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Manuela Ferreira Leite deve continuar à frente do PSD?
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Crise no centro-direita
por Rui Teixeira Santos

2008-12-26 15:31

Com as legislativas certamente a serem marcadas em simultâneo com as europeias, a direita começa a pensar se não é altura de desligar a máquina do que manter em vida vegetativa a actual liderança. Todos dizem a Menezes para avançar com o congresso, para destituir a senhora, mas ninguém se quer colar ao antigo líder, apesar da confrangedora prestação do PSD.

A divisão é entre cavaquistas e não cavaquistas

Com as legislativas certamente a serem marcadas em simultâneo com as europeias, a direita começa a pensar se não é altura de desligar a máquina do que manter em vida vegetativa a actual liderança. Todos dizem a Menezes para avançar com o congresso, para destituir a senhora, mas ninguém se quer colar ao antigo líder, apesar da confrangedora prestação do PSD.
As sondagens são implacáveis e o PSD está actualmente como cerca de 16 ou 17 por cento de opiniões expressas segundo alguns especialistas, o que se traduziria depois em pouco mais de 24 a 27% das intenções de voto. Ora nem no pior momento de 2005 o PSD caiu para menos de 21 ou 22% dos votos expressos.
Em Lisboa, embora Santana Lopes possa ter pessoalmente o dobro do PSD, o partido não terá mais de 15% das intenções de voto expressas, o que significa que o PSD não meterá sequer 10 deputados.
Ora é neste contexto que a liderança do PSD parece cada vez mais entregue ao seu coma, na esperança que o governo Sócrates seja empurrado para a rua, com a crise económica. Ferreira Leite nem sequer está a ver que, depois da intervenção na banca e no crédito, o Governo pode antecipar as verbas do QREN - ou seja, mais de 22 mil milhões de euros - para fazer frente à crise, ao mesmo tempo que dispõe de margem orçamental para aumentar a despesa pública, armas decisivas para aguentar a agenda mediática e talvez mesmo evitar que a crise se aprofunde.
Os próprios apoiantes de Ferreira Leite já perceberam que está na hora de mudar de rumo. Pacheco Pereira e Morais Sarmento percebem que é inevitável a antecipação das legislativas, mesmo com Cavaco Silva neutralizado a enviar para o Tribunal Constitucional o Estatuto dos Açores. E já começaram o seu processo de distanciamento da líder social-democrata, aproveitando o pretexto desta ter escolhido Santana Lopes para Lisboa. Ambos dispararam contra Ferreira Leite, deixando-a mais isolada e sem apoios mínimos, estando portanto à mercê de qualquer iniciativa.
Todos perceberam, no PSD, que José Sócrates vai provocar essa antecipação: o primeiro-ministro José Sócrates não pode correr o risco do voto de protesto nas europeias e já se começa a falar na necessidade de poupar, em tempo de crise, de não desbaratar recursos em três campanhas, mais ainda que a população veria mal que os políticos fizessem três eleições num só ano, exactamente para justificar a antecipação das legislativas para cima das europeias, deixando as autárquicas para Outubro ou Novembro. Além disso, o primeiro-ministro tem a desculpa de já ter concluído os quatro anos do mandato constitucional.
É neste contexto que as pedras se começam a mexer na direita portuguesa. Deixar Ferreira Leite ir a votos pode inclusivamente comprometer os lugares da nomenclatura e como partido de Poder o PSD precisará sempre de ter pelo menos 35% dos lugares.
Por outro lado, de Belém chega também o distanciamento relativamente à actual liderança e começa a preparar-se a sucessão de Ferreira Leite. Alexandre Relvas, que visivelmente não tem perfil, mas é muito boa pessoa, e próximo do Presidente da República, foi, diz-se que por alegada pressão de gente próxima de Belém, convidado para falar no American Club, em Fevereiro, para garantir alguma notoriedade, numa altura em que se espera os dados estejam a ser jogados.
Belém não acredita em Marcelo, nem em Sarmento e aposta agora em Alexandre Relvas, mostrando claramente que o Presidente Cavaco Silva quer ter uma palavra a dizer no partido, eventualmente tendo em conta o Bloco Central, que lhe daria um protagonismo adicional ou a própria reeleição.
Do outro lado, obviamente, continua Pedro Passos Coelho. E esta fractura é nova, porque a conflitualidade no PSD e na direita, cada vez se resume mais a uma divisão maniqueísta entre cavaquistas e anticavaquistas.
Parece haver unanimidade em não levar Ferreira Leite a votos nas legislativas. Até Junho há seis meses. O tempo é escasso e o PSD tem que ponderar como vai fazer as mudanças.
Convocar um congresso para Fevereiro ao Março para, depois, fazer directas e, de seguida, outro congresso parece uma loucura do ponto de vista comunicacional em vésperas de actos eleitorais. Portanto, a estratégia de Luís Filipe Menezes acaba por ser suicida - como logo reparou Marcelo Rebelo de Sousa -, até porque a actual liderança acabou por escolher os autarcas que Luís Filipe Menezes escolheria também.
Assim, o cenário mais desejável para a substituição de Manuela Ferreira Leite tem que passar pela recuperação do modelo que avançámos há três meses: uma moção de censura - em face da pressão das sondagens - à líder no próximo Conselho Nacional do PSD, em meados de Janeiro.
Manuela Ferreira Leite perderá naturalmente e o CN convocará eleições directas para Fevereiro/Março e o Congresso Extraordinário para Março/Abril.
Neste congresso e nestas directas, repito, o que está em causa é o cavaquismo e o não cavaquismo. Ou seja, a necessidade de clarificar, numa altura em que, aliás, o caso BPN exigirá novas explicações por parte de alguns antigos responsáveis do cavaquismo. Ou o PSD fica refém da estratégia pessoal de Aníbal Cavaco Silva, ou o PSD assume que tem uma agenda própria e um programa para resolver os problemas dos portugueses e ser alternativa ao governo de José Sócrates. Para bem da democracia, espero que estes últimos ganhem.
O novo líder pode então surgir a tempo de desafiar o PS do primeiro-ministro José Sócrates, fortalecido, apesar de tudo, pela resposta à crise económica e, sobretudo, pelo desgaste que Manuel Alegre sempre causa nas bases eleitorais do PCP e do BE (e não do PS, como artificialmente se tem defendido).
Se a direita não se clarificar rapidamente, já no próximo mês, então o próprio Presidente da República pode enfrentar uma nova realidade política e podem começar a fazer sentido os cenários de renúncia ou de não recandidatura.



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Crise mundial

2009: o ano do regresso a África

Em plena crise económica será África a solução para os milhares de portugueses que decidiram voltar a percorrer os passos do antigo Império? Em primeiro lugar, os países africanos são naturalmente os mais vulneráveis. Vulneráveis à crise do crédito bancário e do seguro de crédito às exportações, muito embora a maioria viva de ajudas internacionais ao desenvolvimento e poucos sejam "players" relevantes no mercado financeiro global.
Por outro lado, os países produtores de alimentos sofrem, agora, as consequências da deflação e os planos gigantescos dos Estados produtores de petróleo vão necessariamente sofrer atrasos por causa da queda do preço do petróleo.
Mas em economia há pelo menos uma certeza: que "depois do mau tempo, tempo bom virá".
Neste contexto, o que agora se faz tem consequência no futuro.
Da Conferência de Euro-África, organizada por José Sócrates, em Lisboa, durante a presidência portuguesa da UE, obviamente nada ficou.
E nada ficou porque ele partiu de um erro fatal, muito neocolonialista e sem qualquer adesão à realidade: de que África enquanto entidade política social e económica existe.
Ora, nada de mais errado: África são 52 Estados com histórias económicas políticas e sociais diferentes. Com uma origem comum na colonização é certo. Com uma dor conjunta no complexo do colonizado. Mas em tudo o resto África é diferente.
E, nesse sentido, como ainda recentemente advertia um conhecido mestre, o melhor mesmo é não ligar a BBC ou a CNN, que reduzem África ao conflito do Congo, à resistência suicida de Mugabe ou à pirataria na Somália.
Tudo somado ainda se está para ver se não estamos perante novas guerras neocoloniais para justificar novas formas de intervenção no continente. Para já a pirataria permitiu deslocar para a zona do Golfo e do mar Vermelho - estratégicos para o petróleo - Marinhas de guerra de todos as nações do G7. Edificante, portanto...
Dito isto a uma África nova cheia de oportunidades, depois das guerras civis do período pós-colonial. Uma realidade com países pacíficos e com mercados internos em desenvolvimento, mas sobretudo que poderão substituir a China como fábrica do mercado global, com mão-de-obra ainda mais barata.
O modelo de desenvolvimento assente no microcrédito coloca o aumento tónico não necessariamente no valor económico, mas na realização e autonomia da pessoa. De certo modo estamos perante lógicas marginais ao capitalismo e que podem ser instrumento para o desenvolvimento do mercado interno.
Ainda que as exportações continuem a ser centrais para a captação de recursos, as ONGs são hoje parceiros económicos relevantes e o microcrédito o instrumento inevitável para a criação do mercado interno.
África colonial foi construída com base em portos de onde partiam as matérias-primas. O problema só se agravou depois, com as nomenclaturas dos novos Estados independentes. Só agora chega o momento de pensar nas estradas, nas comunicações, nas infra-estruturas do mercado interno e sobretudo na formação.
São áreas de negócio enormes, onde o engenho e a vocação dos trabalhadores europeus podem fazer a diferença.
Será que no novo ciclo a Europa volta a ser exportadora de mão-de-obra e engenho empresarial? Acredito que sim. E desta vez a hora de África pode coincidir com a hora da partida da Europa para muitos europeus apanhados sem querer pela mais devastadora crise sistémica da história do capitalismo.

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Uma oportunidade para Portugal

O que mais custa neste fim de ano é ver o País desprotegido, a sofrer mais que os outros com a crise económica, a endividar-se a níveis que vão comprometer o futuro, nomeadamente exigindo mais impostos aos portugueses, quando temos o privilégio de estar localizados na Europa, de ter o melhor clima europeu, de sermos um dos países mais bonitos do planeta e todos os europeus sonharem, um dia, em vir viver para um país como o nosso.
Voltar a sonhar que podermos ser a "Califórnia da Europa", a "terra das oportunidades" para os jovens europeus que para aqui queiram vir, passa necessariamente pela educação, pelo ensino. Passa pela captação de jovens nacionais e estrangeiros para integrarem um ensino de qualidade e excelência. É a aposta do conhecimento, que não vale pelo Magalhães, mas pela liberdade do ensino e pela liberdade da educação.
Mas há também que ser um país que, para além de jovens empreendedores, atraía os idosos, os reformados à procura do bom sol, da boa comida dos melhores hospitais e da nossa simpatia. Há milhões de reformados europeus que adorariam vir para Portugal.
E depois disso, isso sim, depois disso viriam as Microsoft, as Ciscos, os centros de investigação e a ourivesaria industrial que faz os países terem sucesso e serem vencedores.
Difícil? Não! Nada difícil!
Basta atrair inteligência ao País, para relançar Portugal e a sua imagem, como destino de empreendedores, como terra de bem-estar, de justiça e garantia de sucesso. De jovens e de reformados. De novos e velhos.
De festa, enfim, agora que o mundo se afunda na desgraça da recessão. Basta acreditar que podemos ter sucesso.
Ir à luta e aproveitar a oportunidade.
É a fé. Certo. Mais uma vez a fé. O acreditar.
A fé que, mais uma vez, nos salva!
Um Santo Natal.

Rui Teixeira Santos

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