razão da sua falência. Pena que o Fisco e Teixeira dos Santos não tenham essa cultura. É surrealista que tenha sido o Governo a mandar para a falência mais de um milhão de empresas só nos primeiros dois anos de mandato, por causa de dívidas fiscais. Que jeito dariam hoje para aumentar o emprego. Mas apesar do passo no sentido certo dado por Vieira da Silva, dever-se-ia ir mais longe e transformar a recuperação das dívidas ao Estado e à SS numa verdadeira recuperação de crédito dos bancos, onde só os incompetentes é que provocam falências ou provocam execuções e, bem pelo contrário, os bons banqueiros aproveitam para ganhar dinheiro e apoiar as empresas em dificuldade. Esta, sim, seria a grande reforma administrativa e cultural da DGCI e da SS.

Fernando Pinto
Quando a TAP comprou a empresa de manutenção brasileira VEM, herdou dívidas fiscais na ordem dos 400 milhões de reais (o equivalente a 148 milhões de euros). Parte será paga através da prestação de serviços à Força Aérea brasileira.

Oliveira Martins
O Tribunal de Contas divulgou quarta-feira o relatório de auditoria que fez à Concessão do Terminal de Contentores de Alcântara (TCA), em que conclui que prorrogação da concessão à Liscont foi um mau negócio para o Estado e um mau exemplo de gestão financeira do sector público. Também o Ministério das Obras Públicas tornou público o exercício de contraditório que havia assinado em Abril, e respondeu às conclusões preliminares que foram feitas pelos auditores da instituição presidida por Guilherme d'Oliveira Martins. Esses argumentos foram tidos em conta na redacção do relatório final, mas não foram suficientes para alterar o entendimento dos juízes do TC, que mantêm que o contrato de concessão que a Administração do Porto de Lisboa (APL) prorrogou "não consubstancia nem um bom negócio, nem um bom exemplo, para o Sector Público, em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos". Os auditores sublinham que a solução "mais prudente" e que "melhor acautelava os interesses financeiros do concedente público" seria aguardar o termo da concessão, em 2015, e lançar um novo concurso público. Para além das questões da concorrência, que aqui saíram prejudicadas, o TC refere que este processo evidenciou "a fragilidade negocial que o Tribunal tem vindo regularmente a apontar aos concedentes públicos".


Abel Mateus
Portugal pode ter, em dez anos, os mesmos problemas da Islândia, alerta Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência numa entrevista ao "Jornal de Negócios". Mateus diz que não encontra folga para grandes investimentos, nos próximos anos e refere que, "somando a dinâmica externa que existe com esses grandes projectos, resulta um endividamento externo de 240 por cento do PIB, no ano 2020". "Se não tivermos juízo, podemos ficar como a Islândia", afirma Mateus, referendo o exemplo do país que esteve na iminência de uma bancarrota. O antigo líder da Concorrência sustenta, ainda, que o próximo Governo tem de olhar com cuidado para as restrições financeiras e restabelecer as condições de crescimento para a economia portuguesa. "É necessário novamente uma combinação de políticas de ajustamento estrutural. É nos períodos de crise que se devem criar condições para uma recuperação mais acentuada. Abel Mateus defende ainda que a política seguida nos últimos anos manteve um elevado peso do sector público, com custos acrescidos para o sector privado.



Desce

Pinto Ribeiro
Era para ser o sangue novo do Governo e acabou por não ser nada. Porém, conseguiu trazer para o Museu de Arte Antiga de Lisboa uma exposição que fala da importância portuguesa nos séculos XVI e XVII, que vale a pena visitar. Organizada pela Smithsonian Institution, "Encompassing The Globe" esteve patente entre Junho e Setembro de 2007 na Arthur M. Sackler Gallery, em Washington (EUA). Depois viajou para Bruxelas, para o Palais des Beaux Arts, onde esteve entre Outubro de 2007 e Fevereiro de 2008, sob o título "Autour du Monde, Portugal dans le Monde aux XVI e XVII Siècles". Agora, chega ao Museu de Arte Antiga, em Lisboa, onde ocupa a totalidade do piso 3 do museu e é enriquecida com uma série de tesouros nacionais, que, por razões óbvias, não puderam acompanhar a exposição na sua digressão. Mas como nada corre bem a este governo nesta fase, tinha que haver a sua nota "pidesca e controleira" também na Cultura. Á porta do MAAL os jornalistas são controlados, registando o Ministério da Cultura, além da carteira profissional, o BI, os telefones privados, etc. Para que quer Pinto Ribeiro os dados pessoais dos jornalistas, escritos num papel manhoso e sem razão expressa? Este PS não tem emenda...

Rui Teixeira Santos

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