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Europa a caminho da recessão
2008-09-12 13:45

Europa a caminho da recessão e recuperação em Portugal só em 2010
Almunia aconselha países da UE a tomar medidas para travar abrandamento económico

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, solicitou aos países da União Europeia (UE) que tomem medidas para evitar uma desaceleração económica ainda mais profunda e prolongada. Alemanha, Espanha e Reino Unido vão mergulhar neste ano numa recessão técnica, definida como dois trimestres consecutivos de contracção do PIB em cadeia. As previsões são da Comissão Europeia, que cortou as previsões para o crescimento da Zona Euro. Entretanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a expansão da economia mundial vai continuar a abrandar na segunda metade do ano, sendo de esperar uma recuperação apenas em 2009. Mas, nos negócios, todos duvidam: a economia só começará a dar sinais de recuperação em 2010. Pelo menos no caso português, a retoma do imobiliário nunca se fará antes do segundo semestre de 2010. Estes números confirmam as expectativas do SEMANÁRIO, que continua a insistir com a provável recessão global a partir do primeiro trimestre do próximo ano.

A Comissão Europeia reviu esta semana, em forte baixa, as previsões de crescimento económico este ano para a Zona Euro, dos actuais 1,7% para 1,3%. Bruxelas aumentou ainda as estimativas de inflação da Zona Euro para 3,6%, contra os 3,1 antecipados anteriormente. A meio da semana, o comissário Almunia aconselhava os países da UE a tomar medidas para travar abrandamento económico. Por seu lado, o líder do Eurogrupo e ministro luxemburguês das Finanças, Jean-Claude Juncker, afirmou também que vê um "risco de recessão técnica na Europa"."A actividade económica abrandou consideravelmente" nos últimos meses, referiu Juncker, que é também primeiro-ministro do Luxemburgo.
"Mesmo com os melhores instrumentos à nossa disposição, não teríamos sido capazes de mudar aquilo que aconteceu fora das fronteiras da União Europeia", afirmou o líder do Eurogrupo, citado pela Bloomberg, depois de ter falado junto do comité dos assuntos monetários e económicos do Parlamento Europeu.

Previsões intercalares

Estas são as previsões intercalares do Executivo Comunitário para as sete maiores economias da região - grupo que não inclui Portugal -, que são extrapoladas para o conjunto da Zona Euro e da União Europeia.
Segundo os números de Bruxelas, a Zona Euro deverá conhecer uma estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre face ao anterior, e depois um crescimento de 0,1% no quarto trimestre, após um recuo de 0,2% no segundo, escapando, mas por pouco, a uma recessão técnica, que se caracteriza por dois trimestres consecutivos de crescimento económico negativo.
O executivo europeu prevê que vários países europeus conhecerão a nível nacional uma recessão técnica, começando pela Alemanha, a primeira economia europeia que deverá registar um recuo de 0,2% do PIB no terceiro trimestre, após uma baixa de 0,5% no segundo, terminando o ano a crescer 1,8%, o mesmo valor apontado anteriormente.
A Espanha deverá também resvalar para uma recessão no final do ano, com uma baixa de 0,1% do PIB no terceiro trimestre e de 0,3% no último, indica Bruxelas, crescendo apenas 1,4% em 2008, contra os 2,2% antecipados anteriormente.
A recessão vai também afectar o Reino Unido, mas um pouco mais tarde, segundo a Comissão, que aponta para um recuo do PIB britânico de 0,2% no terceiro e no quarto trimestre, pelo que a previsão de crescimento económico este ano passou de 1,7 para 1,1%.
A Comissão Europeia adianta que os principais riscos de descida do crescimento da economia europeia já identificados nas Previsões da Primavera foram "materializados": "O agravamento da crise nos mercados financeiros, a subida dos preços de base e o impacto de vários mercados de habitação a propagarem-se."
"Neste ambiente difícil e incerto temos de aprender com os erros do passado e manter a mesma linha de acção. Avançar com a agenda europeia de reformas é crucial para continuar a criação de empregos e enfrentar com sucesso os choques externos", concluiu o comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia.

Retoma só no próximo ano

O crescimento mundial vai abrandar para os 3% "até final de 2008" antes de acelerar para 4% "durante 2009", disse o director-gerente do FMI, John Lipsky, num discurso esta semana em Frankfurt, na Alemanha, citado pela Lusa. Os números mais precisos serão revelados "no próximo mês", disse.
"A retoma da actividade económica mundial em 2009 deverá ser desencadeada pelo fim dos efeitos da subida dos preços do petróleo, de mais de 50% em 2008, e pelo mercado imobiliário norte-americano, que deverá ultrapassar a vaga de crise", explicou John Lipsky.
A Zona Euro deverá manter-se nos 0,75% no quarto trimestre de 2008, melhorando para 1,5% nos últimos três meses do próximo ano, indicou o responsável.
Quanto aos Estados Unidos, a maior economia do mundo, o Fundo aponta para um crescimento de 1% entre Outubro e Dezembro de 2008, devendo progredir para 1,5% no último trimestre de 2009.
As economias emergentes serão "igualmente afectadas" pela crise global, segundo Lipsky. O crescimento nestes países deverá passar de "mais de 8% no quarto trimestre de 2007" para "pouco mais de 6%" no quarto trimestre de 2008 e para "mais
de 7%" no período homólogo de 2009".
Com a crise financeira e o aumento "dramático" dos preços das matérias-primas, "a economia mundial enfrenta a conjuntura mais difícil dos últimos anos", disse Lipsky.

Trichet reitera determinação do BCE em combater inflação

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou esta semana que é provável que a economia comece a recuperar da actual crise no final deste ano, pelo que travar a inflação continua a ser a sua principal preocupação.
"O actual episódio de fraco crescimento económico deverá ser seguido de uma recuperação gradual", disse Jean-Claude Trichet no Parlamento Europeu, esta semana, em Bruxelas, citado pela agência Bloomberg, sublinhando que "o BCE está determinado a manter as suas expectativas de médio e longo prazo da inflação em linha com a estabilidade de preços".
Os responsáveis de política monetária continuam preocupados com facto de que a escalada dos preços do petróleo nos últimos meses poderá levar as empresas a subir os seus preços e os trabalhadores a exigir maiores salários para compensar o aumento do custo de vida.
O BCE manteve a sua taxa de juro inalterada na semana passada nos 4,25%, o valor mais elevado dos últimos sete anos.
A inflação na Zona Euro situa-se actualmente nos 3,8%, quase o dobro do limite estabelecido pelo Banco Central, ao mesmo tempo que a economia se esforça para conseguir recuperar da contracção registada no segundo trimestre deste ano.
Jean-Claude Trichet adiantou ainda que a recente queda de 28% registada nos preços do petróleo face ao valor recorde de 147,27 dólares o barril, alcançado a 11 de Julho, "irá ajudar a reforçar o rendimento líquido real".
O barril de crude encontrava-se esta semana ligeiramente acima dos 104 dólares em Nova Iorque, continuando ainda assim 61% mais caro do que há dois anos atrás, depois da OPEP ter anunciado a intenção de cortar a produção no quarto trimestre do corrente ano.
"Existe um forte receio no Conselho de Governadores de que os elevados preços da energia e dos alimentos possam conduzir à emergência de uma série de efeitos secundários."

Alta do petróleo deverá continuar

O preço das matérias-primas "deverá manter-se a níveis muito mais elevados que antes" e "muito sensíveis à evolução da oferta e da procura", afirmou Lipsky.
O número dois do FMI disse ainda terem sido encontradas "poucas provas" de que a "especulação" tenha sido um elemento determinante, apesar de ser possível que a atitude dos investidores possa ter aumentado as flutuações dos preços a curto prazo".
"Se a moderação recente dos preços das matérias-primas reduziu uma parte da pressão, os riscos de inflação nas economias emergentes são ainda muito sérios, na medida em que são sensíveis aos efeitos da 'segunda volta'", ou seja, do contágio a toda a economia da subida de preços em certos sectores, concluiu.

AIE revê em baixa previsão de procura de petróleo para 2008 e 2009

A Agência Internacional da Energia (AIE) cortou também esta semana a sua previsão relativa à procura mundial de petróleo para 2008 e 2009, à medida que os elevados preços do crude e o abrandamento económico global reduzem o consumo do "ouro negro" nos Estados Unidos, o maior consumidor de petróleo do mundo.
A AIE baixou a sua previsão da procura de crude para este ano em 100 mil barris para os 86,8 milhões de barris diários, tendo ainda reduzido a estimativa de consumo para 2009 em 140 mil barris por dia para os 87,6 milhões, de acordo com o relatório mensal da Agência esta semana divulgado e citado pela Bloomberg.
O mesmo documento nota que "o impacto das condições económicas mais fracas e dos preços altos verificados durante o Verão (quando os preços alcançaram os máximos históricos) na procura foi mais forte do que o esperado, nomeadamente nos Estados Unidos."
Os especialistas notam que os preços já caíram cerca de 9% em Nova Iorque desde o recorde atingido em Julho, com os consumidores dos Estados Unidos, o maior consumidor de gasolina do mundo, a optar por carros mais pequenos e a "economizar" nas viagens de automóvel. Recorde-se que foi este abrandamento da procura que levou a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a cortar os actuais níveis de produção.
O relatório da AIE diz que existe uma evidência relativa aos consumidores norte-americanos de uma "mudança acentuada para carros mais eficientes, alterações nos hábitos de mobilidade e de condução, sinais de que a vida suburbana está gradualmente a perder a sua atractividade e a modificar práticas de negócios", e a agência avisa que a quebra no consumo norte-americano pode durar mais tempo do que o anteriormente previsto.
No mês de Agosto, a OPEP exportou 32,5 milhões de barris por dia, menos 195 mil barris diários do que em Julho, devido à suspensão da produção de petrolíferas e oleodutos no Iraque, em Angola, na Líbia e na Nigéria, de acordo com as estimativas da AIE.
Contudo, a AIE ainda espera que a procura de petróleo aumente 0,8% em 2008, ou 700 mil barris por dia em relação ao ano de 2007, e 1% ou 900 mil barris por dia em 2009.
A agência também cortou em 180 mil barris por dia as suas projecções para a oferta fora da OPEP este ano, para os 49,9 milhões de barris, depois de os furacões terem provocado o encerramento da produção no Golfo do México.
O mesmo documento avança que a oferta de petróleo de países que não fazem parte da OPEP será de 50,7 milhões de barris diários, menos 85 mil do que o previsto em Agosto, devido à queda da produção na Rússia, na Noruega, na Austrália e na China.

Recessão em Espanha diz Solbes

Pedro Solbes admitiu esta semana, pela primeira vez, a possibilidade de a economia espanhola entrar em recessão, dando uma nota mais negativa ao discurso oficial do Governo que, ainda assim, continua a suster que esse risco acabará por não se materializar.
"O risco de recessão existe e estamos preocupados com isso", afirmou o ministro espanhol esta semana aos microfones da rádio Cadena Ser. "Estamos praticamente com um crescimento nulo, mas não estamos a trabalhar com um cenário de recessão", insistiu.
Contrariando as previsões dos institutos privados de análise da conjuntura, Pedro Solbes continua a antecipar um terceiro trimestre "um pouco melhor" do que o segundo e, ainda que admita que a economia navega "ao largo" de uma recessão, assegura que não há razões para se antecipar que esse risco se concretize.
Por outro lado, a economia de Espanha vai continuar fraca até ao próximo ano, penalizada pelo elevado nível de desemprego e pela alta inflação, escreveu Solbes num jornal britânico, citado pela Bloomberg. O ministro espanhol prevê ainda que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país deve melhorar em 2010 se o Governo continuar a investir em infra-estruturas e na educação.
Solbes lembrou que o Executivo e as empresas espanholas têm investido em infra-estruturas no país, o que, juntamente com uma taxa de poupança estável, permitiu uma contenção considerável do défice de Espanha.
O ministro das Finanças espanhol diz também que os bancos nacionais têm solvabilidade e estão bem colocados para enfrentar a deterioração da economia, apesar de reconhecer que as instituições financeiras do país têm sido afectadas pelas condições mais restritas no acesso ao crédito e pela deterioração do mercado imobiliário espanhol. Contudo, o ministro sublinha que as empresas espanholas têm provado que são competitivas nos mercados internacionais.
Solbes recorda ainda que o Governo de Madrid conseguiu um excedente comercial de mais de 2% do PIB em 2007, e reduziu a sua dívida pública para os 36% do PIB, o que permitiu ao Executivo implementar medidas para contrariar um colapso económico.
A economia espanhola, principal cliente das exportações portuguesas, cresceu no segundo trimestre apenas 0,1%, ao ritmo mais lento desde a recessão de 1993.
Entretanto, nas mais recentes contas da Funcas, a Fundação das Caixas de Poupança, o crescimento da economia vizinha deverá ficar-se pelos 1,1% neste ano e ser negativo, em 0,5%, no conjunto de 2009.
A Funcas estima que Espanha entrará em recessão técnica (dois trimestres consecutivos de contracção em cadeia) já no quarto trimestre deste ano, com a recuperação a começar apenas em finais de 2009. Os economistas consultados pela agência Bloomberg consideram, por seu turno, que existe uma probabilidade de 67,5% de a economia espanhola resvalar para terreno negativo durante pelo menos dois trimestres seguidos.

Abrandamento económico global arrasta exportações da Alemanha

As exportações da Alemanha, a maior economia da Europa, recuaram no mês de Julho mais do que os economistas tinham previsto, com o arrefecimento do crescimento global a penalizar a procura.
As vendas alemãs para o estrangeiro, ajustadas de dias de trabalho e variações sazonais, caíram 1,7% em Julho, face ao mês anterior, de acordo com dados do Departamento Federal de Estatísticas (Destatis) esta semana divulgados e citados pela Bloomberg. Este resultado foi pior do que o esperado pelos economistas consultados pela agência noticiosa, que esperavam uma queda média de 1,1% em Julho.
Os mesmos dados mostram que desde o início do ano as exportações subiram 7%.

Abrandamento na China

As vendas de automóveis na China, um dos mercados com maior crescimento a nível mundial, caíram, em Agosto, pela primeira vez em mais de três anos, devido aos Jogos Olímpicos.
Foram comercializados um total de 451 300 novos veículos ligeiros de passageiros, no último mês, segundo a China Association of Automobile Manufacturers. Este número representa uma quebra de 6,2% em termos homólogos.
Foi a primeira quebra nas vendas no espaço de mais de três anos. A justificação está no aumento da inflação, para o nível mais elevado em 12 anos, a queda dos mercados accionistas, e nos Jogos Olímpicos, que se realizaram na China.
"A queda de Agosto deveu-se essencialmente a um factor extraordinário como os Jogos Olímpicos, que afastaram as atenções dos consumidores", segundo Yale Zhang, analista da CSM Ásia, citado pela Bloomberg.
Segundo o mesmo especialista, "as vendas deverão recuperar já em Setembro à medida que os fabricantes de automóveis começarem a introduzir novos modelos e a oferecer, novamente, promoções".
Apesar da quebra nas vendas de Agosto, no acumulado as vendas de carros na China cresceram. Nos primeiros oito meses deste ano foram comercializados 6,48 milhões de veículos, um aumento de 14%.

Recessão na Grã-Bretanha

A economia britânica contraiu-se 0,2% nos últimos três meses e recuou 0,1% no trimestre anterior (de Maio a Julho), entrando em recessão técnica, mostram os dados do National Institute for Economic e Social Research (NIESR), citados pela Bloomberg.
Os dados relativos ao período entre Maio e Julho representam a primeira queda trimestral do PIB desde que o NIESR começou a monitorizar o indicador, em Abril de 1996. "Estes números são apreciavelmente mais baixos do que tínhamos antecipado no mês passado, tendo em conta a revisão em baixa do crescimento do PIB relativo ao segundo trimestre publicada no mês passado", diz o instituto no comunicado. Entretanto, a produção das fábricas britânicas recuou no mês de Julho para o nível mais baixo em 18 meses, com os preços recorde do petróleo a penalizarem o crescimento económico.
A produção industrial caiu 0,2% em Julho face ao mês anterior, o que constitui o quinto declínio mensal consecutivo, de acordo com dados divulgados pelo Gabinete de Estatística do Reino Unido (ONS), e citados pela Bloomberg. Este resultado foi pior do que o previsto pelos economistas consultados pela agência noticiosa que tinham apontado para uma descida de 0,1% em Julho.
Os mesmos dados mostram que o índice que mede a produção industrial britânica se situou nos 103,3 pontos, o nível mais baixo desde Fevereiro de 2007.
Os especialistas notam que a desvalorização da libra esterlina podia ter beneficiado a produção industrial britânica. Note-se que a divisa britânica já recuou 10% contra o euro desde o início do ano, com os investidores a aumentar as suas postas de que o Reino Unido vai entrar em recessão e o Banco de Inglaterra (BoE) vai cortar os juros.
Contudo, as fábricas do Reino Unido foram penalizadas pelos preços mais altos da energia, pelo enfraquecimento da procura nacional e pelo abrandamento do crescimento na Zona Euro, o maior mercado das exportações britânicas.
"Apesar da desvalorização cambial, a produção industrial ainda está subjugada", disse à Bloomberg George Johns, economista no Barclays Capital. "O banco [BoE] pode começar a pensar numa descida da taxa de juro, uma vez que assistimos a um pico na inflação", sublinhou.

Preços das casas no Reino Unido caem com vendas em mínimo em 30 anos

Os preços das casas no Reino Unido desceram, em Agosto, com o aperto nas condições de concessão de crédito a arrastar as vendas para um mínimo desde 1978.
De acordo com um inquérito levado a cabo pela Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS), citado pela Bloomberg, os agentes e inspectores imobiliários a afirmarem que os preços das casas desceram em Agosto excederam os que disseram que tal não aconteceu em 81 pontos percentuais, contra os 83 pontos percentuais registados no mês anterior.
As vendas por agente nos últimos três meses caíram para 12,7 pontos, o valor mais baixo desde 1978, quando começaram a ser feitos os registos do RICS.
A RICS nota que os agentes imobiliários permanecem pessimistas em relação ao mercado de habitação, sublinhando que alguns disseram que venderam menos de uma casa por semana.
"A falta de liquidez hipotecária é o factor principal que está a impedir que o mercado imobiliário mostre qualquer sinal de recuperação", afirma Jeremy Leaf, porta-voz da RICS, no documento.
O abrandamento do mercado imobiliário no Reino Unido estagnou o crescimento económico no segundo trimestre, interrompendo uma série de 63 trimestres consecutivos de expansão, e ameaça arrastar o país para uma recessão. Para evitar tal cenário, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou na semana passada medidas para ajudar a aumentar a compra de casa.
Segundo as recentes projecções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), o Reino Unido, o maior "cliente" do turismo português, deverá entrar em recessão na segunda metade do ano, com dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.
A inflação, por sua vez, atingiu, em Julho, o valor mais alto desde pelo menos a última década (4,4%), o que levou o Banco de Inglaterra a manter as taxas de juro nos 5%, pelo quinto mês consecutivo.

Sindicatos britânicos pedem redução de impostos e juros

Por seu lado, os líderes dos sindicatos do Reino Unido estão a pressionar o Governo de Gordon Brown no sentido de uma baixa de impostos e redução dos juros, de modo a ter de volta o apoio dos eleitores.
Os sindicalistas pretendem que o primeiro-ministro britânico elabore um plano para travar o abrandamento económico, a aceleração da inflação e o criticismo sobre a sua liderança e o partido do Governo.
Os sindicatos consideram que Gordon Brown deveria deixar de focar-se na inflação e dedicar mais energia para encontrar formas de suportar a expansão da economia. Cortes nas vendas e nas taxas de impostos e mais ajudas para os trabalhadores com salários baixos foram algumas das medidas apontadas pelos representantes sindicais.
A hesitação do sucessor de Blair em levar os britânicos às urnas, a nacionalização do Northern Rock, somada a uma crise internacional com grande impacto na economia britânica e a perda de dados fiscais de 20 milhões de contribuintes ditaram a queda abrupta do Labour nas sondagens, para o valor mais baixo desde que subiu ao poder, em 1997.
A economia britânica estagnou inesperadamente no segundo trimestre do ano, interrompendo uma série de 63 trimestres consecutivos de expansão. Além disso, a inflação atingiu, em Julho, o valor mais alto desde pelo menos a última década (4,4%), o que levou o Banco de Inglaterra a manter as taxas de juro nos 5%. Mas o cenário pode ficar mais negro. Segundo as recentes projecções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), o Reino Unido, o maior "cliente" do turismo português, deverá entrar em recessão na segunda metade do ano, com dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.

Itália quer converter BEI em fundo soberano para retirar Europa da crise

Ao mesmo tempo, a Itália vai propor aos seus parceiros europeus a transformação do Banco Europeu de Investimento (BEI) num fundo soberano para lançar um plano de investimento público e tirar a Europa da crise.
O ministro da Economia italiano, Giulio Tremonti, citado pela imprensa italiana desta quarta-feira, afirmou que vai solicitar à União Europeia "um estudo sobre a possibilidade de criar à escala europeia um instrumento que existe já noutros países, como a Cassa Depositi na Itália, a Caisse des Dépôts na França ou a KFW alemã".
Giulio Tremonti pretende apresentar esta ideia aos ministros da Economia e das Finanças da União Europeia na cimeira ECOFIN, que se realiza nos próximos dias 12 e 13 de Setembro, em Nice.
"A economia está em crise e vemo-lo em todo o lado na Europa: somente um grande plano de investimentos públicos poderá fazer sair a Europa da crise global", acrescentou o ministro italiano.
"Um fundo soberano teria não só um grande valor económico, porque temos a moeda mais forte do mundo e não a utilizamos, como político", frisou Giulio Tremonti, pelo que "seria um símbolo extraordinário de reacção à crise da parte da Europa unida."
O BEI, criado em 1958, tem já em parte este papel, apoiando certos objectivos da UE com base no financiamento de investimentos. Este actua no principalmente no seio da União Europeia, mas também noutras partes do mundo, nomeadamente a Turquia e o Magreb.

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