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Alegre continua a ser muito pressionado para formar partido e ...
2008-02-14 22:35

Manuel Alegre continua a ser muito pressionado, no seio do Movimento Intervenção e Cidadania, para formar um partido político e apresentar-se às urnas já nas eleições legislativas de 2009. A possibilidade de o poeta se resguardar apenas para as presidenciais de 2011, hipótese muito falada na semana passada, é considerada tardia e mesmo "intolerável", face à política de direita seguida por José Sócrates. Entretanto, no PS há sinais de grande nervosismo face ao que Manuel Alegre possa fazer. Jorge Coelho diz que as dissidências em Portugal não têm sucesso e no PCP começaram os ataques ao ex-candidato presidencial com medo de ocupação do espaço à esquerda. Jorge Cordeiro chama ao poeta um "enfeite verbal de esquerda".

Manuel Alegre continua a ser muito pressionado, no seio do Movimento Intervenção e Cidadania, para formar um partido político e apresentar-se às urnas já nas eleições legislativas de 2009. A possibilidade de Alegre se resguardar apenas para as presidenciais de 2009 é considerada tardia e mesmo "intolerável", face à política de direita seguida por José Sócrates.
Ontem, num artigo publicado no jornal "Público", Cipriano Justo, membro da Renovação comunista e dos activistas do MIC, que tem sido um dos grandes defensores da formação de um novo partido político à esquerda, voltou a desafiar Alegre para esse desígnio. Cipriano Justo considera que a recente remodelação do governo não muda nada ao nível das políticas exercidas pelo governo e que é necessário criar uma solução que "represente no plano programático uma alternativa exequível ao caminho seguido nos últimos três anos pela actual direcção do PS". O activista do MIC acrescenta que "não se trata de retirar, em 2009, a maioria absoluta a este governo, mas de derrotar as suas políticas e disputar-lhe a influência junto do seu eleitorado tradicional". Seguramente que Cipriano Justo está aqui a lembrar-se do milhão de votos obtidos por Manuel Alegre nas últimas presidenciais.
Na semana passada, a hipótese de Manuel Alegre ser novamente candidato presidencial em 2011, desta vez apoiado pelo PS, foi muito falada em sectores políticos. Cipriano Justo também responde a esta possibilidade, considerando-a "intolerável": "O ponto de sauturação a que os portugueses chegaram constitui a mais importante condição para se criar uma alternativa a estas políticas. O mesmo, depois de 2009, já seria intolerável.". Refira-se que a dureza das critícas feitas por Cipriano Justo à governação socialista são muito semelhantes ao teor das enunciadas por Manuel Alegre nas suas últimas entrevistas.
O SEMANÁRIO sabe que, nalguns sectores do MIC, a hipótese de candidatura de Alegre às presidenciais é vista como uma armadilha colocada por sectores do PS que querem neutralizar politicamente o poeta. Curiosamente, nesta edição do SEMANÁRIO, José Lello, um homem muito próximo de Sócrates, chega a referir em entrevista que o maior envolvimento de Alegre no PS, com a dinamização do direito de tendência, pode conduzir ao encerramento do Movimento Intervenção e Cidadania, arriscando-se a sua diluição. O ex-secretário de Estado da Imigração de Guterres também manifesta a expectativa de que Alegre possa candidatar-se no futuro Congresso do PS que tem lugar no final deste ano. Estas declarações de José Lello surgem uma semana depois de Manuel Alegre ter respondido que não o desafiassem para combates internos no PS porque, então, iria novamente a votos no país, dando provas de perceber perfeitamente a cama em que alguns sectores do PS querem que ele se deite.
Também ontem, Jorge Coelho, que mantém intacta toda a sua influência no seio do partido, se sentiu no dever de fazer alertas políticas em relação ao aparecimento de uma nova força política. No seu artigo de opinião no "Diário Económico", escreve Coelho: "A dissidência, em Portugal e a médio prazo, tem um efeito mais destrutivo do que construtivo. PSD, PS, PCP, CDS ..., nenhum movimento que se separou destes partidos conseguiu vingar." O ex-ministro de Guterres acrescenta: "Um estudo sobre o comportamento do eleitorado mostrou que os portugueses não são receptivos a novas forças políticas. Preferem manifestar o seu desagrado a quem ocupa o poder através do voto contra."
Porém, caso o MIC se constituísse em partido político, concorrendo às legislativas de 2009, a possibilidade de ter um bom resultado parece ser alta, a avaliar pelas duas experiências eleitorais passadas , a de Alegre e a de Helena Roseta nas intercalares de Lisboa, onde teve 10 por cento de votos e deixou António Costa a sonhar com a maioria absoluta. Por outro lado, mesmo que a votação no MIC não fosse expressiva, a hipótese de retirar a maioria absoluta ao PS era muito alta, já que lhe captaria eleitorado directo.
Refira-se que no seio do MIC também há quem defenda que a formação de um partido é um grande risco, porque visando-se mudar a política do governo de Sócrates pode-se estar, perversamente, a dar o poder de novo à direita. Caso o PS não tenha maioria absoluta em 2009, a possibilidade de a direita regressar ao governo, em coligação PSD-CDS, parece, de facto, real.
Para além do nervosismo do PS, há outro partido que parece agitar-se cada vez mais com a possibilidade de Alegre e o MIC intervirem eleitoralmente: o PCP. Na edição de ontem, do "Avante" o destacado Jorge Cordeiro e João Frazão assinavam dois artigos de opinião em que criticam duramente Manuel Alegre. O primeiro escreve que o poeta habituou o país a "jogos de palavras", sem que daí "decorra nada de mais relevante do que um enfeite verbal de 'esquerda' na substância da prática política do PS", concluindo que se trata de uma cereja em cima do bolo das políticas de direita do PS. Já João Frazão refere que o poeta lhe lembra a história do "Agarrem-se senão eu bato-lhes".
Estas críticas súbitas do PCP a Alegre parecem indicar que os comunistas também estão receosas com a erosão do seu eleitorado, caso o MIC avançasse para partido, intregrado nas suas listas muitos membros da Renovação Comunista, que até há bem pouco tempo militaram no partido da Soeiro Pereira Gomes.

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5 comentário(s)
Por: Leonel Antunes
2008-02-21 23:04
Manuel Alegre fala, fala, mas ninguém acredita que ele seja capaz de criar divisão no PS. Vamos ver se, ao menos, se volta a candidatar para secretário-geral, contra o mais que desgastado Sócrates...
Por: MARIA FERNANDA
2008-02-21 11:03
Eu quase já nem me apetece nem tenho forças para comentar sequer a política deste País. O P.Ministro com uma vozinha muita mansa que já não convence ninguém cada vez tem dito mais disparates. Tanta coisa com os cursos, tenho uma filha licenciada em recursos humanos, grande profissional, 33 anos, domina inglês e área informática e quando responde aos anuncios ou tem habilitações demasiadas ou não tem para dar mais que 500 Euros. Precisamos sim de uma forte reviravolta e desta vez não com flores com umas valentes catanadas para ver se alguém com pulso acorda do pesadelo que todos nós estamos a sofrer. Para quê tantos licenciados ? reformem as pessoas a partir dos 61 anos e dêem mas é lugar aos novos ou será que a Segurança Social não tem dinheiro ? É uma vergonha a miséria cada vez maior, a solidão e a pobreza da 3ª idade já nem dinheiro têm para comer e os jovens igual. Exploração da mão de obra. Querem mais crianças como ? se hoje um funcionário de Banco com responsabilidades ganha apenas 600 Euros. Quantas e quantas vezes não comem pq o dinheiro não chega já tenho visto alguns a beber um café e um salgado.
Senhor Presidente da República a única esperança será o Senhor dar um murro em perante todo o executivo e dizer basta ! Meus amigos já chega de tanta palhaçada o Senhor que é humano e honesto, acuda o nosso país.
Eu fui militante do PS, saí com tanta decepção e não estou disposta a votar mais mas concordo que venha alguém de pulso, afinal são só promessas.
O P.Ministro está á espera mais perto das eleições legislativas dar uns tostoes aos pobres para eles se esquecerem e voltarem a votar nele ? Os eleitores que abram os olhos. Despeço-me com tristeza e desgosto
Por: José Leite
2008-02-17 18:37
Um novo partido político seria benefico pois, com a falência de liderança do PSD, Alegre poderia agrupar muitos votantes descontentes. Força Manuel.
Por: António Augusto Silva
2008-02-15 21:29
Oxalá Manuel Alegre e o MIC tenham a coragem de ir a votos. Não sou socilaista muito menos comunista, mas gostava de ver alguém a dar uma pedrada no charco em que Portugal se está a tornar cada vez mais.
Só um apelo, se formarem um partido e venham a conquistar o poder, por favor não façam como os demais, que prometem branco e dão-nos preto.
E muio naturalmente mais votos iriam buscar ao povo, que não é parvo, por vezez vota no mal menor e aí é que está o erro e ponto onde chegamos como sociedade.
Por: Fernando Ferreira
2008-02-15 12:03
Estou completamente de acordo que, manuel Alegre, deve aproveitar este movimento para constituir um novo partido, tipo trabalhista, que preencheria a lacuna existente no centro esquerda, já que o PS há muito que é de direita, este novo partido deveria aceitar quaisquer democratas, pessoas acima de quaisquer suspeitas e que lutam contra a corrupção, como Paulo Morais do Porto, Laborinho Lúcio da Nazaré,Helena Roseta, João Cravinho e outros socialistas seriam benvindos. Eu, que fui militante do PS mais de 30 anos, voltaria à luta e muitos democratas deste país engrossariam este novo partido, que se arriscaria a ganhar as próximas eleições, tal é o descrédito dos dois partidos do centrão, PS e PSD. Claro que o PS está a tentar tudo para que isso não aconteça e até quer que Manuel Alegre fique no PS, para tentar segurar votos à esquerda. Manuel Alegre não poderá deixar que isso acontaça,sob pena de vir a ser considerado um traidor para aqueles que nele acreditaram, a história não perdoa, o caminho é ir em frente com a constituição de novo partido.

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